
Nas Garras da Graa

Max Lucado

CPAD
Digitalizado por BlackNight
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Sumrio:
RECONHECIMENTOS
INTRODUO
1. A PARBOLA DO RIO
I PARTE - QUE DESORDEM!
2. A GRACIOSA IRA DE DEUS
3. VIDA MPIA
4. JULGAMENTO MPIO
5. RELIGIO MPIA
II PARTE - QUE DEUS!
6. CHAMANDO OS CADVERES
7. ONDE O AMOR E A JUSTIA SE ENCONTRAM
8. CRDITO ONDE CRDITO NO  DVIDA
9. A LIGA PRINCIPAL DA GRAA
10. O PRIVILGIO DOS INDIGENTES
III PARTE  - QUE DIFERENA!
11. A GRAA FUNCIONA
12. VOLTANDO-SE A SI MESMO
13. A GRAA  SUFICIENTE
14. A GUERRA CIVIL DA ALMA
15. O PESO DO DIO
16. A VIDA A BORDO DO BARCO DA COMUNHO
17. O QUE REALMENTE QUEREMOS SABER
CONCLUSO: "NO SE ESQUEA DE CUIDAR DE MIM"
      
Reconhecimentos
      
Deixe-me dizer uma palavra de agradecimento a:
Karen Hill: Minha assistente e amiga, que ddiva  voc!
Steve e Cheryl Green, e a equipe editorial UpWords: Obrigado por serem to fiis.
Charles Prince: Nosso erudito residente. Apreciamos seus inputs.
Charles Swindoll: Suas palavras publicadas nas intersees mantiveram-me no mais alto caminho.
Ancios, ministrio e membros da Oak Hills Church of Christ: No h outra igreja onde eu prefira servir.
Steve Halliday: Obrigado por mais um excelente guia de estudo.
Nacy Norris: Minha especial saudao a voc, pelas muitas pginas que tem suportado e aperfeioado em todos esses anos. Obrigado!
Sue Ann Jones: Possa sua tinta vermelha fluir. Obrigado por sua cuidadosa reviso.
Meus companheiros da Word Publishing: Vocs conseguiram de novo! Bom trabalho.
Dr. John Stott e seu criterioso livro Romans: God's Good News for the World. Sua sabedoria me foi inestimvel enquanto escrevia este livro.
Jenna, Andrea, Sara: Sinto muito por todos os papais que no podem t-las como filhas.
E para Denalyn, minha esposa: Depois da graa de Deus, voc  a melhor coisa que me aconteceu.
E a voc, leitor: Tenho orado por voc. Antes que voc pegasse este livro, pedi a Deus que lhe preparasse o corao. Posso pedir-lhe que tambm ore por mim? Poderia 
fazer a orao de Colossences 4.4 em meu favor? Obrigado. Sou honrado por voc ler estas pginas.
Possa Deus segur-lo firmemente nas garras da sua graa.
Introduo
      Minha nica qualificao para escrever um livro sobre a graa  a roupa que uso. Deixe-me explicar.
      Durante anos, possui um elegante terno, com palet, cala, e at um chapu. Considerava-me totalmente garboso nesse conjunto, e estava certo de que os outros 
eram da mesma opinio.
      As calas, talhei-as do tecido de minhas boas obras, fortemente urdido de trabalhos realizados e projetos completados. Alguns estudos aqui, alguns sermes 
ali. Muita gente elogiava minhas calas, e, confesso, eu tinha a tendncia de pux-las em pblico para que as pessoas pudessem not-las.
      O palet era igualmente impressionante; tecido de minhas convices. A cada dia, eu me vestia em profundo sentimento de fervor religioso. Minhas emoes eram 
absolutamente fortes. To fortes que, para dizer a verdade, muitas vezes eu era solicitado a exibir meu manto de zelo em pblico, a fim de inspirar a outrem. Claro, 
eu aquiescia feliz.
      Enquanto isso, tinha tambm de expor meu chapu - um quepe emplumado de sabedoria, feito por minhas prprias mos, tecido com fibras de opinio pessoal. Eu 
o usava orgulhosamente.
      Certamente, Deus est impressionado com minhas vestes, pensava eu com freqncia. Ocasionalmente, impertigava-me em sua presena para que Ele pudesse elogiar 
meus trajes feitos sob medida. Ele nunca falava. Seu silncio deve significar admirao, convenci a mim mesmo.
      Mas ento o meu guarda-roupa comeou a deteriorar-se. O tecido de minhas calas esgarou-se. Minha melhor obra, ei-la a desintegrar-se. O que eu fazia j no 
podia concluir, e o pouco que intentava j no me constitua motivo de orgulho.
      No h problema, pensei. Vou trabalhar duro. Mas o trabalho duro era um problema. Havia um buraco em meu palet de convices. Minha determinao estava puda. 
Um vento frio golpeou-me o peito. Agarrei meu chapu, e puxei-o firmemente para baixo. A aba rasgou-se em minhas mos.
      Aps um perodo de poucos meses, meu guarda-roupa de justia prpria desfez-se completamente. De cavalheiro vestido sob medida, passei a mendigo esfarrapado. 
Receando pudesse Deus agastar-se com os meus trapos, remendei-os melhor que pude, e cobri meus erros. As roupas porm estavam muito gastas. E o vento era gelado. 
Desisti. Voltei para Deus. (O que mais podia fazer?)
      Numa quinta-feira invernal, entrei em sua presena, buscando no aplausos, mas aconchego. Minha orao foi dbil.
      - Sinto-me nu.
      - Voc est nu. E tem estado assim por um longo tempo. O que Ele fez a seguir, jamais esquecerei.
      -   Tenho algo para lhe dar - disse-me ele. E gentilmente removeu o restante dos fiapos, e apanhou um manto - um manto real, uma veste de sua prpria bondade. 
Colocou-o em torno de meus ombros. Suas palavras soaram cheias de ternura: - Meu filho, agora voc est vestido com Cristo. (Ver Gl 3.27).
      Embora houvesse cantado o hino milhares de vezes, s ento o compreendi:
      
Vestido unicamente de sua justia,
Irrepreensvel perante o trono.
      
      Tenho o pressentimento de que alguns de vocs sabem do que estou falando. Voc vem usando um traje feito por si mesmo. Voc tem confeccionado suas vestimentas, 
honrado suas obras religiosas, e... j notou um rasgo no tecido. Antes que voc comece a remendar-se a si prprio, gostaria de partilhar com voc alguns pensamentos 
sobre a maior descoberta de minha vida: a graa de Deus.
      Minha estratgia  que gastemos algum tempo escalando as montanhas da Epstola de Paulo aos Romanos. Escrita para auto-suficientes, essa epstola contrasta 
a posio de pessoas que preferem envergar trajes feitos por si prprias, com a daquelas que, alegremente, aceitam o manto da graa. Romanos  o maior tratado j 
escrito sobre a graa. Voc achar o ar fresco e a viso clara.
      Martinho Lutero chamou Romanos de "A parte fundamental do Novo Testamento e... verdadeiramente, o mais puro Evangelho". Deus usou o livro de Romanos para mudar 
as vidas (e o guarda-roupa) de Lutero, John Wesley, Joo Calvino, William Tyndale, Agostinho, e milhes de outros.
      H inmeras razes para pensar que Ele far o mesmo a voc.
Max Lucado
Memorial Day, 1996
      
      
1. A Parbola do Rio
Romanos 1.21-32
      Havia outrora cinco irmos, que moravam com o pai num castelo, no alto de uma montanha. O mais velho era um filho obediente. Seus quatro irmos, todavia, eram 
rebeldes. O pai tinha-lhes grande cuidado por causa do rio; j lhes havia implorado que ficassem distante da margem, para que no fossem varridos pelo refluxo da 
mar. Mas eles no ligavam; a atrao do rio era-lhes demasiadamente forte.
      A cada dia, os quatro irmos rebeldes arriscavam-se cada vez mais perto do rio, at que, uma vez, um deles atreveu-se a tocar a gua.
      - Segurem a minha mo - gritou ele. - Assim no cairei.
      E seus irmos o fizeram. Quando ele porm tocou a gua, o repuxo arrastou-o com os outros trs para dentro da correnteza, rolando-os rio abaixo.
      Foram despencando de rocha em rocha, girando no leito do rio. Arrastados pelas vagas, eles se foram. Seus gritos de socorro perderam-se na fria do rio. Embora 
se debatessem tentando recuperar a estabilidade, foram impotentes contra a fora da correnteza. Depois de horas de esforo, renderam-se ao puxo do rio. As guas 
finalmente lanaram-nos  margem, numa terra estranha, num distante pas. O lugar era estril.
      Um povo selvagem habitava aquela terra. No era segura como o lar que eles tinham.
      Ventos frios gelavam a terra. No era quente como o lar que possuam.
      Montanhas inspitas assinalavam a terra. No era convidativa como o lar que conheciam.
      Embora no soubessem onde estavam, de uma coisa tinham certeza: no haviam sido feitos para aquele lugar. Por um longo tempo, os quatro jovens irmos ficaram 
deitados na margem, atordoados com a queda, e sem saber para onde se voltarem. Aps algum tempo, reuniram coragem e tornaram a entrar na gua, esperando andar rio 
acima. Mas a correnteza era demasiadamente forte. Tentaram caminhar ao longo da margem, porm o terreno era ngreme demais. Consideraram a possibilidade de subir 
as montanhas, contudo, o cimo era muito alto. Alm de tudo, no conheciam o caminho.
      Finalmente, fizeram um fogo, e sentaram-se  volta.
      - No deveramos ter desobedecido nosso pai - admitiram eles. - Estamos a grande distncia de casa.
      Com o passar do tempo, os filhos aprenderam a sobreviver na terra estranha. Encontraram nozes para alimento, e mataram animais para ter as peles. Eles tinham 
determinado no esquecer a terra natal, nem abandonar as esperanas de retornar. A cada dia, os quatro aplicavam-se  tarefa de achar alimento e construir abrigo. 
A cada noite, acendiam o fogo e contavam histrias de seu pai e do irmo mais velho, ansiando por v-los novamente.
      Ento, numa noite, um dos irmos ausentou-se da fogueira. Os outros o encontraram, na manh seguinte, no vale com os selvagens. Ele havia construdo uma choupana 
de barro e palha.
      - Tenho me cansado de nossas conversas - confessou ele. - De que adianta recordar? Alm de que, esta terra no  to ruim. Vou construir uma grande casa e 
estabelecer-me aqui.
      - Mas aqui no  nosso lar. - Objetaram os outros.
      - No. Mas ser, se vocs no pensarem no verdadeiro
      - Mas, e nosso pai?
      - O que tem ele? Ele no est aqui. No est por perto. Devo viver para sempre na expectativa de sua chegada? Estou fazendo novos amigos; estou aprendendo 
novos caminhos. Se ele vier, muito que bem, mas eu no vou parar minha vida.
      E assim, os outros trs deixaram o construtor de cabanas, e se foram. Eles continuaram a se encontrar em volta do fogo, falando do lar e sonhando com o retorno.
      Alguns dias depois, o segundo irmo faltou ao encontro da fogueira. Na manh seguinte, os outros dois o acharam no alto de uma ladeira, fitando a cabana de 
seu irmo.
      - Que desgosto - desabafou ele, quando os dois se aproximaram. - Nosso irmo  um fracasso total. Um insulto ao nome de nossa famlia. Podem imaginar um ato 
mais desprezvel? Construindo uma cabana, e esquecendo nosso pai?!
      - O que ele est fazendo  errado - concordou o mais jovem. - Mas o que fizemos  igualmente mau. Ns desobedecemos. Tocamos o rio. Ignoramos as advertncias 
de nosso pai.
      - Bem, podemos ter cometido um ou dois enganos, mas comparados quele coitado da choupana, ns somos santos. Papai vai perdoar nosso pecado, e castigar a ele.
      - Venha - instaram os dois irmos. - Volte ao fogo conosco.
      - No. Acho que devo manter o olho em nosso irmo. Algum precisa conservar uma recordao de seus erros para mostrar a papai.
      Assim, os dois retornaram, deixando um irmo construindo e o outro julgando.
      Os dois filhos remanescentes ficaram perto do fogo, encorajando-se mutuamente e falando do lar. Ento, ao acordar numa manh, o mais novo achou-se sozinho. 
Procurou pelo irmo, e encontrou-o perto do rio, amontoando pedras.
      - As coisas no so assim - explicou o amontoador de pedras, enquanto trabalhava. - Meu pai no vem a mim. Eu devo ir a ele. Eu o ofendi. Insultei-o. Falhei 
com ele. H apenas uma opo: construirei um caminho de pedras sobre o rio, e irei at a presena de nosso pai. Pedra sobre pedra, eu as amontoarei at que sejam 
suficientes para eu viajar rio acima, em direo ao castelo. Ao ver quo duro eu tenho trabalhado, e quo diligente tenho sido, nosso pai no ter escolha: aluir 
a porta, e me deixar entrar em sua casa.
      O ltimo irmo no soube o que dizer. Voltou a sentar-se sozinho junto ao fogo. Certa manh, ouviu atrs de si uma voz familiar.
      - Papai mandou-me buscar vocs, e lev-los para o lar. Levantando os olhos, ele viu a face de seu irmo mais velho.
      - Voc veio buscar-nos! - Gritou ele. E ambos ficaram abraados por um longo tempo.
      - E os outros? - Perguntou finalmente o mais velho.
      - Um fez uma casa aqui. O outro o est olhando. E o terceiro est construindo um caminho sobre o rio.
      E assim, o primognito ps-se a procurar os irmos. Foi primeiro  choupana de palha, no vale.
      - Fora, estranho! - enxotou o seu irmo, pela janela. - Voc no  bem-vindo aqui!
      - Eu vim para lev-lo ao lar.
      - Mentira! Voc veio pegar minha manso!
      - Isto no  uma manso - ponderou o primognito -  uma choupana.
      -  uma manso! A mais bela da plancie. Eu a constru com minhas prprias mos. Agora, v embora. Voc no pode ficar com minha manso.
      - Voc no se lembra da casa de seu pai?
      - No tenho pai.
      - Voc nasceu num castelo, numa terra distante, onde o ar  clido, e os frutos, abundantes. Voc desobedeceu a seu pai, e acabou nesta terra estranha. Eu 
vim a fim de lev-lo para casa.
      O irmo perscrutou a face do primognito atravs da janela, como se estivesse vendo um rosto j visto num sonho. Mas a pausa foi curta, pois, de repente, os 
selvagens atopetaram a janela tambm.
      - V embora, intruso! - exigiram eles. - Esta casa no  sua.
      - Vocs esto certos - respondeu o primognito. - Mas vocs no so nada dele.
      Os olhos dos dois irmos encontraram-se novamente. Mais uma vez o construtor sentiu um aperto no corao, mas os selvagens haviam conquistado sua confiana.
      - Ele quer apenas a sua manso - gritaram eles. - Mande-o embora! E ele o mandou.
      O primognito foi procurar o segundo irmo. No teve de ir muito longe. Sobre a ladeira, prximo  cabana, ao alcance da vista dois selvagens, estava o irmo 
acusador. Ao ver o primognito aproximando-se, ele alegrou-se:
      - Que bom que voc est aqui para ver o pecado de nosso irmo! Voc est sabendo que ele voltou as costas ao castelo? Est sabendo que ele nunca mais falou 
de casa? Eu sabia que voc viria, e tenho anotado cuidadosamente as aes dele. Castigue-o! Eu aplaudirei a sua ira. Ele a merece! Trate dos pecados de nosso irmo.
      O primognito falou suavemente:
      - Precisamos cuidar de seus pecados primeiro.
      - Meus pecados?
      - Sim, voc desobedeceu o papai.
      O irmo deu uma risada sarcstica, e esmurrou o ar.
      - Meus pecados no so nada. L est o pecador - acusou ele, apontando para a cabana. Deixe-me contar-lhe dos selvagens que ficam l...
      - Prefiro que me fale de si mesmo.
      - No se preocupe comigo. Deixe-me mostrar a voc quem  que precisa de ajuda - insistiu ele, correndo em direo  choupana. - Venha, ns espiaremos pela 
janela. Ele nunca me v. Vamos juntos. - E ele chegou  cabana, antes de perceber que seu irmo mais velho no o seguira.
      Depois disso, o primognito encaminhou-se para o rio. L, achou o terceiro irmo, afundado na gua at os joelhos, amontoando pedras.
      - Papai mandou-me levar voc para casa. O outro nem levantou os olhos.
      - No posso conversar agora. Devo trabalhar.
      - Papai sabe que voc caiu. Contudo, ele o perdoar.
      - Ele pode - interrompeu o irmo, esforando-se por manter o equilbrio contra a correnteza. Mas antes tenho de chegar ao castelo. Devo construir um atalho 
sobre o rio. Primeiro lhe mostrarei que sou digno. Ento, pedirei sua misericrdia.
      - Ele j teve misericrdia de voc. Eu o transportarei rio acima. Voc jamais ser capaz de construir um atalho. O rio  to comprido! A tarefa  grande demais 
para voc. Papai mandou-me carreg-lo para casa. Eu sou forte.
      Pela primeira vez, o amontoador de pedras olhou para cima.
      - Como voc ousa falar com tanta irreverncia? Meu pai no ir me perdoar facilmente. Eu pequei. Cometi um grande pecado! Ele nos disse para evitarmos o rio, 
e ns desobedecemos. Sou um grande pecador. Preciso trabalhar muito.
      - No, meu irmo, voc no precisa de muito trabalho. Voc precisa de muita graa. Voc no possui fora nem pedras suficientes para construir a estrada. Foi 
por isso que nosso pai me enviou. Ele quer que eu o leve para casa.
      - Est dizendo que no consigo? Est querendo dizer que no sou suficientemente forte? Veja meu trabalho. Veja minhas rochas. Eu j posso dar cinco passos!
      - Porm ainda faltam cinco milhes  frente!
      O irmo mais novo fitou o primognito com raiva.
      - Eu sei quem  voc. Voc  a voz do mal. Est tentando seduzir-me e afastar-me de meu santo trabalho. Para trs de mim, serpente! - E ele jogou no primognito 
a pedra que ia pr no rio.
      - Hertico! - gritou o construtor de estrada. - Deixe esta terra. Voc no pode me fazer parar! Construirei esta passagem, e apresentar-me-ei ante meu pai. 
Ento ele ter de perdoar-me. Eu conquistarei o seu favor. Serei merecedor da sua compaixo.
      O primognito balanou a cabea.
      - Favor conquistado no  favor. Compaixo merecida no  compaixo. Eu lhe imploro, deixe-me transport-lo rio acima.
      A resposta foi outra pedrada. Ento o primognito virou-se e saiu. O irmo mais jovem estava esperando junto ao fogo, quando o primognito retornou.
      - Os outros no vm?
      - No. Um preferiu indultar-se; o outro, julgar; e o terceiro, trabalhar. Nenhum deles escolheu nosso pai.
      - Ento eles permanecero aqui?
      O primognito balanou a cabea devagar.
      - Por enquanto.
      - E ns voltaremos ao pai? - indagou o mais novo.
      - Sim.
      - Ele me perdoar?
      - Teria ele me enviado, se no fosse assim?
      E ento, o mais jovem subiu nas costas do primognito, e iniciaram a jornada para o lar.
***
      Todos os irmos receberam o mesmo convite. Cada um teve a oportunidade de ser carregado pelo irmo mais velho. O primeiro disse no, preferindo uma choupana 
de palha  casa de seu pai. O segundo disse no, preferindo analisar os erros de seu irmo, em vez dos seus prprios. O terceiro disse no, achando que seria melhor 
causar uma boa impresso que fazer uma confisso honesta. E o quarto disse sim, escolhendo a gratido em lugar da culpa.
      "Serei indulgente comigo mesmo" - resolveu um dos filhos. "Compararei os outros a mim mesmo" - optou o outro.
      "Eu mesmo serei o meu salvador" - determinou o terceiro. "Confiar-me-ei a voc" - decidiu o quarto.
      Posso fazer-lhe uma indagao crucial? Lendo sobre esses irmos, qual deles descreve seu relacionamento com Deus? A exemplo do quarto filho, voc tem reconhecido 
sua incapacidade de fazer sozinho a jornada para o lar? Voc tem aceitado a mo estendida de seu Pai? Voc est preso nas garras da sua graa?
      Ou voc tem agido como um dos outros trs filhos?
      Um hedonista. Um judicialista. Um legalista. Iodos ocupados consigo mesmos, rejeitando o pai. Paulo discorre sobre esses trs nos primeiros trs captulos 
de Romanos. Demos uma olhada em cada um.
      
O Hedonista Construtor de Cabanas
Romanos 1.21-32
      Voc pode identificar o construtor de cabanas? Ele troca sua paixo pelo castelo por um amor da plancie. Em vez de ansiar pelo lar, decide-se por uma cabana. 
A meta de sua vida  o prazer. Essa  a definio de hedonismo, e tal  a prtica desse filho.
      O hedonista dirige sua vida como se no houvesse pai em seu passado, presente, ou futuro. Talvez haja existido um pai em algum lugar, nalgum passado remoto, 
a muito tempo atrs... mas e quanto ao aqui e agora? O filho viver sem ele. Talvez haja, num futuro distante, um pai que venha e o reclame, mas e quanto a hoje? 
O filho tocar a vida ao seu prprio modo. Em vez de apropriar-se do futuro, ele satisfaz-se com o presente.
      Paulo tinha tal pessoa em mente, quando disse "E mudaram a glria do Deus incorruptvel em semelhana de imagem de homem corruptvel, e de aves, e de quadrpedes, 
e de rpteis... e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que  bendito eternamente" (Rm 1.23, 25). Os hedonistas fazem pobres permutas; trocam manses 
por choupanas, e o irmo por um estranho. Trocam a casa do pai por um gueto na ladeira, e mandam embora o irmo.
MAPEANDO A PARBOLA

O Hedonista Construtor de Cabanas
Romanos 1.18-32
O Judicialista
Censor
Romanos 2.1-11
Estratgia
Indulgente comigo mesmo
Comparar a mim mesmo
Meta
Satisfazer minhas paixes
Monitorar meu vizinho
Descrio
Amante do prazer
Dedo-duro
Personalidade
Boa-vida
Orgulhoso
Auto-anlise
Posso ser mau, mas e da?
Posso ser mau, mas sou melhor que...
Teologia
Descuidado de Deus
Tentar distrair a Deus
Grande lema
"A vida  curta. Divirta-se.
Deus est de olho em voc, e eu tambm
Queixa
No posso folgar o bastante.
No poso ver o bastante
Animal favorito
Gato
Co de guarda
Gasta tempo olhando
O menu de opes
A cerca do vizinho
Viso da graa
Quem, eu?
Sim, voc!
Viso do pecado
Ningum  culpado
Ele  culpado.
tica de trabalho
O que eu fao  da minha conta.
O que voc faz  da minha conta.
Expresso favorita
Viva a vida!
Endireite-se!
Limites
Se lhe parece agradvel, faa-o.
Se lhe parece agradvel, no o faa.
Condio
Enfadado
Amargo
Pronunciamento de Paulo
Voc no tem desculpas para as coisas que faz.
Voc no tem autoridade para julgar.
Verso chave
"Deus os entregou s concupiscncias do seu corao" (Rm 1.24)
Portanto s inescusvel quando julgas, sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, fazes o mesmo
      
MAPEANDO A PARBOLA
O Legalista Amontoador de Pedras
Romanos 2.17-3.20
O Cristo Conduzido Pela Graa
Romanos 3.21-25
Salvar a mim mesmo
Confiar-me a Cristo
Avaliar meus mritos
Conhecer meu pai
Sobrecarregado
Amante de Deus
Estressado
Sereno
Posso ser mau, mas se eu trabalhar duro...
Posso ser mau, mas sou perdoado.
Subornar Deus
Busca de Deus
Eu devo. Eu devo, e vou trabalhar.
No sou perfeito, mas sou perdoado.
No posso trabalhar o bastante.
No posso agradecer-lhe o bastante.
Castor
guia
A lista de exigncias
A abundncia das bnos  divinas
Eu, no!
Sim, eu.
Eu sou sempre culpado.
Eu era culpado.
O que Deus requer, eu fao.
O que Deus faz  da minha conta.
Ao trabalho!
Obrigado!
Se lhe parece agradvel, interrompa-o.
Se lhe parece agradvel, examine-o.
Exausto
Agradecido
Voc no tem soluo para o seu problema.
Voc no tem porque temer.
"quele que faz qualquer obra, no lhe  imputado o galardo segundo graa, mas segundo a dvida" Rm 4.4,5
"Mas o justo viver da f" Rm 1.17
      
O Judicialista Acusador
Romanos 2. 1-11
      A proposta do segundo filho era simples: Por que tratar de meus prprios erros, quando posso enfocar os erros alheios?
      Ele  um judicialista. Eu posso ser mau, mas desde que consiga encontrar algum pior, estou salvo. Ele alimenta sua benevolncia com as faltas de outrem. Se 
auto indica como o queridinho do professor na escola primria. Tagarela sobre o trabalho malfeito dos outros, esquecendo-se do zero em sua prpria folha. Ele  o 
co de guarda da vizinhana, mandando as pessoas porem em ordem as suas vidas, mas nunca notando o lixo em sua prpria calada.
      "Venha, Deus, deixe-me mostrar-lhe as ms aes de meu vizinho" - convida o moralista. Deus, porm, no o segue at o vale. "Portanto, s inescusvel quando 
julgas,  homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, fazes o mesmo" (Rm 2.1). Esse  um golpe baixo, 
e Deus no cair nele.
O Legalista Amontoador de Pedras
Romanos 2.17-3.20
      E ento, vamos ao irmo do rio. Ahhh, aqui est um filho que ns respeitamos. Diligente. Industrioso. Zeloso. Enrgico. Aqui est um companheiro que enxerga 
os prprios pecados, e prope-se a resolv-los sozinho. Sem dvida, ele merece nossos aplausos. Seguramente,  digno de imitao. E, mais certo ainda,  merecedor 
da misericrdia paterna. No ir o pai escancarar as portas do castelo, quando vir o quo duro este filho tem trabalhado para chegar ao lar?
      Sem ajuda do pai, o legalista est tentando resolver a pendncia e vadear o rio da falta. Certamente, o pai ficar feliz em v-lo. Isto , se o pai o vir.
      Note bem, o problema no  a afeio do pai, mas a fora do rio. O que puxou o filho para longe da casa paterna no foi um regato suave, mas uma tempestuosa 
corrente. Seria o filho suficientemente forte para construir um caminho, rio acima, para a casa do pai?
      Duvidoso. Ns, certamente, no conseguiramos. "No h um justo, nem um sequer" (Rm 3.10). Oh, contudo, ns tentamos. No amontoamos pedras num rio, mas fazemos 
boas obras na terra. Ns pensamos: Se eu fizer isto, Deus me aceitar. Se eu der aula na Escola dominical... e pegamos uma pedra. Se eu for  igreja... e colocamos 
a pedra no rio. Se eu der este dinheiro... outra pedra. Se eu aturar o livro do Max Lucado... dez grandes pedras. Se eu ler minha Bblia, tiver a opinio correta 
sobre a doutrina certa, se eu participar desse movimento... pedra sobre pedra, sobre pedra.
      O problema? Voc pode dar cinco passos, restam porm cinco milhes  frente. O rio  longo demais. O que nos separa de Deus no  um crrego raso e manso, 
mas uma caudalosa corrente, uma cachoeira, um opressivo rio de pecados. Ns ajuntamos, amontoamos e empilhamos, apenas para descobrir que mal podemos pisar, muito 
menos progredir.
      O impacto sobre os amontoadores de pedras  notadamente previsvel: desespero ou arrogncia. Eles desistem, ou tornam-se orgulhosos. Pensam que jamais o faro, 
ou acreditam-se os nicos capazes de faz-lo.  estranho como duas pessoas podem olhar para as mesmas pedras amontoadas, e uma pender a cabea, enquanto a outra 
estufa o peito.
      Tal condio pode ser chamada de atesmo religioso. Este  o lema por trs do ousado pronunciamento de Paulo: "Somos todos pecadores, cada um de ns, afundando 
no mesmo barco com todos eles" (Rm 3.19).
      mpio ou Piedoso?
      Que trio, no!
      O primeiro, num banquinho rstico.
      O segundo, na cadeira do juiz.
      O terceiro, no banco da igreja.
      Embora possam parecer diferentes, h muita semelhana entre eles. Todos esto separados do pai. E nenhum est pedindo ajuda. O primeiro  indulgente com a 
prpria paixo; o segundo monitora seu vizinho; e o terceiro confia nos prprios mritos. Auto-satisfao. Auto-justificao. Auto-salvao. A palavra operante  
auto. Auto-suficiente. "No se importam com Deus, nem tampouco com o que Ele pensa deles" (Rm 3.18 BV)
      A palavra usada por Paulo  atesmo (Rm 1.18). A palavra define a si prpria. Uma vida desprovida de Deus.  mais que desdenhar a Deus;  descuidar de sua 
existncia. O desdm ao menos admite sua presena; o atesmo, no. Enquanto o desdm leva o povo  irreverncia, o descuido o faz agir como se Deus fosse irrelevante, 
como se ele no contasse na jornada.
      Como Deus responde aos mpios? Por certo, no frivolamente. "Porque do cu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustia dos homens que detm 
a verdade em injustia" (Rm 1.18). Paulo no aliviou. Deus est justamente irado com as aes de seus filhos.
      Posso desde j prepar-lo: os primeiros captulos de Romanos no so exatamente otimistas. Paulo d-nos as ms notcias, antes das boas. Eventualmente, ele 
nos dir que somos todos candidatos  graa, mas no antes de provar que somos todos, desesperadamente, pecadores. Temos de ver a desordem em que estamos, antes 
de apreciar o Deus que temos. Antes de recebermos a graa de Deus, devemos entender a sua ira.
       j que Paulo comeou por a,  por a que comearemos.
I Parte - QUE DESORDEM!
A perda do mistrio conduz  perda da majestade. Quanto mais sabemos, menos acreditamos. Sem maravilhas no h admirao. Achamos que tudo  figurado. Estranho, 
no acha?
O conhecimento do processo no deveria desmentir o milagre.
Deveria, antes, suscitar a admirao.
Quem tem mais razo para adorar que o astrnomo que viu as estrelas?
Que o cirurgio que segurou um corao? Que o oceangrafo que sondou as profundezas?
2. A Graciosa Ira de Deus
Romanos 1.18-20
      
A ira de Deus  revelada do cu contra toda impiedade e injustia dos homens que suprimem a verdade pela justia, pois o que de Deus se pode conhecer  manifesto 
entre eles, porque Deus lhes manifestou. Romanos 1.18,19
      
      - E se voc descobrisse que o seu namorado tem dormido com a sua me? O auditrio silenciou. A adolescente sentada no palco moveu a cabea em ardente expectativa.
      A me era uma mulher de meia idade, num vestido preto justo, de brao dado com um rapaz magro, usando uma camiseta sem mangas. Ela acenou para a multido. 
Ele sorriu.
      Era o programa de entrevistas de Christy Adams.
      - Vocs dois realmente tm dormido juntos? A me, ainda segurando a mo do rapaz, olhou para ele. O jovem riu. Ela sorriu.
      - Sim.
      Ela explicou como se sentira solitria desde o divrcio. O namorado de sua filha no saa de sua casa, dia e noite, e... bem, uma tarde, ele estatelou-se no 
sof ao seu lado, e os dois comearam a conversar, e uma coisa levou  outra, e eles acabaram indo... Sua face ruborizou-se, e o rapaz encolheu os ombros, deixando 
o auditrio completar a histria. A garota estava silenciosa e sem expresso.
      - Voc no se preocupa com o que isto pode ensinar  sua filha? - Inquiriu Christy.
      - Estou apenas lhe ensinando os caminhos do mundo.
      - E quanto a voc? - perguntou Christy ao rapaz. - No est sendo infiel  sua namorada?
      O garoto o fitou sinceramente espantado.
      - Eu ainda a amo - anunciou ele. - Amando sua me, estou apenas ajudando-a. Somos uma famlia feliz. No h nada de errado nisso!
      O auditrio explodiu com palmas e ovaes. Quando o tumulto diminuiu, Christy falou aos amantes:
      - Nem todos concordariam com vocs. Tenho um convidado que vai reagir ao seu estilo de vida.
      Com isso, a multido aquietou-se, ansiosa por ver quem Christy havia recrutado para apimentar o dilogo.
      - Ele  o telogo mais famoso do mundo. Seus escritos tm sido seguidos por uns e debatidos por outros. Fazendo sua primeira apario no Christy Adams Show, 
por favor recebam o controverso telogo, o erudito escritor, apstolo Paulo!
      Polidos aplausos saudaram o homem baixo e careca, usando culos e um casaco de tweed. Ele afrouxou um pouco a gravata, enquanto assentava sua frgil carcaa 
na cadeira do palco. Christy pulou as boas-vindas.
      - Voc tem se preocupado com o que estas pessoas andam fazendo?
      Paulo pousou as mos no regao, olhou para o trio, e ento voltou-se para Christy.
      - O que importa no  como eu me sinto, mas como Deus se sente.
      Christy fez uma pausa, e os ouvintes puderam ouvir os "ooohs!" ecoando atravs do estdio.
      - Ento diga-nos, por favor, Paulo, como Deus se sente a respeito desse criativo tringulo?
      - Irado.
      - E por qu?
      - O mal enfurece a Deus, porque destri os seus filhos. O que estas pessoas esto fazendo  mal.
      As fortes palavras suscitaram algumas vaias, um aplauso aqui e acol, e uma erupo de mos levantadas. Antes que Christy pudesse falar, Paulo continuou:
      - Como resultado, Deus os tem deixado e permitido que sigam seu caminho pecaminoso. Seus pensamentos so escurido, seus atos so maus, e Deus est desgostoso.
      Um magricela sentado  frente proclamou o seu protesto:
      - O corpo  dela. Ela pode fazer o que quiser!
      - Oh, mas  a que voc se engana. Seu corpo pertence a Deus e  para ser usado por ele.
      - O que estamos fazendo  inofensivo - objetou a me.
      - Olhe para a sua filha - instou Paulo, gesticulando para a menina, cujos olhos estavam cheios de lgrimas. - No v que voc a tem prejudicado? Voc trocou 
amor saudvel por luxria. Trocou o amor de Deus pelo amor da carne. Trocou a verdade pela mentira. E trocou o natural pelo antinatural...
      Christy no pde mais conter-se:
      - Voc sabe o quanto est sendo sentimentalide? Toda essa conversa sobre Deus, sobre certo e errado, e imoralidade? Voc no se sente fora da realidade?
      - Fora da realidade? No. Fora de lugar, sim. Mas fora da realidade, dificilmente. Deus no fica impassvel enquanto seus filhos toleram a perverso. Ele permite-nos 
seguir nossos caminhos pecaminosos, e colher as conseqncias. Todo corao partido, toda gravidez indesejvel, todas as guerras e tragdias, se seguidas pelo rasto, 
levaro ao ponto de partida: nossa rebelio a Deus.
      As pessoas pularam de seus lugares; a me ps um dedo na cara de Paulo, e Christy voltou-se para a cmera, deliciado com o pandemnio.
      - Vamos fazer uma pausa - anunciou ele por cima do alarido. No saiam. Temos mais algumas perguntas para nosso amigo, o apstolo.
Deus Odeia o Mal
      Como lhe pareceu o dilogo acima? spero? (Paulo estava muito tenso.) Irreal? (A cena foi muito estranha.) Bizarro? (Ningum aceitaria tais convices.)
      No obstante a sua resposta,  importante notar que, embora o roteiro seja fictcio, as palavras de Paulo no o so.
      Deus est contra "toda impiedade e injustia dos homens" (Rm 1.18). Aquele que insta-nos a odiar o que  mal (Rm 12.9) tambm o odeia.
      Em trs duros versos, Paulo exprime:
      "Deus os entregou  impureza sexual..." (Rm 1.24 NVI).
      "Deus os entregou a paixes vergonhosas..." (Rm 1.26 NVI).
      "Deus os entregou a uma disposio mental reprovvel... (Rm 1.28 NVI).
      Deus est irado por causa do mal.
      Para muitos, isto  uma revelao. Alguns imaginam Deus como um rgido diretor de escola, to ocupado em controlar os planetas, que nem se d conta de ns.
      Ele no  assim.
      Outros o imaginam como um pai coruja, cego s maldades de seus filhos.
      Errado.
      Ainda outros insistem que ele nos ama tanto, que  incapaz de ficar bravo com nossas maldades.
      Eles no compreendem que o amor sempre aborrece o mal.
Deus Tem Todo Direito de Estar Irado
      Muitos no entendem a ira de Deus, porque confundem ira divina com raiva humana. Ambas tm pouca coisa em comum. A ira dos homens  tipicamente auto-acionada, 
e inclinada a exploses de temperamento e atos violentos. Ficamos irados por havermos sido passados para trs, negligenciados, ou enganados. Esta  a ira dos homens, 
no de Deus.
      Deus no fica zangado por no havermos feito como Ele quis. Ele se ira porque a desobedincia sempre resulta em autodestruio. Que tipo de pai se sentaria 
e assistiria seu filho ferindo-se a si prprio?
      Que espcie de Deus faria o mesmo? Voc acha que Ele d risadinhas quando v um adultrio, ou se ri em silncio de um assassinato? Pensa que Ele olha para 
o outro lado, quando produzimos programas de entrevistas baseados em prazeres perversos? Imagina que Ele balana a cabea e diz "Humanos so humanos"?
      Eu no acho. Anote isto e sublinhe em vermelho: Deus est legitima e justamente irado. Deus  santo. Nossos pecados so uma afronta  sua santidade. Seus olhos 
so "to puros, que no podem ver o mal, nem contemplar aqueles que andam errados" (Hc 1.13).
      Deus est irado com o mal que arruina seus filhos. "Contanto que Deus  Deus, Ele no pode ver com indiferena a sua criao ser destruda, e o seu santurio 
pisado."
No Temos Desculpa
      Meu pai tinha para com o lcool uma hostilidade semelhante  ira de Deus. Jack Lucado odiava a bebida em qualquer uma de suas formas, porque ele conhecia o 
seu poder destrutivo. Sua natureza branda revoltava-se ante a idia de embriaguez. Ele no deixou dvidas em minha mente de que odiava a bebida, e queria que seus 
filhos no tivessem nada a ver com ela.
      Mas os filhos nem sempre ouvem os pais. Aos quinze anos, maquinei um plano para embriagar-me, e o consegui. Tomei cerveja at no poder enxergar direito, ento 
fui para casa e vomitei at no poder parar em p. Meu pai foi ao banheiro, sentiu o cheiro da cerveja, atirou-me uma toalha, e afastou-se desgostoso. Eu cambaleei 
para a cama, sabendo que estava com um grande problema.
      Ele acordou-me cedo, na manh seguinte. (No houve como eu desfrutar da ressaca). Enquanto tomava banho, tentei achar uma explicao. "Meus amigos fizeram-me 
beber", ou "Foi um acidente", ou Algum deve ter posto usque no ponche". Mas uma opo que eu jamais consideraria seria a ignorncia. No podia nem pensar em dizer 
"O senhor nunca me disse que eu no devia beber".
      No teria sido apenas uma mentira, mas uma calnia contra meu pai. Ele nunca me havia dito? Nunca me tinha advertido? Nunca tentara ensinar-me? Eu sabia at 
demais para dizer que ignorava o assunto. No havia desculpas para mim. De acordo com Paulo, todo somos culpados. Num dos trechos mais interessantes da Bblia, ele 
diz:
"Pois o que de Deus se pode conhecer  manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criao do mundo os atributos invisveis de Deus, seu eterno 
poder e sua natureza divina, tm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens so indesculpveis" (Rm 1.19,20 
NVI, itlico meu).
      No temos desculpa, porque Deus se nos tem revelado atravs da criao.
      Escreve o salmista: "Os cus manifestam a glria de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mos. Um dia faz declarao a outro dia, e uma noite mostra 
sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes em toda a extenso da terra, e as suas palavras at ao fim do mundo" (Sl 19.1-4)
      Cada estrela  um anncio. Cada folha, uma lembrana. As geleiras so megafones, as estaes, captulos da histria; e as nuvens, estandartes. A natureza  
uma cano de muitas partes, mas de um s tema e um s verso: Deus .
      Centenas de anos atrs, Tertuliano declarou:
No foi a pena de Moiss que introduziu o conhecimento do Criador... A maior parte da humanidade, mesmo sem nunca ter ouvido o nome de Moiss - para no falar de 
seus livros - conheceu, no obstante, o Deus de Moiss. A natureza  a professora; a alma, a pupila... Uma flor da cerca viva... uma concha vinda do mar... uma pena 
de uma ave do pntano... falariam a voc de um Criador mesquinho?... Se eu lhe oferecer uma rosa, voc no desprezar seu Criador.
      
      A Criao  a primeira missionria de Deus. Existem aqueles que nunca seguraram uma Bblia, ou ouviram um trecho das Escrituras, Existem aqueles que morrem 
antes que um intrprete traduza a Palavra de Deus para a sua lngua. Milhes viveram nos tempos antigos, antes de Cristo, e outros milhes vivem em terras distantes, 
longe dos cristos. E h os simplrios, incapazes de compreender o Evangelho. O que reserva o futuro dessas pessoas que nunca ouviram de Deus?
      Novamente, a resposta de Paulo  clara. O corao humano pode conhecer a Deus atravs da natureza. Se isso for tudo o que uma pessoa pode ver, isso ser suficiente. 
 preciso responder somente ao que lhe  dado. E se lhe  dado apenas o testemunho da Criao, ento isso lhe basta.
      O problema no  que Deus no fale; ns  que no ouvimos. Deus diz que sua ira  dirigida contra qualquer coisa, ou qualquer um, que suprima o conhecimento 
da verdade. Deus ama seus filhos, e odeia aquilo que os destri. Isto no significa que Ele se encolerize, perca sua tmpera, ou seja emocionalmente imprevisvel. 
Significa, simplesmente, que Ele ama voc, e odeia aquilo em que voc se torna quando o desobedece.
      Chame isto de santa hostilidade. Um justo dio do pecado. Um divino desgosto pelo mal que destri seus filhos.
      A questo no  "Como ousa irar-se um Deus amoroso?", mas antes. "Como poderia um Deus amoroso sentir menos que isso?
3. Vida mpia
Romanos 1.21-32
E mudaram a glria do Deus incorruptvel em semelhana da imagem de homem corruptvel, e de aves, e de quadrpedes, e de rpteis... honraram e serviram mais a criatura 
do que o Criador. Romanos 1.23,25
      Pode um grilo conceber comunho? Tenho estado meditando na questo desde o ltimo domingo, quando ambos, o grilo e a indagaro surgiram no meu caminho. A Ceia 
do Senhor estava sendo servida quando, ao curvar minha cabea, avistei o visitante embaixo do banco. Minha mente frtil imaginou-o entrando sorrateiramente pela 
porta lateral, esgueirando-se por entre os ps dos diconos, e caminhando para a frente do santurio.
      A viso de um grilo despertou muitas emoes dentro em mim, nenhuma delas espiritual. Perdoem-me todos vocs, amantes de insetos, mas no fui atrado por sua 
beleza nem surpreendido por sua fora. Normalmente eu no me interessaria pelo inseto, porm a presena de um bichinho no auditrio pareceu-me simblica.
Temos algo em comum, voc, eu, e o grilo: viso limitada. Espero que o paralelo no o faa virar bicho {ai!), mas eu o acho apropriado. Nenhum de ns faz uma imagem 
correta da vida alm do espigo.
      Veja voc, tanto quanto interessa ao grilo, seu universo inteiro  um auditrio. Posso visualiz-lo levando o filho para fora da parede, numa noite, e mandando-o 
levantar os olhos ao espigo. Ele coloca a pata em volta do filho e suspira:
      - Como  poderoso o firmamento sob o qual vivemos, filho!
      Ele sabe que o que est vendo  apenas uma frao? E as aspiraes de um grilo... Seu mais alto sonho  achar um pedao de po. Ele adormece com vises de 
migalhas de torta e pingos de gelia.
      Seno, considere-o o heri do mundo dos grilos. O clebre inseto. Algum to veloz que pode cruzar uma sala cheia de ps. To corajoso, que explorou o interior 
do batistrio. To ousado, que aventurou-se a entrar num imponente gabinete, ou a saltar do peitoril de uma janela. Existe, nas crnicas do reino dos grilos, uma 
historia sobre Venervel Grilo, que marchou pelas paredes bradando: "O bicho-homem est vindo! O bicho-homem est vindo!"?
      Os assombrados grilos sempre olham um para o outro e exclamam "Oohh!"?
      Talvez a principal questo seja: o que leva um grilo a adorar? Ele reconhece que houve uma mo por trs do edifcio? Ou ele escolheu adorar o mesmo edifcio? 
Ou talvez um lugar no edifcio? Ele assume que, desde que ele no viu o construtor, no h construtor algum?
      O hedonista o faz. Desde que nunca viu a mo que fez o universo, ele assume que no h vida alm do aqui e agora. Acredita que no h verdade alm desta sala. 
Nenhum propsito alm de seu prprio prazer. Nenhum fator divino. Ele no tem interesse no eterno. Como um grilo que se recusa a reconhecer um construtor, ele recusa-se 
a confessar seu Criador.
      O hedonista opta por viver como se absolutamente no houvesse Criador. Novamente, a palavra de Paulo para isto  atesmo. Escreveu o apstolo: "Eles no se 
importaram em ter conhecimento de Deus" (Rm 1.28).
      O que acontece quando a sociedade v o mundo atravs dos olhos de um grilo? O que ocorre quando uma cultura se instala numa choupana de sap, em vez de no 
castelo do pai? Existem conseqncias para a busca de prazeres mpios? Ele est mais interessado em satisfazer suas paixes que no conhecimento do Pai. Sua vida 
 to vida de prazeres, que no sobra tempo nem espao para Deus.
      Ele est certo?  correto gastar nosso dias vivendo pelo rumo do nariz, sem nos importarmos com Deus?
      Paulo afirma "Absolutamente no!"
      De acordo com o primeiro captulo de Romanos, perdemos bem mais que vitrais quando rejeitamos a Deus. Perdemos nosso critrio, nosso propsito, e nossa adorao. 
"Em seus discursos se desvaneceram, e o seu corao insensato se obscureceu. Dizendo-se sbios, tornaram-se loucos" (Rm 1.21,22).
1. Perdemos Nosso Critrio
      Quando eu tinha nove anos, elogiei um aeromodelo de meu colega. Ele to-somente replicou:
      - Eu o roubei.
      Deve ter notado meu espanto, e perguntou-me:
      - Voc acha que isso foi errado?
      Disse-lhe que sim, e ele respondeu-me simplesmente:
      - Pode ser errado para voc, no para mim. No fiz mal a ningum quando roubei o avio. Conheo o dono. Ele  rico; pode comprar outro. Eu, no.
      O que voc me diz desse argumento? Se voc no acredita na vida alm das vigas do teto, tem pouco a dizer. Se no h um bem supremo por trs do mundo, ento 
como definimos "bem" dentro do mundo? Se a maioria das opinies determinam o bem e o mal, o que acontece quando a maioria est errada? O que voc faz quando a maioria 
do grupo diz que no h problema em roubar, atacar, ou mesmo disparar armas de fogo de um veculo em movimento?
      O mundo sem moral do hedonista pode ficar bem no papel, ou soar importante num curso de filosofia, mas e na vida? Chegue para o pai de trs crianas, cuja 
esposa o abandonou, e diga-lhe: "Divrcio pode ser errado para voc, mas para mim, est tudo certo". Ou pea a opinio de uma adolescente grvida e amedrontada, 
para quem o namorado disse: "Se voc tiver o beb, a responsabilidade ser sua". Ou ento pergunte a um aposentado, cuja penso foi roubada por um mercenrio que 
acreditava estar tudo bem, desde que no fosse apanhado.
      Por outro lado, uma viso piedosa do mundo tem algo a dizer ao meu ladro infantil. A f desafia esses crebros-de-grilo a responder por um critrio superior, 
em vez de por uma opinio pessoal: "Voc pode pensar que  certo. A sociedade pode achar que est tudo bem. Porm o Deus que fez voc disse: 'Voc no dever roubar' 
- e Ele no estava brincando".
      A propsito, siga o pensamento mpio com a sua extenso lgica, e veja o que voc ganha. O que acontece quando uma sociedade nega a importncia do certo e 
errado? Leia a resposta na parede de uma priso, em Poland: "Libertei a Alemanha da estpida e degradante falcia de conscincia e moralidade".
      Quem fez tal jactncia? Adolf Hitler. Onde esto afixadas estas palavras? Num campo de extermnio nazista. Os visitantes lem a declarao, e ento vem os 
resultados: uma sala abarrotada com milhares de libras de cabelos de mulheres, salas cheias de retratos de crianas castradas, e fornos de gs que serviram para 
a soluo final de Hitler. Paulo descreve-o melhor: "Seu corao insensato se obscureceu" (Rm 1.21).
      Ora, Max, voc est indo longe demais. No est esticando o que comeou com o roubo de um aeromodelo, para terminar num holocausto?
      Na maioria das vezes no chega a tanto. Mas poderia. E o que h para interromp-lo? Que dique pode segurar o fluxo do Negador-de-Deus? Que ncora usaria o 
secularista para impedir que a sociedade fosse sugada pelo mar? Se uma sociedade deleta Deus da equao humana, que sacos de areia empilharia contra a crescente 
mar de barbarismo e hedonismo?
      Como se expressou Dostoevsky, "Se Deus est morto, ento tudo  justificvel."
2. Perdemos nosso Propsito
      A seguinte conversa ocorreu entre um canrio na gaiola e uma cotovia no peitoril da janela. A cotovia deu uma olhada para o canrio e perguntou-lhe:
      - Qual  o seu propsito?
      - Meu propsito  comer sementes.
      - Para qu?
      - Para ficar forte.
      - Para qu?
      - Para poder cantar - respondeu o canrio.
      - Para qu? - continuou a cotovia.
      - Porque quando eu canto, ganho mais sementes.
      - Ento voc come a fim de ficar forte para poder cantar, e ento ganhar mais sementes para comer?
      - Sim.
      - H mais que isso para voc - ofereceu a cotovia. - Se voc me seguir, eu lhe mostrarei. Mas voc deve deixar sua gaiola.
       difcil encontrar sentido em um mundo engaiolado. Mas isto no nos impede de tentarmos.  s cavar fundo o bastante em cada corao, e voc o achar: uma 
nsia de significado, uma busca de propsito. To certo quanto um menino respira, um dia ele querer saber: "Qual o propsito de minha vida?"
      Alguns buscam significado numa carreira. "Meu propsito  ser um dentista". Excelente vocao, mas dificilmente uma justificativa para a existncia. Eles optam 
por ser um "fazedor" humano em lugar de um "ser" humano. "Fazer" em vez de "ser". Eles so aquilo que fazem; consequentemente, fazem muito. Trabalham muitas horas, 
porque se no trabalharem no tero identidade.
      Outros so o que tm. Estes encontram significado num carro novo, numa casa nova, ou em roupas novas. Tais pessoas so desmedidas para a economia, e desbastam 
o oramento porque esto sempre buscando sentido em algo que possuam.
      Ainda h aqueles que procuram significado nos descendentes. Eles vivem de modo vicrio atravs dos filhos. Ai desses filhos. J  bastante duro ser jovem, 
sem ter de ser ainda a razo de viver de algum. Alguns tentam esportes, diverses, cultos, sexo. Tudo miragens no deserto. "Dizendo-se sbios, tornaram-se loucos" 
(Rm 1.22).
      No deveramos encarar a verdade? Se no reconhecemos a Deus, somos destroos de naufrgio no universo. Na melhor das hipteses, somos animais desenvolvidos. 
E na pior, poeira reagrupada. No final da anlise, a resposta dos secularistas  indagao "Qual o significado da vida?"  uma s: "No sabemos".
      Ou, como concluiu o paleontlogo Stephen J. Gould:
Ns existimos porque um singular grupo de peixes, com uma anatomia peculiar, pde transformar barbatanas em pernas para criaturas terrestres; porque a terra nunca 
congelou inteiramente durante a era do gelo; porque uma pequena e tnue espcie, surgida na frica a um quarto de milho de anos, tinha treinado, at ento, para 
sobreviver a qualquer custo. Podemos anelar uma resposta elevada - mas no h nenhuma.
      
      O propsito do homem  ser sacrificado sobre o altar do atesmo. Contraste isso com a viso de Deus para a vida: "Porque somos criao de Deus realizada em 
Cristo Jesus para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemo para que ns as praticssemos" (Ef 2.10 NVI).
      Com Deus em seu mundo, voc no  um acidente ou incidente; voc  uma ddiva para o mundo, uma sublime obra de arte assinada por Deus.
      Um dos melhores presentes que j recebi  uma bola de futebol assinada por trinta zagueiros profissionais. No h nada de mais nessa bola. At sei que ela 
foi comprada com desconto numa casa de artigos esportivos. O que a torna singular so as assinaturas.
      O mesmo se d conosco. No esquema natural Homo Sapiens no h singularidade. No somos as nicas criaturas com carne, cabelo, sangue e corao. O que nos faz 
especiais no  nosso corpo, mas a assinatura de Deus em nossas vidas. Somos sua obra prima. Somos criados  sua imagem para as boas obras. Somos significantes, 
no por causa do que fazemos, mas por quem somos.
3. Perdemos Nossa Adorao
      J ouviu a histria do homem procurando as chaves sob a luz do poste? Seu amigo o v e pra a fim de ajud-lo. Aps alguns minutos, o amigo pergunta:
      - Mas exatamente onde voc deixou cair as chaves?
      - Em minha casa - responde o homem.
      - Em sua casa? Ento por que est procurando aqui fora?
      - Porque a luz  melhor aqui.
      Voc nunca achar o que precisa, se no procurar no lugar certo. Se voc est procurando suas chaves, v para onde as perdeu. Se est a procura de verdade 
e propsito, v para o lado de fora do espigo. E se est em busca do sagrado, mais uma vez, voc no conseguir ach-lo, se pensar como um grilo.
      E trocaram a glria de Deus, que sustenta o mundo inteiro em suas mos, por estatuetas baratas, que podem ser compradas em qualquer beira de estrada (Rm 1.21).
      Voltemos aos grilos por um instante. Suponha que esses grilos sejam totalmente avanados e, freqentemente, se empenhem na filosfica questo "Existe vida 
alm do espigo?"
      Alguns grilos acreditam que sim. Deve haver um criador desse lugar. Se no, como surgiu a luz? Como pode o vento soprar atravs dos orifcios? Como pode a 
msica encher o aposento? Admirados com o que podem ver, eles adoram o que no vem.
      Porm outros grilos discordam. A partir de estudos, eles acham que a luz vem por causa da eletricidade. O vento assopra por causa do condicionador de ar, e 
a msica  o resultado da caixa acstica. "No havida alm desta sala", declaram eles. "Calculamos como tudo funciona".
      Vamos deixar os grilos ganhar essa? Claro que no! "No  porque vocs no entendem o sistema", devemos dizer-lhes, "que vo negar a presena de algum do 
lado de fora dele. Alm disso, quem o construiu? Quem instalou o interruptor? Quem projetou o compressor ou construiu o gerador?
      Mas no estamos cometendo o mesmo engano? Compreendemos como so formadas as tempestades. Mapeamos o sistema solar, e transplantamos coraes. Medimos a profundidade 
do oceano, e enviamos sinais a planetas distantes. Ns, os grilos, temos estudado o sistema e aprendido como este funciona.
      E assim, a perda do mistrio tem levado a perda da majestade. Quanto mais conhecemos, menos acreditamos. Estranho, no acha? O conhecimento do processo no 
deveria desmentir o milagre. O conhecimento deveria suscitar a admirao. Quem tem mais razo para adorar que o astrnomo que v as estrelas? Que o cirurgio que 
segura coraes nas mos? Que o oceangrafo que sonda as profundezas? Quanto mais conhecemos, mais deveramos nos maravilhar.
      Ironicamente, quanto mais conhecemos, menos adoramos. Estamos mais impressionados com a nossa descoberta do interruptor, que com o inventor da eletricidade. 
 a lgica dos crebros-de-grilo. Em lugar de adoramos ao Criador, adoramos a criao (Rm 1.25).
      Sem maravilhas no h admirao. Achamos que tudo  calculado. Uma das atraes mais populares da Disney World  a Jungle Cruise. As pessoas no se importam 
de passar quarenta e cinco minutos esperando no calor da Flrida, para ter a oportunidade de entrar no barco e atravessar a floresta infestada de cobras. Elas o 
fazem pela emoo. Voc nunca sabe quando um nativo pular de uma rvore, ou um crocodilo sair da gua. As cachoeiras encharcam voc, o arco-ris o inspira, e o 
filhote de elefante brinca na gua para seu divertimento.
       uma viagem total - nas primeiras vezes. Mas depois de quatro ou cinco corridas rio abaixo, comea a perder a graa. Eu deveria saber. Durante os trs anos 
em que morei em Miami, Flrida, fiz umas vinte viagens a Orlando. Eu era solteiro e dono de um furgo, e levava qualquer um que desejasse passar um dia no Reino 
Encantado. L pela oitava ou nona viagem, eu podia dizer os nomes de todos os guias e as piadas que eles contavam.
      Um par de vezes cheguei a cochilar durante a viagem. A trilha perdera seus mistrios.  de admirar que as pessoas durmam numa manh de domingo (seja na cama 
ou na igreja)? Agora voc sabe. Elas j viram tudo. Por que ficar excitadas? Eles conhecem tudo. Nada mais h de sagrado. O santurio tornou-se enfadonho. Em vez 
de agitados, como meninos no parque, passamos a vida dormitando, como passageiros que repetem o mesmo percurso de trem todos os dias.
      Entende como as pessoas se tornam cheias de pecados sexuais, usando seus corpos iniquamente umas com as outras? (Rm 1.24).
      De acordo com o primeiro captulo de Romanos, atesmo  uma pssima barganha. Nessa de viver o hoje, o hedonista construtor de cabanas destri sua esperana 
de viver num castelo amanh.
      O que era verdade nos dias de Paulo, ainda o  nos dias de hoje, e faramos bem se atentssemos para a sua advertncia. Do contrrio, o que nos livra de destruirmos 
a ns mesmos? Se no h critrios nesta vida, nenhum propsito para esta vida, e nada sagrado acerca desta vida, o que nos impede de fazermos tudo o que quisermos? 
- Nada - responde um grilo ao outro.
      Como Deus se sente acerca de tal filosofia de vida? Deixe-me dar-lhe uma dica. Como voc se sentiria se visse seus filhos contentando-se com migalhas, quando 
voc lhes tem preparado um banquete?
4. Julgamento mpio
Romanos 2.1-11
Portanto, s inescusvel quando julgas,  homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro-, pois tu, que julgas, fazes o 
mesmo. Romanos 2.1
      
      Sabe o que mais me perturba acerca de Jeffrey Dahmer?
      O que mais me perturba no so os seus atos, embora odiosos. Dahmer foi culpado de dezessete assassinatos. Onze cadveres foram encontrados em seu apartamento. 
Ele cortou braos e comeu partes dos corpos. Meu dicionrio contm 204 sinnimos para vil, mas nenhum deles  suficiente para descrever um homem que armazenou caveiras 
em seu refrigerador, e conservou o corao de uma de suas vtimas. Ele redefiniu os limites da brutalidade. O monstro de Milwaukee dependurou-se no mais baixo degrau 
da conduta humana, e ento deixou-se cair. Mas no  isto o que mais me aborrece.
Posso dizer-lhe o que mais me incomoda a respeito de Jeffrey Dahmer? No foi o seu julgamento, por mais perturbador que tenha sido, com todas aquelas imagens dele 
sentado serenamente na corte, face glida, inerte. Nenhum sinal de remorso, nenhuma sombra de pesar. Lembra-se de seus olhos de ao e seu semblante impassvel? Mas 
no falo dele por causa de seu julgamento. H uma outra razo. Permite-me dizer-lhe o que realmente me transtorna acerca de Jeffrey Dahmer? Posso contar-lhe?
      Sua converso.
      Meses antes que um companheiro de cela o assassinasse, Jeffrey Dahmer tornou-se um cristo. Falou de seu arrependimento. Estava triste pelo que fizera. Profundamente 
triste. Confessou sua f em Cristo. Foi batizado. Iniciou uma nova vida. Comeou a ler livros evanglicos e a assistir aos cultos na priso.
      Pecados lavados. Alma limpa. Passado perdoado.
      Isso me transtorna. No deveria, mas  assim que me sinto. Graa para um canibal?  possvel que voc tenha as mesmas reservas. Se no quanto a Dahmer, talvez 
sobre outro algum. Quem sabe, relutante quanto a converso de um estuprador, que se arrepende no leito de morte, ou de um molestador de crianas, que se converte 
na ltima hora. Ns os sentenciamos, no numa corte, mas em nossos coraes. Temo-los posto atrs das grades e trancado a porta. Eles esto para sempre encarcerados, 
em nossa repugnncia. E ento, o impossvel acontece: eles se arrependem.
      Nossa reao? (Atrevamo-nos a confess-la?) Cruzamos os braos, enrugamos a testa e dizemos: "Deus no o deixar escapar assim to fcil. No depois do que 
voc fez. Deus  bom, mas no  tolo. A graa  para pecadores normais, como eu, no para pervertidos iguais a voc".
      E para provar, buscamos Romanos. "Porque do cu se manifesta a ira de Deus sobre..." E Paulo alista pecado sexual, maldade, egosmo, dio, cime, assassinato 
(Rm 1. 18-30). Ns queremos gritar "Isso mesmo, Paulo! J era hora de algum falar contra o pecado! J era tempo de se arrancar a mscara do adultrio e pr  mostra 
a desonestidade! Pegue esses pervertidos. Agarre esses traficantes. Apoiado, Paulo! Ns, os decentes, os obedientes  lei, estamos com voc!
      Reao de Paulo?
      "Vocs so to ruins quanto eles. Quando afirmam que eles so maus e deveriam ser castigados, vocs esto falando de si mesmos, pois fazem essas mesmas coisas" 
(Rm 2.1 BV).
      Ooopa!
      Chamando a ateno sobre o gato construtor de cabanas, o co de guarda da ladeira vira o holofote para si mesmo.
No Seguramos o Martelo
      No primeiro captulo de Romanos, Paulo confronta o hedonista. No captulo dois, ele trata com outro grupo: os moralistas judiciais, que condenam a si mesmos 
naquilo em que julgam (Rm 2.1). Esto sempre apontando um dedo para algum.
      "Portanto, voc que julga os outros  indesculpvel; pois est condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que voc que julga, pratica as mesmas coisas" 
(Rm 2.1 NVI).
      Quem  essa pessoa? Poderia ser qualquer um (" homem, quem quer que sejas) que filtre a graa de Deus atravs de sua opinio pessoal. Qualquer um que dilua 
a misericrdia de Deus em seu prprio preconceito.  o irmo do filho prdigo que no quis comparecer  festa (Lc 15. 11-32).  o trabalhador de dez horas frustrado 
porque o que trabalhou apenas uma hora ganhou o mesmo salrio (Mt 20. 1-16).  o censor obcecado pelos pecados de seu irmo, e esquecido dos seus prprios.
      Se voc "acha que pode julgar os outros" (Rm 2.1), Paulo tem um duro lembrete a voc. No lhe cabe a funo de segurar o martelo. "E bem sabemos que o juzo 
de Deus  segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem" (v.2).
      A palavra chave aqui  juzo. Uma coisa  ter uma opinio; outra, bem diferente,  passar um veredicto. Uma coisa  ter uma convico; outra  condenar a pessoa. 
Um coisa  estar repugnado pelos atos de Jeffrey Dahmer (e eu estou). Outra totalmente diferente  declarar que sou superior (no sou), ou que ele est fora do alcance 
da graa de Deus (ningum est).
      Como escreveu John Stott: "Este (versculo) no  uma intimao a suspender nosso senso crtico, ou renunciar toda censura e reprovao a outros, como algo 
ilegtimo. , antes, a proibio de nos levantarmos em julgamento  outra pessoa e conden-la (como seres humanos, no temos o direito de faz-lo), especialmente 
quando falhamos em julgar a ns mesmos."
      Cabe a ns odiar o pecado. Mas tratar com o pecador  tarefa de Deus. Ele convocou-nos a desprezar o mal; porm jamais ordenou que desprezssemos o malfeitor.
      Contudo, oh, como gostaramos de faz-lo! Existe algo mais deleitvel que julgar os outros? O que daria mais satisfao que vestir a toga, sentar-se atrs 
da mesa, fazer soar o martelo e declarar: "Culpado!"?
      Alm de que, julgar os outros  um modo fcil e rpido de sentir-nos bem com ns mesmos. Uma loja de convenincia Levanta Ego. Olhando para todos os Mussolinis 
e Hitlers e Dahmers do mundo, nos gabamos: "Veja, Senhor, comparado a eles, no sou to mau".
      Esse  o problema. Deus no nos compara a eles. Eles no so paradigmas. Deus . E comparado a ele, Paulo argumenta: "No h quem faa o bem" (Rm 3.12). Na 
verdade, essa  uma das duas razes porque Deus  o nico que pode julgar.
Razo 1: No Somos Bons o Bastante
      Suponha que Deus simplifique o assunto e reduza a Bblia a um mandamento: "Deves saltar bem alto no ar para que toques a lua". No  preciso amar o prximo, 
nem orar, nem seguir a Jesus; apenas toque a lua pela eficcia de um salto, e voc ser salvo.
      Nunca o faramos. Pode ser que uns poucos consigam pular trs ou quatro ps, e outros menos cheguem a cinco ou seis; porm com a distncia que nos separa da 
lua, ningum chegaria nem perto. Ainda que voc pudesse pular seis polegadas mais alto que eu, isto mal constituiria motivo de orgulho.
      Ora, Deus no nos chamou para tocar a lua, mas bem que poderia t-lo feito. Ele ordenou: "Sede perfeitos, como  perfeito o vosso Pai, que est nos cus" (Mt 
5.48). Nenhum de ns pode satisfazer o critrio de Deus. Como resultado, ningum de ns merece vestir a toga, sentar-se na cadeira do juiz e julgar os outros. Por 
qu? No somos bons o bastante. Dahmer pode pular seis polegadas, e voc, seis ps, mas comparado s 230.000 milhas restantes, quem pode orgulhar-se?
      A simples idia chega a ser cmica. Ns, os que saltamos trs ps, olhamos o companheiro que pulou uma polegada, e dizemos: "Que pulo ruim". Por que nos ocupamos 
com tais acusaes?  uma manobra. Enquanto estou pensando em sua fraqueza, no tenho de pensar na minha. Enquanto estou olhando seu pulo fraco, no tenho de ser 
honesto com o meu prprio salto.Estou como o homem que foi ao psiquiatra, com uma tartaruga na cabea e uma tira de bacon pendurada em cada orelha, e disse: "Estou 
aqui para consult-lo a respeito de meu irmo".
       a estratgia universal da impunidade. Todas as crianas a usam. Se eu puder deixar papai mais bravo com meu irmo do que comigo, sairei livre. Ento, acuso. 
Comparo. Em vez de admitir minhas prprias faltas, encontro falhas nos outros. O jeito mais fcil de justificar os erros em minha casa  achar erros piores na casa 
de meu vizinho.

Tal artifcio no funciona com Deus. Leia atentamente as palavras de Paulo. Deus no se deixa levar to facilmente. Ele enxerga claro atravs da fumaa, e o pega 
pelo que voc fez. Voc no acha que, pelo simples fato de apontar o dedo para outra pessoa, ir desviar a severidade divina de sobre voc, acha? Ou pensa que, s 
porque Ele  um Deus to bondoso, vai deixar voc de fora? Melhor pensar nisto desde o princpio. Deus  bom, porm no  bobo. Em sua bondade, Ele toma-nos firmemente 
pela mo, e leva-nos a uma mudana radical de vida (Rm 2.2-4).
No somos bons o bastante para julgar. Pode o faminto acusar o mendigo? Pode o doente zombar da enfermidade? Pode o cego julgar o surdo? Pode o pecador acusar o 
pecador? No. Apenas Um pode julgar, e este Um no est escrevendo nem lendo este livro.
Razo 2: No Sabemos o Bastante
      No somos apenas indignos; somos incompetentes. No sabemos o bastante sobre a pessoa para julg-la. Condenamos um homem por cambalear nesta manh, mas no 
vimos a pancada que ele levou ontem. Julgamos uma mulher.por andar mancando, mas no podemos ver o prego em seu sapato. Zombamos do medo em seus olhos, mas no fazemos 
idia de quantas pedras j tiveram de se desviar, ou de quantas flechas se esquivar.
No ignoramos apenas o ontem, mas tambm o amanh. Ousaramos julgar um livro antes que seus captulos fossem escritos? Podemos dar nossa opinio sobre um quadro, 
enquanto o artista ainda segura os pincis? Como pode voc repudiar uma alma, antes que o trabalho de Deus seja completado? "Estou convencido de que aquele que comeou 
boa obra em vocs h de complet-la at o dia de Cristo Jesus" (Fp 1.6 NVI).
      Cuidado! O Pedro que negou a Jesus na fogueira, esta noite, poder proclam-lo com fogo, amanh, no Pentecostes. O Sanso que hoje est cego e fraco pode usar 
suas ltimas foras para demolir os pilares do atesmo. O pastor gago desta gerao pode ser o poderoso Moiss da gerao vindoura. No chame No de louco; talvez 
voc tenha de pedir-lhe uma carona. "Portanto, nada julgueis antes do tempo, at que o Senhor venha" (1 Co 4.5).
      Um criminoso foi condenado  morte por seu pas. Em seu ltimo momento, clamou por misericrdia. Houvesse ele pedido clemncia ao povo, e ela lhe teria sido 
negada. Houvesse pedido ao governo, e no lha teriam concedido. Houvesse pedido s suas vtimas, e elas ter-se-iam tornado surdas. Mas no assim com a graa. Ele 
virou-se para o vulto ensangentado, pendurado na cruz prxima a dele, e apelou: "Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino". E Jesus respondeu-lhe dizendo: 
"Em verdade te digo que hoje estars comigo no paraso" (Lc 23.42,43).
      Tanto quanto sabemos, Jeffrey Dahmer fez a mesma coisa. E tanto quanto sabemos, Jeffrey Dahmer obteve a mesma resposta. A splica de Dahmer no foi diferente 
da sua nem da minha. Ele pode t-la feito na beliche de uma priso, e voc, num banco de igreja, porm do ponto de vista do cu, estamos todos tentando tocar a lua.
      E pela graa do cu, todos fomos atendidos.
5. Religio mpia
Romanos 2.17-3.18
      
Eis que tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; ...que tens a forma da cincia e da verdade na lei; tu, pois, que ensinas a outro, 
no te ensinas a ti mesmo? Romanos 2.17,20,21
      
      Vamos supor que eu o convide para navegar comigo.
      - Eu no sabia que voc era marinheiro - observa voc.
      - Pode apostar que sou - respondo eu.
      - Diga-me, onde voc aprendeu a navegar? Fao brilhar um sorriso arrogante, e puxo do bolso um retrato amarelado. Voc olha para o marinheiro de p sobre a 
proa de uma escuna.
      - Esse  meu bisav. Ele atravessou o Cabo de Horn. A navegao est em meu sangue.
      - Seu bisav o ensinou a navegar?
      - Claro que no. Ele morreu antes de eu nascer.
      - Ento, quem o ensinou a navegar? Exibo um livro com capa de couro e orgulho-me:
      - Li o manual.
      - Voc leu um livro sobre navegao?
      - Mais que isso. Fiz um curso no grmio do colgio. Posso dizer-lhe a diferena entre proa e popa, e entre bombordo e estibordo. Voc precisa ver-me levantar 
um mastro.
      - Voc quer dizer "iar uma vela"?
      - Tanto faz. Numa viagem, conheci um capito de verdade. Apertei a mo dele! Ora, vamos, no quer navegar?
      - Honestamente, Max, no acho que voc seja um marinheiro.
      - Quer uma prova? Quer uma prova real? D uma olhada, companheiro. Tenho uma tatuagem ge-nu--na. - Levanto a manga e revelo uma sereia sentada numa ncora. 
- Veja como ela pula quando eu contraio o brao.
      Voc no est impressionado.
      - Essa  toda a prova que voc tem?
      - Que mais preciso fazer? Tenho linhagem. Tenho livro. Tenho tatuagem. Todos a bordo!
      Provavelmente voc ficar em terra. At um marinheiro de gua doce sabe que  preciso mais que uma rvore genealgica, um curso de uma noite e uma tatuagem, 
para ser um navegador. Voc no confiaria num companheiro como eu para navegar seu barco. Paulo tampouco confiaria num confrade igual a mim para dirigir a igreja.
      Aparentemente, alguns foram difceis. Oh, eles no eram do tipo navegantes; eram do tipo religioso. Seus ancestrais no foram companheiros de bordo; foram 
companheiros de sinagoga. No tinham um livro sobre barcos, mas tinham um livro chamado Tor. E acima de tudo, tinham sido tatuados; tinham sido circuncidados. E 
eles eram orgulhosos, orgulhosos de sua linhagem, sua lei, e sua iniciao.
      Tenho o pressentimento de que eles estavam orgulhosos tambm da carta de Paulo. Imagine a congregao ouvindo esta epstola. Judeus de um lado, gentios do 
outro. No est vendo o sorriso radiante dos judeus? Paulo fala declaradamente contra os costumes mpios, e eles balanam a cabea aquiescendo. Paulo adverte quanto 
 ira divina dirigida ao hedonista construtor de cabanas, e eles sorriem. Quando Paulo, seu companheiro judeu, ralha com os miserveis incircuncisos, eles explodem 
em coro: "Amm! Isso, Paulo, exorte-os!"
      Mas ento Paulo os surpreende.
      Ele aponta o dedo para seus peitos estufados e verbera:
E quanto a voc? Voc chama a si mesmo de judeu. Voc confia na lei de Moiss e se envaidece de estar perto de Deus. Voc sabe o que Ele quer que voc faa, e sabe 
o que  importante, porque tem aprendido a lei. Voc pensa que  um guia para os cegos e uma luz para os que esto nas trevas. Voc acha que pode mostrar aos tolos 
o que  certo, e ensinar esses que nada sabem. Voc tem a lei, por isso pensa que sabe todas as coisas e  dono da verdade. (Rm 2.17-20).
No se vanglorie de sua linhagem
      Isso que voc est ouvindo no so fogos de artifcio; so granadas. Sete granadas, para ser exato. Sete quentes e ferventes verbos lanados bem no centro 
do legalismo. Oua como explodem.
"Voc chama a si mesmo de judeu."
"Voc confia na lei de Moiss e se envaidece de estar perto de Deus."
"Voc sabe o que Ele quer que voc faa, e sabe o que  importante,
porque tem aprendido a lei."
"Voc pensa que  um guia para os cegos e uma luz para esses que
andam em trevas."
"Voc acha que pode mostrar aos tolos o que  certo, e ensinar
esses que nada sabem."
"...voc pensa que sabe todas as coisas." (Rm 2. 17-20).
      Bum. Bum. Bum. Justamente quando os lderes pensavam que ganhariam elogios, foram detonados. Paulo disparou: "Vocs, judeus, confiam na lei em vez de confiar 
no legislador, e ufanam-se de ter o monoplio de Deus. Vocs esto convencidos de que so uma parte dos eleitos privilegiados que 'sabem' (sem sombra de dvidas) 
o que Deus quer que se faa. E se isso no fosse ruim o bastante, vocs 'pensam' que so uma ddiva de Deus para os loucos e confusos. De fato, vocs 'pensam' que 
sabem tudo".
Algo me diz que Paulo dirigiu seu tiro ao prmio "Pastor do Ano". O apstolo, no obstante, est mais interessado em marcar um ponto que contar pontos, e seu ponto 
para os religiosos amontoadores de pedras  claro: "No se vanglorie de sua rvore genealgica". Ter nascido com um mezuz de prata na boca nada significa no cu. 
A f  profundamente pessoal. No reino de Deus no h estirpe real, ou linhagem santa.
      Me vem  mente a histria do filho do lenhador. Por alguma razo, o menino convenceu-se de que havia fantasmas na floresta. Isso preocupou seu pai que, havendo 
feito das rvores um meio de vida, esperava que o filho fizesse o mesmo. A fim de encorajar o filho, o pai deu-lhe seu leno dizendo-lhe:
      - Os fantasmas tm medo de mim, meu filho. Use este leno, e eles tero medo de voc. O leno far de voc um lenhador.
      E assim o rapaz fez. Usou o leno orgulhosamente, dizendo a todos que era um lenhador. Todavia, nunca entrou na floresta, nem nunca cortou uma rvore, mas 
desde que ganhara o leno do pai, considerava-se a si mesmo um lenhador.
      O pai teria sido sbio se houvesse ensinado ao filho que no havia fantasmas, em vez de ensin-lo a confiar num leno.
      Os judeus confiavam nos lenos de seus pais. Dependiam da aba de sua herana. No importava que fossem ladres, adlteros e escroques (Rm 2.22,23); ainda consideravam 
a si mesmas como os eleitos de Deus. Por qu? Porque tinham o leno.
      Talvez lhe tenham dado um leno. Talvez os ramos de sua rvore genealgica estejam carregados de santos e profetas. Talvez voc tenha nascido numa casa pastoral 
e criado dentes num banco de igreja. Se assim for, seja agradecido, mas no acomodado. Melhor confiar na verdade que em um leno.
      Ou quem sabe voc no tenha pedigree. Seus ancestrais esto mais nos registros da priso, que no rol de professores da Escola Dominical. Neste caso, no se 
preocupe. Assim como uma herana religiosa no traz bnus, uma secular no traz dficits. rvore genealgica no pode salv-lo, ou conden-lo; a deciso final  
sua.
No Confie Num Smbolo
      Havendo tratado da questo da linhagem, Paulo agora enfoca o problema da tatuagem. Ele volta sua ateno ao mais sagrado emblema judaico: a circunciso. A 
circunciso simbolizava a proximidade que Deus desejava com o seu povo. Deus ps uma faca para nossa auto-suficincia. Ele quer ser parte de nossa identidade, de 
nossa intimidade, e at de nossa potencialidade. A circunciso atesta que no h nenhuma rea em nossa vida demasiadamente privada, ou pessoal demais, para Deus.
      Ora, em lugar de ver a circunciso como um sinal de submisso, os judeus viam-na como sinal de autoridade. Com o tempo, passaram a confiar mais no smbolo 
que no Pai. O apstolo Paulo destri esta iluso ao proclamar: "No  judeu quem o  apenas exteriormente, nem  circunciso a que  meramente exterior e fsica. 
No! Judeu  quem o  interiormente, e circunciso  a operada no corao, pelo Esprito, e no pela lei escrita. Para estes o louvor no provm dos homens, mas 
de Deus" (Rm 2.28,29 NVI).
      Mais tarde, Pauto indaga: Deus aceitou Abrao antes ou depois de ele haver sido circuncidado? (Rm 4.10). Pergunta importante. Se Deus somente aceitou Abrao 
aps a circunciso, ento Abrao foi aceito de acordo com os seus mritos, e no por causa de sua f.
      Qual  a resposta de Paulo? Abrao foi aceito antes de sua circunciso (v.10). Ele foi aceito por Deus em Gnesis 15, e circuncidado em Gnesis 17. Quatorze 
anos separam os dois eventos!
      Se Abrao j tinha sido aceito por Deus, ento por que a circunciso? Paulo responde a questo com o seguinte verso: "Ele recebeu a circunciso como sinal, 
selo da justia que ele tinha pela f, quando ainda no fora circuncidado" (Rm 4.11 NVI).
      O ponto de Paulo  crucial: A circunciso era simblica. Seu propsito era mostrar o que Deus j tinha feito.
      Vejo um grande exemplo disso enquanto digito estas palavras. Em minha mo esquerda h um smbolo - uma aliana de ouro. Embora no elaborada, ela  inestimvel. 
Foi-me dada por minha esposa no dia de nosso casamento. A aliana  um smbolo do nosso amor, um manifesto do nosso amor, uma declarao do nosso amor, mas no  
a fonte de nosso amor.
      Quando nos desentendemos ou temos alguma dificuldade, no pego a aliana e a coloco num pedestal e oro para ela. No a esfrego nem lhe peo sabedoria. Se eu 
perdesse essa aliana, ficaria desapontado, mas nosso casamento continuaria. Ela  um smbolo. Nada mais.
      Suponha que eu tente fazer da aliana mais do que ela . Suponha que eu me torne um traste de marido, cruel e desleal. Imagine que eu falhe em prover s necessidades 
de Denalyn ou em cuidar de nossos filhos. Que um dia ela chegue ao ponto de dizer-me: "Voc no  um marido para mim. No h amor em seu corao, nem devoo em 
sua vida. Quero que voc se v."
      Como voc acha que ela reagiria, se eu rebatesse: "Como voc ousa dizer isto? Estou usando a aliana que voc me deu. Eu nunca a tirei um minuto sequer!  
certo que a espanquei e enganei, mas sempre usei a aliana. Isto no basta?"
      Quantos de vocs acham que tal defesa a levaria a desculpar-se e a lamentar-se: "Oh, Max, como sou esquecida. Voc tem sido to sacrificial, usando esta aliana 
todos estes anos.  certo que voc me tem espancado, me abandonado e me negligenciado, mas deixo tudo isso de lado porque voc tem usado a aliana"?
      Conversa fiada. Ela nunca diria isso. Por qu? Porque  parte do amor, a aliana nada significa. O smbolo representa o amor, porm no o substitui. Paulo 
acusa os judeus de confiar no smbolo da circunciso, enquanto negligenciam a sua essncia. Poderia ele acusar-nos do mesmo erro?
      Substitua por um smbolo contemporneo, tal como batismo, santa ceia ou membro de igreja.
      "Deus, eu sei que nunca penso no Senhor. Sei que odeio as pessoas e engano meus amigos. Abuso de meu corpo e minto  minha esposa. Mas o Senhor no se importa, 
no ? Pois acima de tudo, eu fui batizado nesta igreja crist quando tinha doze anos."
      Ou: "Em todas as pscoas, participo da comunho".
      Ou: "Meu pai e minha me so a quinta gerao de presbiterianos, o Senhor sabe."
      Voc acha que Deus diria: "Voc est certo. Voc nunca pensa em mim ou me respeita. Voc odeia seu vizinho e maltrata suas crianas, mas uma vez que voc foi 
batizado, passarei por alto a sua rebelio e seu mau caminho"?
      Papo furado. Desassociado de quem o partilha, um smbolo no tem poder.
      Em meu armrio h uma jaqueta da equipe desportiva da universidade. Eu a ganhei por jogar dois anos no time de futebol. Ela, tambm,  um smbolo. Simboliza 
as longas horas de suor e trabalho no campo de treinamento. A jaqueta e uma cicatriz no joelho so recordaes de algo que pude fazer vinte anos atrs. Voc acha 
que se eu vestir a jaqueta agora, instantaneamente ficarei dez quilos mais leve e totalmente veloz? Voc acha que se eu entrasse no gabinete de um treinador usando 
essa jaqueta, ele me estenderia sua mo e diria: "Estvamos esperando por um jogador como voc. Vai l e bote pra quebrar!"?
      Conversa mole. A jaqueta  meramente a lembrana de algo que outrora eu fiz. Ela no diz nada do que posso fazer hoje. Sozinha, ela no me transforma, no 
me capacita, nem me habilita.
      Nem sua herana tampouco o faz, ainda que voc seja descendente de John Wesley.
      Nem sua participao na ceia o faz, ainda que voc se empanturre de po.
      Nem seu batismo o faz, ainda que voc seja submerso no Rio Jordo.
      Por favor, entenda. Smbolos so importantes. Alguns deles, como batismo e santa ceia, ilustram a cruz de Cristo. Eles simbolizam salvao; demonstram salvao; 
proclamam salvao. Porm no concedem salvao.
      Depositar sua confiana num smbolo  como pretender ser um navegante s porque tem uma tatuagem, ou pretender ser um bom marido s porque tem uma aliana, 
ou pretender ser um jogador de futebol s porque tem uma jaqueta esportiva.
      Pensamos, honestamente, que Deus salvaria seus filhos baseado num smbolo?
      Que espcie de Deus olharia para um religioso hipcrita e diria: "Voc nunca me amou, nunca me buscou ou obedeceu-me, mas porque seu nome est no rol de membros 
de uma determinada denominao, eu o salvarei"?
      Ou por outro lado, que espcie de Deus olharia para algum que o busca verdadeiramente e diria: "Voc dedicou sua vida a amar-me a amar aos meus filhos. Voc 
entregou-me seu corao e confessou-me seus pecados. Eu gostaria de salvar voc que  to falho. Sinto muito, mas sua igreja celebra a santa ceia mensalmente, e 
isso  muito. Por causa de um assunto tcnico, voc est para sempre perdido no inferno"?
      Lero-lero. Nosso Deus  abundante em amor e constante em misericrdia. Ele nos salva, no porque confiamos em um smbolo, mas porque confiamos em um Salvador.
      Por favor, note que Paulo no mudou de assunto; mudou apenas de ouvintes. Seu tpico ainda  o drama da vida mpia. "A ira de Deus  revelada do cu contra 
toda impiedade" (Rm 1.18 NVI).
      Da perspectiva divina, no h diferena entre o mpio freqenta-festas, o mpio aponta-dedo, e o mpio freqenta-igreja. A turma do salo, o cl do palcio 
da justia, e o coro da igreja precisam da mesma mensagem: Sem Deus, todos esto perdidos.
      Ou como sintetiza Paulo:
      Todos ns, ntimos ou estranhos, iniciamos em idntica condio. Isto , iniciamos como pecadores. As Escrituras no deixam dvidas sobre isto: "No h um 
justo, nem um sequer" (Rm 3.10).
      Assim como linhagem, leis e tatuagens no fazem de mim um navegador, herana, rituais e cerimnias no me tornam um cristo. "Deus justifica o crente, no 
pelos mritos de sua crena, mas pelos mritos de Cristo".
No Tente Fazer o que Somente Deus Pode Fazer
      Voltemos ao meu convite para navegar. Eu sei ter dito que provavelmente voc no iria, mas vamos fingir que voc no  to exigente quanto parece, e voc aceita 
entrar no barco.
      Voc comea a preocupar-se quando nota que icei a vela somente umas poucas polegadas sobre o mastro. Voc estranha quando eu me posiciono atrs da vela parcialmente 
iada, e comeo a soprar.
      - Por que voc no desfralda a vela? - indaga voc.
      - Porque no consigo assoprar sobre a coisa toda - explico ofegante.
      - Deixe que o vento assopre - insta voc.
      - Oh, no posso fazer isto. Estou navegando este barco por mim mesmo.
      Essas so as palavras de um legalista, soprando e bufando para impelir sua nave ao cu. (Alguma vez j se perguntou por que tantos religiosos parecem esbaforidos?)
      Com pouco estamos vogando sobre o mar, e uma forte tempestade nos ataca. A chuva bate no convs, e o pequeno navio salta sobre as ondas.
      - Vou lanar a ncora! - grito eu.
      Voc est aliviado porque eu sei ao menos onde est a ncora, mas ento voc se surpreende ao ver onde a coloco Primeiro, pego a ncora e a coloco perto da 
proa.
      - Isto dever estabilizar o barco! - Garanto eu aos grilos, mas claro, ele no se estabiliza. A seguir, levo a ncora para a popa. - Agora estamos seguros! 
- Mas o balano continua. Penduro a ncora no mastro, mas isto no ajuda.
      Finalmente, frustrado e com medo, voc agarra a ncora, arremessa-a nas profundezas, e grita:
      - Voc no sabe que tem de ancorar em alguma coisa que no seja voc mesmo?
      Um legalista no sabe disso. Ele ancora apenas em si mesmo. Sua segurana provm do que ele faz, de sua linhagem, sua lei e sua tatuagem. Quando a tempestade 
desaba, o legalista lana sua ncora em seu prprio esforo. Ele salvar a si mesmo. Alm de que, ele no est no grupo certo? Ele no tem a lei exata? E ele no 
passou pela iniciao correta? (Alguma vez j se perguntou por que muitos religiosos tm a vida to tempestuosa?)
      Este  o ponto: A salvao  tarefa de Deus.
      Recorda a parbola do rio? O primeiro irmo, o hedonista, construiu uma choupana e chamava-a de manso. O segundo irmo, o judicialista, olhava para o primeiro 
e chamava-o de desajustado. O legalista, o terceiro irmo, empilhava pedras e confiava em sua prpria fora. Ele representa o beato mpio que amontoa suas boas obras 
contra a correnteza, pensando que elas faro uma passagem rio acima. No final, os trs rejeitaram o convite do irmo mais velho, e todos permaneceram igualmente 
distantes do pai.
      A mensagem da parbola e a mensagem de Paulo aos Romanos so a mesma: Deus  o nico que salva seus filhos. Existe um nico nome sob o cu que tem o poder 
de salvar, e esse nome no  o seu.
      Apesar da sereia em sua tatuagem.
      
II Parte - QUE DEUS!
Considere o feito de Deus.
Ele no fecha os olhos ao nosso pecado, nem compromete seu critrio.
Ele no ignora nossa rebelio, nem afrouxa suas exigncias.
Em vez de descartar nosso pecado, Ele o assume e, inacreditavelmente, sentencia a si prprio.
A santidade de Deus  honrada. Nosso pecado  punido e... ns somos redimidos.
Deus faz o que no podemos fazer, e assim podemos ser o que nem ousamos sonhar: perfeitos diante de Deus.
6. Chamando os Cadveres
Romanos 3.21-26
      Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inteis. No h quem faa o bem, no h nem um s... para que toda boca seja fechada e todo o mundo seja condenvel 
diante de Deus.
      H algumas semanas, viajei ao Meio Oeste para buscar minhas duas filhas mais velhas. Elas haviam passado uma semana num acampamento. Esta no era a primeira 
vez que acampavam, mas era a primeira vez que ficavam to longe de casa. O local era vasto, e as atividades agradveis, mas seus coraes estavam pesados. Sentiam 
falta da mame e do papai. E a mame e o papai no se sentiam melhores.
      No querendo arriscar algum atraso nos vos, embarquei um dia antes. Os pais no podiam pegar os filhos antes das cinco da tarde, ento desfrutei da regio; 
visitei alguns pontos e mantive um olho no relgio. Meu propsito no era fazer turismo. Meu propsito era minhas filhas.
      Cheguei ao acampamento s trs da tarde. Uma corda esticada atravessava a estrada de terra, e um cartaz pendurado nela recordou-me: "Os pais no podem entrar 
antes das 5:00 hs".
      Eu no estava sozinho na corda. Outros pais j estavam ali. Havia muitas olhadas ao relgio. Nenhuma conversao profunda, apenas o esperado: "Como vai?" "De 
onde voc ?" e "Quantos filhos?" Nada mais que isso. Nossas mentes estavam alm daquela estrada de terra. Por volta de quatro e meia, notei que alguns pais se colocavam 
junto  corda. A fim de no ser ultrapassado, fiz o mesmo. As vagas estavam todas tomadas; havia espao somente para mais um pai. Passei raspando numa me, que ignorava 
que os cavalos tinham sido chamados  estrada. Senti muito por ela, mas no o suficiente para dar-lhe meu lugar.
      Cinco minutos depois, a conversa terminara. Nada mais de brincadeiras; a coisa era sria. Os carros estavam na estrada. Os corredores estavam na quadra. A 
contagem regressiva estava em cima. Tudo o que precisvamos era que algum abaixasse a corda.
      Dois conselheiros do acampamento apareceram para fazer as honras. Eles sabiam como pegar uma das ponta da corda, e cruzar a estrada para permitir a entrada 
dos pais. Tal movimento teria sido fatal; eles no sobreviveriam ao pisoteamento. Em vez de arriscar suas vidas, eles pegaram cada um numa ponta da corda e, a um 
sinal previamente combinado, arriaram-na ao cho. (Eles j tinham feito isto antes).
      Estvamos livres!
      Eu estava pronto para este momento. J tinha esperado o suficiente. Comecei com um passo animado, mas pelo canto do olho, vi um pai comear com uma carreira. 
Ah, ento era assim, eh? Ainda bem que eu estava usando sapatos de corrida. Rompi numa carreira. Bastava de preliminares. A hora chegara, e a corda fora baixada. 
E eu estava disposto a qualquer coisa para levar minhas filhas.
      Deus sente o mesmo.
      Deus est pronto a levar os que lhe pertencem. Ele, tambm, est separado de seus filhos. Ele, tambm, far o que for necessrio para lev-los ao lar. Mais 
que isso, seu desejo deixa o nosso no p. Esquea viagens de avio e carros alugados. Estamos falando de encarnao e sacrifcio. Esquea uma noite no hotel; tudo 
o que fale de existncia na terra! Eu fui do Estado do Texas ao Estado do Missouri. Ele foi do estado de ser adorado no cu para o de um beb em Belm.
      Por qu? Ele sabe que seus filhos esto sem o seu Pai. E Ele sabe que somos incapazes de retornar sem a sua ajuda.
Pecado, o Problema Universal
      Porm o que nos separa de Deus no  uma corda e uma poltica de acampamento. O que nos separa de Deus  o pecado. No somos fortes o suficiente para remov-lo, 
e no somos bons o bastante para apag-lo. Apesar de todas as nossas diferenas, h um problema que todos partilhamos: estamos separados de Deus.
"No h um justo, nem um sequer. No h ningum que atenda; no h ningum que busque a Deus" (Rm 3.10,11, itlico meu).
      
      No lhe parece que Paulo est tentando dizer-nos alguma coisa?
      Cada pessoa sobre o verde jardim de Deus o tem pisoteado. Os hedonistas pisotearam-no porque centralizaram-se no prazer, e no em Deus. Os judicialistas pisotearam-no 
porque se inclinaram  arrogncia, e no a Deus. Os legalistas pisotearam-no porque foram conduzidos pelo esforo, e no pela graa.
      O construtor de cabanas busca prazer, o censor busca impunidade, o amontoador de pedras busca piedade. O primeiro negligencia Deus, o segundo procura distrair 
Deus, e o terceiro espera compensar Deus. Porm cada um deles falha com Deus. So todos mpios.
      Nenhum  como o quarto filho, que dependeu do plano do pai para lev-lo ao lar.
Morte, a Condio Universal
      Sabe qual o grande complemento que falta  humanidade? Estamos a uma longa distncia do Pai, e no temos um indcio de como chegar a Ele.
      Oua como Paulo compreende o papel do juiz investigador, e descreve o cadver do pecador:
"Sua garganta  um sepulcro aberto".
"Com a lngua tratam enganosamente".
"Peonha de spides est debaixo de seus lbios".
"Sua boca est cheia de maldio e amargura".
"Seus ps so ligeiros para derramar sangue".
(Veja Rm 3.13,14,16).
      
      Que anatomia repulsiva! Gargantas como sepulcros abertos. Lngua mentirosa. Lbios de vbora. Boca cheia de vulgaridades. Ps que marcham em direo  violncia. 
E para resumir, Paulo apresenta a causa de tudo isso: "No h temor de Deus diante de seus olhos" (v. 18).
      O pecado infecta a pessoa inteira, desde os olhos at os ps. O pecado no apenas contamina cada ser humano, mas contamina o ser de cada humano. Mais para 
a frente, na carta aos Romanos, Paulo diria isso ainda mais claramente: "O salrio do pecado  a morte" (Rm 6.23).
      O pecado  uma doena fatal.
      O pecado tem-nos sentenciado a uma morte lenta e dolorosa.
      O pecado faz com a vida o que a tesoura faz a uma flor. Um corte no talo separa a flor da fonte da vida. Inicialmente, a flor  atraente, ainda viosa e cheia 
de cor. Mas olhe para ela depois de um certo tempo; as folhas estaro murchas, e as ptalas, cadas. No importa o que voc faa, a flor no voltar a viver. Mergulhe-a 
na gua. Finque o talo na terra. Batize-a com adubos. Cole a flor de volta ao caule. Faa o que quiser. A flor est morta.
      Quando o ditador chins, Mao-Tse-tung, faleceu em 1976, seu mdico, o Dr. Li Zhisui, recebeu uma tarefa impossvel. O Politburo exigiu:
      - O corpo do presidente deve ser preservado para sempre.
      O staff objetou. O mdico desaprovou. Ele tinha visto os restos secos e encolhidos de Lenin e Stalin. Ele sabia que um corpo sem vida est condenado  podrido.
      Mas ele recebera ordens. Vinte e dois litros de formol foram bombeados para dentro do corpo. O resultado foi horripilante. A face de Mao inchou como uma bola, 
e seu pescoo ficou to grosso quanto a cabea. Suas orelhas esticaram-se em ngulo reto. A substncia qumica escorria de seus poros. A equipe de embalsamamento 
trabalhou por cinco horas com toalhas e algodo, forando o lquido para dentro do corpo. Finalmente o rosto pareceu normal, mas o peito estava to inchado, que 
seu palet teve de ser fendido atrs, e seu corpo, coberto com a bandeira vermelha do partido comunista.
      Isso satisfez para o funeral, mas as autoridades queriam o corpo permanentemente preservado, para ser exposto na Praa da Paz Celestial. Durante um ano, o 
Dr. Zhisui supervisionou uma equipe trabalhando em um hospital subterrneo, na tentativa de preservar os restos mortais. Como o resultado foi intil, uma autoridade 
oficial ordenou que se fizesse um indivduo de cera, idntico ao original. Ambos, corpo e rplica, foram levados ao mausolu da Praa da Paz Celestial. Dezenas de 
milhares de pessoas passaram em fila ante o esquife de cristal, para prestar homenagens ao homem que governara a China por vinte e sete anos. Mas nem o mdico sabia 
se eles estavam vendo Mao ou uma figura de cera.
      No fazemos o mesmo? No  esta a ocupao da humanidade? No  esta a esperana do trabalhador compulsivo? No  esta a aspirao do ganancioso, do negociante 
de poderes, e do adltero? No bombear formol para dentro de um cadver, mas vida para dentro de uma alma?
      Enganamos as pessoas numa rdua tentativa de preservar-nos um pouquinho mais. s vezes, nem ns sabemos se as pessoas esto vendo o nosso eu real, ou uma figura 
de cera. Uma flor morta no tem vida. Um corpo morto no tem vida. Uma alma morta no tem vida.
      Separada de Deus, a alma murcha e morre. A conseqncia do pecado, no  um dia ruim, ou um mau humor, mas uma alma morta. O sinal de uma alma morta  claro: 
lbios envenenadores e boca blasfemadora, ps que se encaminham  violncia e olhos que no vem a Deus.
      Agora voc sabe porque as pessoas podem ser to profanas. Suas almas esto mortas. Agora voc compreende como alguns religiosos podem ser to opressivos. Eles 
no tm vida. Agora voc entende porque o traficante de drogas pode dormir  noite, e o ditador pode viver em paz com a conscincia. Ele no a possui.
      A funo do pecado  matar a alma.
Carecemos de um Milagre
      Havendo percebido o problema, podemos enxergar a soluo? A soluo no  melhor governo ou educao, nem mais formol no defunto. Tampouco a soluo  mais 
religio; rituais e doutrinas artificiais buscam, talvez, reatar a flor ao caule, mas no conseguem. No carecemos de mais religio. Carecemos de um milagre. No 
precisamos de algum para disfarar o morto. Precisamos de algum para ressuscitar o morto.
      Este "algum"  apresentado em Romanos 3.22. Porm antes de lermos o versculo, tenho de fazer uma pausa e adverti-lo: Prepare-se para a sua simplicidade. 
No  preciso nenhuma poo mgica. Cerimnias elaboradas so dispensveis. Tratamentos complicados so inteis. Horas torturantes de reabilitao no so requeridas. 
A soluo de Deus para a nossa enfermidade  perfeitamente simples.
      Antes de lermos o versculo, tambm preciso fazer uma pausa e perguntar: Voc no se alegra de que a carta no tenha parado nos versos 19 e 20? "Isto impede 
toda desculpa, e coloca todo mundo sob o julgamento de Deus, porque ningum pode tornar-se certo diante de Deus, por seguir lei. A lei apenas mostra-nos os nossos 
pecados". Voc no est aliviado por Paulo no haver deixado o defunto sobre a mesa? No est feliz por no ter o apstolo descrito a condio sem mostrar a soluo 
de Deus? No se preocupe. Disso no h perigo. Nem o descarrilamento de um trem poderia impedir Paulo de escrever o versculo seguinte. Estas eram as palavras que 
ele estava esperando para escrever. As prximas linhas so a razo da epstola, e at mesmo sua razo de viver.
      Por sessenta e um versculos, encontramo-nos sentados com Paulo numa sala escura, enquanto ele descreve a fatalidade do pecado. Todas as velas esto sem pavio. 
Cada lmpada, vazia de azeite. H uma lareira, porm no h lenha. H uma lanterna, mas ela no tem lume. Apalpamos em todos os cantos e no achamos luz. Incapazes 
de enxergar um palmo adiante do nariz, tudo o que podemos fazer  fitar a noite. No vemos que Paulo deslizou para perto de uma janela e colocou a mo no trinco. 
Exatamente quando nos perguntamos se h alguma luz para ser achada, Paulo escancara a janela e anuncia: "Mas Deus tem um jeito!" (v.21).

Mas Deus tem um jeito de fazer as pessoas ficarem bem com ele, sem a lei, e Ele agora tem-nos mostrado esse caminho... Deus faz as pessoas ficarem bem com Ele atravs 
da f que elas tem em Jesus Cristo. Isto  verdade para todos os que confiam em Cristo, porque todas as pessoas esto na mesma: todos pecaram, e no h ningum bom 
o bastante para a glria de Deus. E todos precisam tornar-se justo.s diante de Deus pela sua graa, que  um presente. Eles precisam ser libertos do pecado atra-
vs de Jesus Cristo. Deus concedeu-lhes Jesus como  um meio de perdoar pecados, atravs da f no sangue de Jesus. Isso mostra que Deus sempre faz o que  certo e 
apropriado, como no passado, quando Ele foi paciente e no puniu as pessoas por seus pecados (Rm 3.21-25).
A Sorte do Homem
      Quando criana, ns, os meninos da vizinhana, jogvamos futebol de rua. No instante em que chegvamos da escola, largvamos os livros pulvamos para a calada. 
O garoto do outro lado da rua tinha um pai com um grande brao e uma forte inclinao para o futebol. Assim que ele retornava do trabalho, comevamos a gritar por 
ele, para que viesse jogar. Ele no podia resistir. Com imparcialidade, ele sempre perguntava:
      - Que time est perdendo?
      E ento ele juntava-se a essa equipe, que s vezes acontecia de ser a minha.
      Sua apario mudava todo o jogo. Ele era confiante, forte, e acima de tudo, tinha um plano. Fazamos um crculo  sua volta; ele olhava para ns e dizia:
      - O.k., meninos,  isto o que vamos fazer.
      O outro lado gemia antes que desfizssemos a conferncia. Veja voc, ns no tnhamos apenas um novo plano; tnhamos um novo lder.
      Ele trazia nova vida ao nosso time. Deus faz precisamente o mesmo. No precisvamos de um novo jogo; precisvamos de um novo plano. No precisvamos mudar 
posies; precisvamos de um novo jogador. Este jogador  Jesus, o primognito de Deus.
"Estando ns ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo" (Ef 2.5).
      
      A soluo de Deus no  preservar o morto -  ressuscitar o morto.
"Portanto, se algum est em Cristo,  nova criao. As coisas antigas j passaram; eis que as coisas novas surgiram!" (2 Co 5.17 NVI).
      
      Jesus est disposto a fazer conosco o mesmo que fez com Lzaro. E o que Marta disse sobre Lzaro, pode ser dito a nosso respeito: "Senhor, j cheira mal, porque 
 j de quatro dias" (Jo 11.39). Marta estava falando por todos ns. A raa humana est morta, e cheira mal. Temos estado mortos e enterrados por um longo tempo. 
No precisamos de algum que nos fixe em p; precisamos de algum que nos ressuscite. No lodo e sujeira a que chamamos vida, h morte. E estivemos nisso por tanto 
tempo, que acabamos nos acostumando ao odor. Mas Cristo no.
      E Cristo no pode suportar a idia de seus filhos apodrecendo no cemitrio. Ento Ele veio, e nos chamou para fora. Ns somos os defuntos, e Ele  o chama-defunto. 
Ns somos os mortos, e Ele  o ressuscita-morto. Nossa tarefa no  ficar em p, mas admitir que morremos. Os nicos que permanecem na sepultura so os que no reconhecem 
que esto l.
      A pedra foi removida. "Lzaro!" grita ele. "Lauro! Suely! Horcio! Saiam para fora!" Chama ele.
      - Andrea! Jenna! Estou aqui! - gritei eu, correndo pela estrada do acampamento. (Eu ganhei a corrida.) Avistei Andrea primeiro. Ela estava sob um abrigo preparado 
para ginsticas. Chamei seu nome outra vez.
      - Papai! - Exclamou ela, e saltou para os meus braos.
      No havia garantia de que ela responderia. Embora eu houvesse voado mil milhas, alugado um carro, e esperado uma hora, ela poderia ter me visto e - Deus me 
livre! - me ignorado. Algumas crianas so crescidas demais para correr para os pais na frente dos amigos.
      Mas h aquelas que j tiveram comida de acampamento, e repelente de mosquito, o suficiente para faz-las saltar de alegria  vista de seus pais. Era o caso 
de Andrea.
      Repentinamente, Andrea passara do sentimento de saudade ao de felicidade. Por qu? Apenas uma diferena. Seu pai tinha vindo para lev-la ao lar.
7. Onde o Amor e a Justia se Encontram
Romanos 3.21-25
Mas agora se manifestou uma justia que provm de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os profetas, justia de Deus mediante a f em Jesus Cristo 
para todos os que crem. Romanos 3.21,22
      
      Alegra-me que a carta no tenha sido enviada do cu. Ela veio da minha companhia de seguros de automvel, minha antiga companhia de seguros de automvel. Eu 
no desisti dela. Eles desistiram de mim. No por eu no haver pago as taxas; eu estava em dia. No por eu deixar de fazer a papelada; cada documento tinha sido 
assinado e entregue.
      Fui desligado por cometer muitas faltas.
      A carta comeava, polidamente, dizendo-me que meu registro tinha sido revisado.
Temos verificado nos Registros de Veculos Automotores a indicao de uma violao dos limites de velocidade, por Max Lucado, em dezembro e janeiro, e uma falta 
por Denalyn Lucado, em dezembro. Registros adicionais indicam outras violaes dos limites de velocidade por Max Lucado, em abril, e pela senhora Lucado, em dezembro 
do ano seguinte.
      Agora, sou o primeiro a admitir que Denalyn e eu temos tendncia a pisar fundo e descuidadamente. Na verdade, esta  a razo de termos seguro contra acidentes. 
As marcas em meu registro no so uma indicao de que sou um cliente meritrio? Os prmios de seguro no foram inventados para pessoas como eu? Meus pequenos acidentes 
e batidas no pe comida na mesa de alguns funileiros? Se no fosse por minhas barbeiragens, o que movimentaria as estatsticas?
      Meu pensamento inicial foi que a companhia estivesse escrevendo para congratular-me por ser um bom cliente. Talvez estejam escrevendo a fim de convidar-me 
para um banquete, ou para dizer-me que ganhei um prmio, pensei entusiasmado.
      A carta prosseguia, documentando outros segredos de nosso passado:
Nossos registros indicam que, no dia 18 de novembro, pagamos a indenizao de outro veculo, quando Max Lucado entrou na traseira de outro carro, num estacionamento.
      A dupla citao da palavra outro alarmou-me. "Outro" veculo. "Outro" carro. Algum est contando! Talvez eu precise lev-lo a ler 1 Co 13-5: "O amor... no 
guarda rancor" (NVI). A carta continuava com outras menes de "outros".
Em abril pagamos a indenizao de outro veculo, quando Denalyn Lucado atingiu a parte traseira de outro carro, num sinal fechado.
      - Mas ela estava dando a mamadeira ao beb! - disse eu em sua defesa, a ouvinte nenhum. Denalyn estava num farol fechado. Sara derrubara a mamadeira e estava 
chorando, ento Denalyn inclinou-se, apanhou-a, e bateu no carro da frente. Uma falta genuna. Poderia ter acontecido a qualquer um.
      E, em tempo, eu entrei na traseira de outro carro? Posso contar como foi! Fui eu que andei pelo edifcio, achei o proprietrio e contei-lhe o que tinha feito. 
Confessei minha falta. Fiz minha parte. Eu poderia ter batido no carro e ido embora, o que, para ser honesto, cogitei, mas no fiz. Eu deveria tambm partilhar com 
ele 1 Jo 1.9? "Se confessarmos os nossos pecados, ele  fiel e justo para perdoar os nossos pecados...".
      Eu no deveria ganhar algum crdito por ser honesto?
      Aparentemente, no. Leia a concluso da carta.
Tendo em vista as informaes acima, no estamos dispostos a renovar sua aplice de seguro automobilstico. A aplice terminar s 24:00h do dia 4 de janeiro. Sentimos 
no ter uma resposta mais favorvel. Para sua proteo, ns o aconselhamos a obter outro plano de seguro, a fim de prevenir qualquer lapso.
      
      Espere a. Deixe-me ver se entendi direito. Eu paguei o seguro para cobrir minhas faltas. Mas ento, fui rejeitado por causa de meus erros. Deixei escapar 
alguma coisa? Deixei passar alguma nota de rodap? No enxerguei algum detalhe impresso em letras midas no contrato?
      Passei por alto um pargrafo que rezava "Ns, a supracitada companhia, consideraremos Max Lucado segurvel at que ele demonstre ser algum que precise de 
cobertura para acidentes"?
      No  como um mdico tratando apenas de pacientes saudveis? Ou um dentista pendurando na janela o cartaz "No tratamos dentes cariados."? Ou um professor 
punindo o aluno por fazer muitas perguntas? No  como qualificar para um emprstimo algum que no precise? E se o corpo de bombeiros disser que o proteger, at 
que voc tenha um incndio? E se um guarda-costas disser que o proteger, at que algum lhe queira fazer mal? E se um salva-vidas disser que cuidar de voc, at 
que voc comece a mergulhar?
      Ou se o cu tivesse limite para a sua cobertura? E se voc recebesse uma carta da Seguradora Celestial Porto de Prola, dizendo:
Prezada senhora Silva,
Estou escrevendo em resposta ao seu pedido de perdo desta manh. Sinto inform-la que voc atingiu sua cota de pecados. Os registros mostram que, desde que solicitou 
nossos servios, voc errou sete vezes na rea da ganncia, e sua vida de orao est abaixo do padro, comparada a outras da mesma idade e em iguais circunstncias. 
Ademais, a inspeo revela que sua compreenso doutrinria caiu vinte por cento, e voc tem excessivas tendncias  bisbilhotice. Por causa de seus pecados, voc 
 uma candidata de alto risco para o cu. Voc compreende que a graa tem os seus limites. Jesus envia seu pesar e, respeitosamente, espera que voc encontre outra 
forma de cobertura.
      
      Muitos temem receber tal carta. Alguma preocupao j tiveram! Se uma companhia de seguros no pode cobrir minhas faltas genunas, posso esperar que Deus cubra 
minhas rebelies intencionais?
      Paulo responde a questo com o que John Stott chama de "a mais surpreendente declarao de Romanos". Deus faz com que o mpio se torne justo aos seus olhos 
(Rm 4.5). Que inacreditvel reivindicao! Uma coisa  tornar justas as pessoas boas. Porm, e quanto s ms? Podemos esperar que Deus justifique o decente, mas 
e quanto ao desprezvel? Certamente a cobertura  fornecida aos motoristas com a ficha limpa, mas e os infratores da lei de trnsito? Os multados? Os clientes de 
alto risco? Como, neste mundo, pode um mpio ser justificado?
A Procedncia da Graa
      No pode. No pode vir do mundo. Deve vir do cu. O homem no tem meios. Mas Deus tem um meio...
      At este ponto da carta de Paulo, todo o empenho para a salvao tem vindo da terra. O homem tem inflado seu balo com seu prprio ar quente, e no tem sido 
capaz de deixar a atmosfera. Nossos pretextos de ignorncia so inescusveis (Rm 1.20). Nossas comparaes com outros so inadmissveis (Rm 2.1). Nossos mritos 
religiosos so inaceitveis (Rm 2.29). A concluso  inevitvel: auto-salvao simplesmente no funciona. O homem no tem como salvar a si mesmo.
      No entanto, Paulo anuncia que Deus tem um meio. Onde o homem falha, Deus sobressai. A salvao desce do cu; no sobe da terra. "Do alto nos visitar o sol 
nascente" (Lc 1.78 NVI). "Toda boa ddiva e todo dom perfeito vem do alto" (Tg 1.17).
      Por favor, note: A salvao  dada por Deus, movida por Deus, autorizada por Deus, e originada em Deus. A ddiva no  do homem para Deus.  de Deus para o 
homem. "Nisto consiste o amor: no em que ns tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciao pelos nossos pecados" (1 Jo 4.10).
      A graa  criada por Deus e dada ao homem. "Destilai vs, cus, dessas alturas, e as nuvens chovam justia; abra-se a terra, e produza-se salvao, e a justia 
frutifique juntamente; eu, o Senhor, as criei" (Is 45.8).
      Com base neste nico ponto, o cristianismo est  parte de qualquer outra religio no mundo. "Nenhum outro sistema, ideologia, ou religio, proclama o livre 
perdo e a nova vida a esses que nada tm feito a fim de merec-los, e que merecem, em vez disso, o juzo".
      Para citar John MacArthur: "No que diz respeito  salvao, h apenas duas religies que o mundo sempre conheceu, ou sempre conhecer - a religio divinamente 
efetuada, que  o cristianismo bblico, e a religio humanamente empreendida, que inclui todas as outras espcies de religies, no importa o nome que tenham".
      Qualquer outra tentativa de aproximao de Deus  um sistema de troca; se eu fizer isto, Deus far aquilo. Desse modo, sou salvo pelo esforo (o que fao), 
pelas emoes (o que experimento), ou pelo conhecimento (o que sei).
      Ao contrrio, o cristianismo no tem ares de negociao. O homem no  o negociador; na verdade, o homem no tem com que negociar.
      Aqueles que se aproximaram de Deus compreenderam isto. Aqueles que se acercaram dele nunca se orgulharam de seus feitos; na verdade, estavam muitssimo desgostosos 
com a idia de auto-salvao. Eles descrevem o legalismo em termos repulsivos. Isaas afirmou que nossos atos de justia so "como trapo da imundcie", referindo-se 
 roupa menstrual (Is 64.6). Paulo igualou nossas credenciais religiosas aos montes malcheirosos que voc evita no pasto das vacas: "...as considero como esterco" 
(Fp 38).
      Podemos resumir os primeiros trs captulos e meio de Romanos com trs palavras: ns temos falhado.
      Temos tentado alcanar a lua, contudo, mal tiramos os ps do cho. Tentamos atravessar o Atlntico a nado, mas no conseguimos ir alm dos recifes. Tentamos 
escalar o Evereste da salvao, porm mal conseguimos sair da base, quanto mais ascender o aclive. A realidade est na cara: no precisamos de mais suprimentos, 
ou msculos, ou tcnicas; precisamos de um helicptero. No pode ouvi-lo pairando?
Deus tem um meio de tornar as pessoas retas perante Si. (Rm 3.21).
      
       vital que abracemos esta verdade-. O mais alto sonho de Deus no  fazer-nos ricos, bem-sucedidos, populares ou famosos. O sonho de Deus  fazer-nos justos 
diante dele.
O Dilema da Graa
      Como Deus nos torna retos perante Si? Retornemos  companhia seguradora e faamos algumas indagaes. Primeiro: ela foi injusta em rejeitar-me como cliente? 
No. Posso ter achado sua deciso ofensiva, desagradvel, e mesmo desanimadora, mas no posso cham-la de injusta. Ela apenas fez o que dissera que faria.
      Assim fez nosso Pai. Ele avisou a Ado: "Se voc comer do fruto dessa rvore, voc morrer" (Gn 2.17). Nenhum sinal obscuro. Nenhum apontamento secreto. Nenhum 
furo ou termo tcnico. Deus no tem jogado conosco. Ele tem sido claro. Desde o den, o salrio do pecado tem sido a morte (Rm 6.23).
      Assim como dirigir descuidadamente tem suas conseqncias, o viver descuidado tambm as tem. Assim como no tive defesa perante a companhia seguradora, no 
tenho defesa perante Deus. Minhas lembranas me acusam. Meu passado me convence.
      Agora, suponha que o fundador da companhia de seguros preferisse ter compaixo de mim. Suponha que, por alguma razo, ele quisesse conservar-me como cliente. 
O que poderia ele fazer? Poderia fechar os olhos e fingir que no cometi erros? Por que ele no pegou minha ficha e no a rasgou? Duas razes.
      Primeira: a integridade da companhia seria comprometida. Ele teria de relaxar o padro da organizao, algo que no poderia nem deveria fazer. Os ideais da 
firma so valiosos demais para serem abandonados. A companhia no pode abandonar seus preceitos, e ainda assim manter a integridade.
      Segundo, os erros do motorista seriam encorajados. Se no houvesse um preo para minhas faltas, por que eu dirigiria com cuidado? Se o presidente permitisse 
minhas falhas, o que me impediria de dirigir como bem quisesse? Se ele est disposto a ignorar quaisquer asneiras, vamos aprontar!
       esse o alvo do presidente?  essa a meta de sua clemncia? Baixos padres e motoristas ineficientes? No. O presidente enfrenta este dilema: Como posso ser 
clemente e justo ao mesmo tempo? Como posso oferecer graa sem apoiar erros?
      Ou, pondo em termos bblicos, como pode Deus punir o pecado e amar o pecador? Paulo tornou isto claro: 'A ira de Deus  revelada do cu contra toda impiedade 
e injustia dos homens que suprimem a verdade pela justia" (Rm 1.18). lria Deus rebaixar seu padro para que fssemos perdoados? Iria Deus olhar para o outro lado 
e fingir que nunca pequei? Desejaramos ns um Deus que alterasse as regras e abrisse excees? No. Queremos um Deus "em quem no h mudana, nem sombra de variao" 
(Tg 1.17), e para quem "no h acepo de pessoas" (Rm 2.11).
      Ignorar meu pecado  endoss-lo. Se no h um preo por meus pecados, ento vamos pecar! Se meu pecado no traz punio, continuemos pecando! De fato "Faamos 
males, para que venham bens" (Rm 3-8).  esta a inteno de Deus? Comprometer sua santidade e possibilitar nosso mal?
      Claro que no! Ento o que  que Ele faz? Como pode Ele ser justo e amar o pecador? Como pode amar o pecador e punir o pecado? Como pode Ele satisfazer seus 
critrios e perdoar meus erros? H algum modo de Deus honrar a integridade do cu sem me voltar as costas?
A Deciso da Graa
      A santidade exige que o pecado seja punido. A misericrdia constrange a que o pecador seja amado. Como pode Deus fazer ambas as coisas? Posso responder a questo, 
retornando ao diretor da seguradora? Imagine-o convidando-me ao seu escritrio e dizendo-me estas palavras:
      - Senhor Lucado, achei um meio de lidar com as suas faltas. No posso pass-las por alto; faz-lo seria injusto. Mas aqui est o que posso fazer: Encontramos 
em nossos registros uma pessoa com um passado imaculado. Esse homem nunca quebrou a lei. Nenhuma violao, nenhuma transgresso, nenhuma multa de trnsito. Ele quer, 
voluntariamente, trocar de registro com voc. Ele tomar seu nome e o colocar na ficha dele, e pegar o prprio nome e colocar em sua ficha. Ns puniremos a ele 
pelo que voc fez. Voc, que transgrediu, ser tornado correto. Ele, que agiu certo, ser tornado incorreto.
      Minha resposta?
      - Voc est brincando! Quem faria isso por mim? Quem  esta pessoa?
      E o diretor responderia:
      - Eu.
      Sc voc est esperando que um diretor de seguradora lhe diga isso, nem prenda a respirao. Ele no o far. Ele no pode. Mesmo que quisesse, ele no poderia. 
Ele no tem um registro perfeito.
      Contudo, se voc est esperando que Deus lhe diga essas palavras, pode respirar aliviado. Ele o faz. Ele pode. "Deus estava em Cristo reconciliando consigo 
o mundo, no lhes imputando os seus pecados, e ps em ns a palavra da reconciliao... Aquele que no conheceu pecado, o tornou pecado por ns, para que, nele, 
fssemos feitos justia de Deus" (2 Co 5.19,21).
      A ficha limpa de Jesus foi dada a voc, e a sua ficha imperfeita foi dada a Ele. Jesus no tinha culpa, mas "padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, 
para levar-nos a Deus" (1 Pe 3.18). Como resultado, a santidade de Deus  honrada, e seus filhos so perdoados.
      Por sua vida perfeita, Jesus cumpriu as exigncias da lei. Pela sua morte, satisfez a exigncia do pecado. Jesus sofreu, no assemelhando-se a um pecador, 
mas como um pecador. Por que mais ele clamaria "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mt 27.46).
      Considere o feito de Deus. Ele no fecha os olhos aos nossos pecados, nem compromete seus critrios. No ignora nossa rebelio, nem afrouxa suas exigncias. 
Em vez de descartar nosso pecado, Ele o assume e, inacreditavelmente, sentencia a si prprio. A santidade de Deus  honrada. Nosso pecado  punido. E ns somos redimidos. 
Deus ainda  Deus. O salrio do pecado ainda  a morte. E ns somos tornados perfeitos.
       isto: perfeito. "Porque, por meio de um nico sacrifcio, ele aperfeioou para sempre os que esto sendo santificados" (Hb 10.14 NVI).
      Deus justifica (torna perfeito), e ento santifica (torna santo). Deus faz o que no podemos fazer, e assim podemos o ser o que nem ousamos sonhar: perfeitos 
diante de Deus. Ele simplesmente justifica o injusto.
      E o que ele fez com a nossa pobre carteira de motorista? "Cancelou o escrito de dvida que consistia de ordenanas, o qual se nos opunha. file o removeu pregando-o 
na cruz" (Cl 2.14 NVI).
      E qual deveria ser sua resposta? Retornemos mais uma vez  companhia de seguros. Volto ao meu agente e peo-lhe para puxar meu arquivo. Ele o faz, e fita descrente 
a tela do computador.
      - Max Lucado, voc tem um passado perfeito. Seu desempenho  impecvel.
      Minha resposta? Se eu for desonesto e ingrato, cruzarei os braos e direi num tom de voz profundo:
      - Voc est certo. No  fcil ser assim.
      Se eu for honesto e agradecido, simplesmente sorrirei e direi:
      - No mereo tal cumprimento. Na verdade, no mereo esse registro. Ele foi e  um indescritvel presente da graa.
      De qualquer modo, tenho uma nova companhia seguradora de automvel. Eles cobraram-me um pouco mais por eu ter sido excludo de uma concorrente. E quem sabe? 
Talvez eu receba mais algumas cartas antes que o contrato termine.
      Minha alma imortal est sob cobertura celeste, e Jesus no  conhecido por rejeitar clientes. Ele  conhecido por pagar prmios. E eu estou com minha vida 
quitada. Com Ele, estou em boas mos.
      Antes de ir para o prximo captulo, deixe-me tratar de uma questo. Alguns esto com a mo levantada desde o ltimo pargrafo da pgina 74. Pois no? Voc 
est achando isto demais.... o qu?
      Desculpe, ainda no entendo... bom demais para ser o qu? Bom demais para ser verdade? Ah... bem. Voc no  o primeiro. De fato, Paulo sabia que muitos de 
ns questionariam esse ponto. Foi por isso que ele escreveu o captulo 4 de Romanos. E  por isso que escrevi o prximo captulo.
      Pois no? Voc tem outra pergunta? Sim, voc me parece familiar. Voc me vendeu o qu? Aplice de seguro? E depois cancelou? Hmmm. Aposto que voc passou por 
um duro momento compreendendo a graa.
8. Crdito Onde Crdito No  Dvida
Romanos 3.27 - 4.25
O homem  justificado pela f, independente da obedincia  lei. Romanos 3.28 NVI
      
      Lembra-se dos bons e velhos tempos, quando o carto de crdito era marcado manualmente? O balconista podia pegar seu carto, coloc-lo numa mquina de imprimir, 
e rrac-rrac, os nmeros eram registrados e a compra estava feita. Quando eu tinha quatorze anos, aprendi a operar o tal invento, num posto de gasolina, na esquina 
da Broadway com a Quarta Avenida. Por um dlar a hora, eu limpava pra-brisas, bombeava gasolina, e checava o leo. (Sim, Virgnia, os frentistas faziam essas coisas).
      Minha tarefa preferida, entretanto, era carimbar cartes de crdito. No h nada como a sensao de poder que o invade, quando voc faz correr o impressor 
sobre o carto. Eu sempre relanceava as vistas ao fregus para v-lo estremecer quando eu rrac-rraqueva o seu carto.
      Comprar com carto de crdito hoje em dia j no  to dramtico. Agora, a tarja magntica  introduzida na fenda, ou os nmeros digitados num teclado. Nenhum 
rudo. Nenhum drama. Nenhum esforo.
      Traga de volta os dias do rrac-rrac, quando a compra era anunciada a todos os ouvidos.
      Voc compra gasolina, rrac-rrac.
      Voc debita algumas roupas, rrac-rrac.
      Voc paga o jantar, rrac-rrac.
      Se o rudo no alcana voc, o demonstrativo do final do ms o far. Trinta dias  um tempo razovel para se rrac-rraquear compras suficientes para rrac-rraquear 
seu oramento.
      E uma existncia  suficiente para se rrac-rraquear alguns dbitos importantes no cu.
      Voc grita com os seus filhos, rrac-rrac.
      Voc cobia o carro de um amigo, rrac-rrac.
      Voc inveja o sucesso de seu vizinho, rrac-rrac.
      Voc quebra uma promessa, rrac-rrac.
      Voc mente, rrac-rrac.
      Voc perde o controle, rrac-rrac.
      Voc cochila lendo este livro, rrac-rrac, rrac-rrac, rrac-rrac.
      Dbito e mais dbito.
      Inicialmente, tentamos compensar a dvida. (Lembra-se do amontoador de pedras?) Cada orao  um cheque preenchido; cada boa ao, um pagamento feito. Se pudssemos 
ter um ato bom para cada mau ato, no estaria a nossa conta balanceada no final? Se eu posso compensar minha maldio com elogios, minha luxria com lealdade, minhas 
queixas com contribuies, meus vcios com vitrias - no estar minha conta justificada?
      Estaria, exceto por dois problemas.
      Primeiro, no sei o custo de cada pecado. O preo da gasolina  fcil de se achar. Pudesse o do pecado ser to evidente. Mas no . O que se cobra, por exemplo, 
por se conduzir to loucamente no trfego? Eu marco o motorista que corta  minha frente. O que fao para pagar este crime? Dirijo a setenta por hora, numa zona 
de oitenta? Aceno e sorrio para dez carros consecutivos? Quem sabe? Ou, e se eu acordo de mau humor? O que se cobra por um par de horas lamurientas? Poderia o culto 
do prximo domingo compensar a manh irritvel de hoje? E o que eqivaleria a um mau humor? Ser que se cobra menos pela irritabilidade num dia nublado que num dia 
claro? Ou, me  permitido ficar aborrecido um certo nmero de dias por ano?
      Isto pode tornar-se confuso, voc sabe.
      E no  apenas o custo de meus pecados que ignoro; a ocasio deles, tambm. Algumas vezes peco, e nem fico sabendo! Eu tinha doze anos quando compreendi que 
era pecado odiar meu inimigo. Minha bicicleta fora roubada quando eu tinha oito. Odiei o ladro por quatro anos! Como fao para pagar aqueles pecados? Eu ganharia 
uma iseno baseada em ignorncia?
      E quanto aos pecados que cometo agora, sem saber? E se algum, em algum lugar, descobrir que  pecado pescar? Ou, e se Deus achar que o modo como pesco  pecaminoso? 
Rapaz, eu teria alguns srios problemas pela frente!
      E quanto aos nossos pecados secretos? Mesmo enquanto escrevo este captulo, estou pecando. Eu gostaria de pensar que estou escrevendo para a glria de Deus, 
mas... estou? Estou livre da vaidade? Este vaso tem interesse apenas no contedo, e no no recipiente? Dificilmente. Pergunto-me se as pessoas concordaro, se aprovaro, 
se apreciaro todas as longas, diligentes, tediosas, exaustivas, torturantes horas em que eu, humildemente, vou dando forma aos meus pensamentos.
      E voc? Alguns pecados de omisso no demonstrativo deste ms? Voc deixou passar alguma chance de fazer o bem? Deixou escapar a oportunidade de perdoar? Negligenciou 
uma porta aberta para servir? Voc aproveitou cada oportunidade de encorajar seus amigos?
      Rrac-rrac, rrac-rrac, rrac-rrac.
      E existem outros pontos importantes. O tempo da graa, por exemplo. Meu carto de crdito "permite um pagamento mnimo, e ento arrola a dvida para o ms 
seguinte. E Deus o faz? Ele me deixaria pagar a ganncia de hoje no prximo ano? E quanto aos juros? Se eu deixo um pecado em meu demonstrativo por vrios meses, 
isto incorrer em mais pecado? E falando em demonstrativo... onde est ele? Posso v-lo? Com quem est? Como pago os estragos?
      E isso a. Essa  a questo. Como lidar com as dvidas que tenho para com Deus?
      Nego-as? Minha conscincia no deixaria.
      Acho pecados piores nos outros? Deus no cairia nessa.
      Reivindico iseno por linhagem? Orgulho familiar no ajudaria.
      Tento compensar? Poderia, mas isso nos leva de volta ao problema: desconhecemos o custo do pecado. Nem mesmo sabemos o quanto devemos.
      Ento o que fazemos? Oua a resposta de Paulo naquilo que um erudito diz ser "possivelmente o mais importante e singular pargrafo j escrito."
"Sendo justificados gratuitamente pela sua graa, mediante a redeno que h em Cristo Jesus, ao qual Deus props como propiciao, pela f, no seu sangue" (Rm 3-24,25).
      
      Simplesmente pr: O custo de seus pecados  mais do que voc pode pagar. O presente do seu Deus  maior do que voc imagina. "O homem  justificado pela f", 
conclui Paulo, "sem as obras da lei" (v.28).
      Esta pode muito bem ser a verdade espiritual mais difcil de se compreender. Por alguma razo, as pessoas aceitam a Jesus como Senhor, antes de aceit-lo como 
Salvador. E mais fcil compreender seu poder que a sua misericrdia. Celebramos o tmulo vazio bem antes de nos ajoelharmos perante a cruz. Ns, como Tom, morreramos 
por Cristo, antes de ter de deixar Cristo morrer por ns.
      No estamos sozinhos. No somos os primeiros a lutar com a apresentao que Paulo faz da graa. Aparentemente, o primeiro a duvidar da epstola aos Romanos 
foi o primeiro a l-la. De fato, tem-se a impresso de que Paulo podia ouvir-lhe as indagaes. O apstolo levanta a pena da pgina e imagina seus leitores: alguns 
torcendo, uns duvidando, outros negando. Antecipando-lhes os pensamentos, ele trata de suas objees.
Objeo 1: Arriscado Demais Para Ser Verdade
      A primeira objeo veio do pragmatista. "Anulamos, pois, a lei pela f?" (Rm 3-31). O ponto aqui  motivao. Se no sou salvo por meus trabalhos, ento por 
que trabalhar? Se no sou salvo pela lei, ento por que guardar a lei? Se no sou salvo pelo que fao, ento por que fazer alguma coisa?
      Voc tem de admitir que graa  algo arriscado. H a possibilidade de a pessoa levar isto ao estremo. H a probabilidade de a pessoa abusar da bondade de Deus.
      Outra palavra sobre cartes de crdito pode ser til aqui. Meu pai tinha uma regra simples sobre eles: tenha to poucos quanto possvel, e pague-os to logo 
seja possvel. Seu salrio de mecnico era suficiente, mas no opulento, e ele detestava a idia de pagar juros. Ele tomara a deciso de pagar a conta antes do final 
do ms. Voc pode imaginar a minha surpresa, quando ele ps-me nas mos um carto de crdito, no dia em que sai para a universidade.
      Em p na via, com o carro lotado e as despedidas feitas, ele entregou-o para mim. Olhei o nome no carto; no era o meu, era o dele. Ele autorizara um carto 
extra para mim. Sua nica instruo foi: "Seja cuidadoso ao us-lo".
      Belo risco, no acha? Enquanto eu dirigia para a universidade, ocorreu-me que eu era um homem livre. Eu poderia ir aonde quisesse. Eu tinha um carango e um 
tanque de gasolina. Tinha minhas roupas. Tinha dinheiro no bolso e um estreo no porta-malas. E acima de tudo, eu tinha um carto de crdito. Eu era um escravo posto 
em liberdade! As cadeias tinham sido rompidas. Eu poderia estar no Mxico, antes do cair da noite! O que me impedia de sair desenfreado?
      Esta  a indagao do pragmatista. O que nos impede de sairmos desenfreados? Se a adorao no nos salva, por que adorar? Se o dzimo no salva, por que dizimar? 
Se minha moralidade no me salva, ento ateno, mulheres, cheguei! Judas adverte contra esta atitude quando fala de pessoas que "convertem em dissoluo a graa 
de Deus" (Jd 4).
      Mais tarde, Paulo atacaria com a questo "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graa seja mais abundante? De modo nenhum!" (Rm 6.1). Ou, 
como escreveu um tradutor, "Que pensamento horrvel!" (Phillips).
      Um pensamento horrvel, de fato. Graa promovendo mal? Misericrdia endossando pecado? Que idia terrvel! O apstolo usa o termo mais forte possvel do idioma 
grego para repudiar a idia: Me genoito! A frase significa literalmente "Nunca!" Como ele j dantes expressou, "a benignidade de Deus te leva ao arrependimento" 
(Rm 2.4).
      Compreenda de uma vez: Algum que v a graa como permisso para pecar, tem perdido inteiramente a graa. Misericrdia compreendida  santidade desejada. "O 
qual [Jesus] se deu a si mesmo por ns, para nos remir de toda iniqidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras" (Tt 2.14, itlico meu).
      Ateno para a ltima frase: "povo seu especial, zeloso de boas obras". A graa cria uma nsia pelo bem. Ela no gera um desejo de pecar. Algum que verdadeiramente 
abraou a ddiva de Deus no ir escarnecer dela. Na realidade,  de se pensar que jamais conheceu a graa de Deus algum que a use para pecar.
      Quando meu pai me deu o seu carto, no anexou a ele uma lista de regulamentos. No houve um contrato para eu assinar, ou regras para eu ler. Ele no me mandou 
pr a mo sobre a Bblia e jurar reembols-lo por quaisquer despesas. Na verdade, no me pediu pagamento algum. Conforme decorreram as coisas, passei um bom tempo 
sem us-lo. Por qu? Porque ele me dera mais que um carto; dera-me sua confiana. E onde eu poderia quebrar suas regras, eu no estava disposto a abusar de sua 
confiana.
      A confiana de Deus torna-nos zelosos do bem. Tal  a ndole da graa. A lei pode mostrar-nos onde erramos, mas no pode fazer-nos zelosos do bem. A graa 
pode. Ou, como esclarece Paulo, a f leva-nos a ser aquilo que a lei verdadeiramente quer (Rm 3-31).
Objeo 2: Novo Demais Para Ser Verdade
      A segunda objeo  graa vem de um homem que  cauteloso com qualquer novidade.
      - No me d nada deste moderno ensinamento. D-me apenas a lei. Se ela era boa o bastante para Abrao,  boa o bastante para mim.
      - Tudo bem. Deixe-me contar-lhe da f que seu pai Abrao tinha - responde Paulo.
"Se Abrao foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas no diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abrao em Deus, e isto lhe foi imputado como 
justia" (Rm 4.2,3).
      
      Estas palavras devem ter atordoado os judeus. Paulo aponta Abrao como prottipo da graa. Os judeus enalteciam a Abrao como um homem que fora abenoado por 
causa de sua obedincia  lei. O caso no  bem assim, argumenta Paulo. O primeiro livro da Bblia diz que Abrao "creu no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justia" 
(Gn 15.6). Foi a sua f, no as suas obras, que o tornou justo diante de Deus. A mensagem reproduz-se em Rm 4.2: Abrao confiou em Deus para torn-lo justo, em vez 
de tentar ser justo por si mesmo.
      Cinco vezes em seis versculos, Paulo usa a palavra crdito. O termo  comum no mundo financeiro. Creditar numa conta  fazer um depsito. Se eu credito em 
sua conta, eu aumento seu saldo, ou abaixo seu dbito.
      No seria timo se algum creditasse as despesas de seu carto? Durante todo o ms voc rrac-rraqueva as faturas, temendo o dia em que o demonstrativo viesse 
pelo correio. Quando ele chegasse, voc o deixaria sobre a sua escrivaninha por alguns dias, no querendo ver o quanto devia. Finalmente, voc forar-se-ia a abrir 
o envelope. Com um olho fechado e o outro aberto, espreitaria a soma. O que voc visse o faria esbugalhar o olho fechado. "Saldo devedor: zero!"
      Deve ser um engano. Ento voc liga ao banco que emitiu o carto.
      - Sim - explica o gerente - sua conta foi totalmente quitada. Um tal de Max Lucado enviou-nos um cheque para cobrir sua dvida.
      Voc no pode acreditar em seus ouvidos.
      - Como o senhor sabe que o cheque dele  bom?
      - Oh, no h dvida. O Sr. Lucado tem estado pagando as dvidas das pessoas h anos.
      De qualquer modo, eu adoraria fazer isso por voc, mas no fique esperanoso. Tenho minhas prprias faturas. Mas Jesus adoraria faz-lo, e Ele pode! Afinal 
de contas, Ele no tem dvida pessoal. E, o que  mais importante, Ele tem feito isto h anos. Como prova, Paulo apanhou o arquivo de dois mil anos, marcado "Abrao 
de Ur", e puxou um extrato. O extrato tinha sua quota de dbitos. Abrao estava longe da perfeio. Houve algumas vezes em que ele preferiu confiar nos egpcios, 
em vez de confiar em Deus. Ele at mentira, dizendo a Fara que Sara, sua esposa, era sua irm. Mas Abrao teve uma atitude que mudou-lhe a vida para sempre: "Abrao 
creu em Deus, e isto lhe foi creditado como justia" (Rm 4.3 NVI).
      Aqui est um homem justificado pela f, antes de sua circunciso (v.10), antes da lei (v.13), antes de Moiss e os dez mandamentos. Eis aqui um homem justificado 
pela f, antes da cruz! O sangue do Calvrio, que cobre pecados, estende-se tanto ao passado longnquo quanto ao futuro.
      Abrao no  o nico heri do Antigo Testamento que colocou-se sob a graa de Deus. "Davi diz a mesma coisa, quando fala da bem-aventurana do homem a quem 
Deus credita justia, independente de obras: 'Bem-aventurados aqueles cujas transgresses so perdoadas, cujos pecados so cobertos. Bem-aventurado  o homem cujo 
pecado o Senhor jamais leva em conta'" (Rm 4. 6-8 NVI).
      No devemos ver a graa como uma proviso feita depois de a lei haver falhado. A graa foi oferecida antes de a lei ter sido revelada. Na verdade, a graa 
foi oferecida antes de o homem haver sido criado! 
"Sabendo que no foi com coisas corruptveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa v maneira de viver, que por tradio recebestes dos vossos pais, 
mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundao do mundo, mas 
manifesto no fim dos tempos por amor de vs" (1 Pe 1.18-20).
      
      Por que Deus ofereceria graa antes que dela necessitssemos? Pergunta voc, satisfeito. Voltemos uma ltima vez ao carto de crdito que meu pai me deu. Mencionei 
que passei vrios meses sem precisar dele? Mas quando precisei, precisei realmente. Veja voc, eu queria visitar um amigo num outro campus. Na verdade, o amigo era 
uma garota numa outra cidade, distante seis horas de l. Num impulso, cabulei a aula numa sexta-feira de manh, e sai. No sabendo se meus pais aprovariam, no lhes 
pedi permisso. Por sair apressado, esqueci-me de levar dinheiro. Fiz a viagem sem o conhecimento deles, e com o bolso vazio.
      Tudo ia bem at o carro sofrer uma sria avaria na viagem de volta. Usando um p-de-cabra, levantei o pra-lama da roda da frente, e assim o carro pode avanar, 
embora com dificuldade, at um posto de gasolina. Ainda posso ver o orelho, onde estive de p, no frio outonal. Meu pai, que supunha estar eu no campus, atendeu 
minha chamada a cobrar, e ouviu minha narrativa. Minha histria no era grande coisa. Eu fizera uma viagem sem o seu conhecimento, sem nenhum dinheiro, e arruinara 
seu carro.
      - Bem - disse ele aps longa pausa. - Estas coisas acontecem. Foi por isto que lhe dei o carto. Espero que tenha aprendido uma lio.
      Eu aprendi? Certamente aprendi. Aprendi que o perdo de meu pai pr-datara-me o erro. Ele dera-me o carto antes que eu sofresse a perda no incidente. Ele 
provera para a minha asneira, antes que eu a cometesse. Preciso dizer-lhe que Deus tem feito o mesmo? Por favor, entenda, papai no queria que eu estragasse o carro. 
Ele no me deu o carto para que eu arruinasse o veculo. Mas ele conhecia seu filho. E ele sabia que, algum dia, seu filho careceria da graa.
      Compreenda, por favor, Deus no nos quer pecando. Ele no nos deu a graa porque pecaramos. Mas Ele conhece seus filhos. "Ele que forma o corao de todos 
eles, que contempla todas as suas obras" (Sl 33-15). "Pois ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos p" (Sl 103-14). E Ele sabia que, algum dia, precisaramos 
da sua graa.
      A graa no  algo novo. A misericrdia de Deus pr-data Paulo e seus leitores, pr-data Davi e Abrao; pr-data at mesmo a criao. Ela certamente pr-datou 
qualquer pecado que voc tenha cometido. A graa de Deus  mais remota que o seu pecado, e maior que este tambm. Bom demais para ser verdade? Essa  a terceira 
objeo.
Objeo 3: Bom Demais Para Ser Verdade
      Assim como houve um pragmatista que afirmou ser a graa arriscada demais, e um tradicionalista que afirmou ser ela nova demais, houve igualmente um cptico 
que disse " bom demais para ser verdade".
      Esta , sem dvida, a objeo mais comum  graa. Ningum veio ao meu escritrio esta semana para perguntar-me sobre Abrao, obras, lei e f. Mas as paredes 
ouviram a indagao de uma jovem que passou dois anos na universidade dizendo sim  carne e no a Deus. Conversei com um jovem marido interessado em saber se Deus 
pode perdoar um aborto financiado por ele h uma dcada. H o pai que, s agora, compreende haver devotado sua vida ao trabalho, e negligenciado os filhos.
      Todos querem saber se ultrapassaram os limites de seu crdito com Deus. E no so os nicos. A grande maioria simplesmente determina: "Deus pode dar graa 
a voc, mas no a mim. Veja s, tenho deixado a coisa correr solta. Tenho chafurdado na lama. No sou um pecador comum. Sou culpado de _____________________." E 
eles preenchem o espao em branco.
      Como voc preencheria o espao em branco? H, em sua biografia, um captulo que o condena? Um vale profundo demais, em seu corao, para que o Filho primognito 
o atravesse? Se voc pensa que no h mais esperana para si, Paulo tem uma pessoa a qual deseja que voc conhea. Nosso passado estril traz  memria do apstolo 
o ventre estril de Sara.
      Deus prometera um filho a Sara e Abrao. De fato, o nome Abro significa "pai exaltado". Deus at mudara o nome de Abro para Abrao - "pai de muitos", contudo, 
nada de filho. Quarenta anos se passaram antes que a promessa fosse honrada. Voc no acha que a conversa tornou-se terrivelmente rotineira a Abrao?
      - Qual o seu nome?
      - Abrao.
      - Oh, "pai de muitos"! Que grande ttulo? Diga-me, quantos filhos voc tem?
      Abrao suspirava e respondia:
      - Nenhum.
      Deus prometera uma criana, porm Abrao no tinha filho. Sara de sua cidade para uma terra desconhecida, contudo nenhum filho havia nascido. Superara a fome, 
mas ainda no tinha filho. Seu sobrinho L viera e se fora, mas nenhum filho ainda. Encontrara-se com os anjos e com Melquizedeque, continuava porm sem herdeiro.
      Entrementes, estava Abrao com noventa e nove anos, e Sara no muito mais jovem. Ela tricotava, e ele encaixava as peas de um quebra-cabea. E ambos acalentavam 
a idia de balanar nos joelhos ossudos um menino robusto. Ele perdera os cabelos, ela, os dentes. E nenhum passava muito tempo desejando o outro. No obstante, 
nunca haviam perdido a esperana. Ocasionalmente, Abrao pensava na promessa de Deus, e ento piscava para Sara. Ela dava-lhe um sorriso e pensava: "Bem, Deus prometeu-nos 
um beb, no prometeu?"
      Quando as coisas pareciam impossveis, Abrao ainda cria, apoiando-se no no que ele no podia fazer, mas naquilo que Deus dissera que faria...
      Abrao no focalizou a prpria impotncia e disse " impossvel. Este velho corpo de cem anos nunca poderia ter um filho". Tampouco avaliou as dcadas de infertilidade 
de Sara e desistiu. Ele no ficou roendo as unhas em volta da promessa de Deus, e fazendo perguntas cpticas. Ele mergulhou na promessa, e veio  tona forte, pronto 
para Deus. Por causa disso foi dito: "Abrao, contra toda esperana, em esperana creu... e isto lhe foi tambm creditado como justia" (Rm 4.18,22 NVI).
      Tudo se fora. No mais juventude. No mais vigor.
      No mais fora. O levante-se-e-ande tinha se levantado e ido. Tudo o que o velho Abrao e a velha Sara tinham era um carn do seguro social e uma promessa 
do cu. Porm Abrao resolveu confiar na promessa, em vez de fixar-se nos problemas. Como resultado, o Programa Governamental de Assistncia de Sade aos Casais 
Idosos foi o primeiro a ter um bero na enfermaria.
      E ns, temos mais que eles? Realmente no. No h um de ns que no tenha rrac-rraqueado mais faturas do que poderia pagar. Porm no h um de ns que deva 
permanecer em dbito. O mesmo Deus, que deu um filho a Abrao, prometeu graa a ns.
      O que  mais inacreditvel, Sara dizendo a Abrao que ele era papai, ou Deus declarando justos voc e eu? Ambas as coisas absurdas. Ambas boas demais para 
ser verdade. Mas ambas vindas de Deus.
9. A Liga Principal da Graa
Romanos 5.1-3
Justificados, pois, pela f, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos tambm nosso acesso pela f a esta graa, na qual estamos firmes, 
e gloriemo-nos na esperana da glria de Deus. Romanos 5 1,2
      
      Batedores apressando-se para receber a taa? Jogos terminados sem reclamaes? rbitros recebendo agradecimentos aps o jogo? Fs devolvendo as bolas lanadas 
fora?
      Esta  Liga Principal de Beisebol?
      Era. Por algumas semanas, durante a primavera de 1995, o beisebol profissional foi um jogo diferente. Os braos de um milho de dlares estavam em casa. O 
tacos do Cadillac estavam na prateleira. Os jogadores contratados estavam negociando por mais dinheiro. Os cartolas, determinados a comear a temporada, abriram 
os portes a qualquer um que soubesse como segurar um taco, ou correr e rebater a bola.
      Esses no eram os confederados juniores. A confederao jnior tambm estava em greve. Esses eram companheiros que foram treinados na Pequena Liga, numa semana, 
para usar um uniforme Red Sox na semana seguinte.
      Os jogos no eram passatempo, lembre-se. Os atacantes raramente alcanavam o defensor. Um treinador disse aos seus arremessadores para lanarem a bola to 
lentamente, que um radar no pudesse registr-la. Um f poderia bombarde-lo com uma dzia de amendoins, no tempo que esta levaria para chegar ao rebatedor. Os jogadores 
xingavam e bufavam mais que uma locomotiva a vapor.
      Mas, puxa, como se divertiam! A quadra estava salpicada de rapazes que jogavam por amor ao esporte. Quando o treinador dizia corre, eles corriam. Quando ele 
precisava de um voluntrio para procurar e jogar de volta a bola, uma dzia de mos se levantavam. Eles chegavam antes que o parque fosse aberto, engraxando as luvas 
e limpando os sapatos ferrados. Quando era hora de ir para casa, ficavam at que os funcionrios pusessem-nos para fora. Eles agradeciam aos serventes por lavarem 
seus uniformes. Agradeciam aos fornecedores pela comida. Agradeciam aos fs por pagarem para assistir. A fila de jogadores dispostos a dar autgrafos era maior que 
a fila de fs esperando por eles.
      Esses rapazes no viam a si mesmos como uma bno para o beisebol, mas o beisebol como uma bno para eles. No esperavam luxo; surpreendiam-se com ele. 
No exigiam mais diverso; vibravam com o jogo.
      Era beisebol outra vez.
      Em Cincinnati, o treinador geral saiu do campo e aplaudiu os fs por terem vindo. Os Fhillies deram soda e cachorro quente de graa. No intercmbio anual, 
o Cleveland Indians deu cinco jogadores ao Cincinnati Reds - de graa!
      No era nada elegante. No se viam corredores homricos, nem bolas com efeito. Todavia, isso era perdoado pela genuna alegria de ver alguns rapazes jogar 
por puro prazer. O que os tornava to especiais? Simples. Estavam tendo uma vida que no mereciam. Esses rapazes no fizeram o que fizeram por pertencerem a grandes 
ligas; fizeram por sorte. No foram escolhidos por serem bons; foram porque estavam dispostos.
      E eles bem o sabiam! Voc nunca leu um artigo sobre jogadores substitutos reclamando por causa de salrios baixos. Li a histria de um companheiro que ofereceu 
cem mil dlares se algum cartola o registrasse. No havia manobras estratgicas. Nem segundas intenes na gerncia. Nenhuma greve. Nada de greves patronais, ou 
ao de retirada em protesto. Cus, esses rapazes nem mesmo se queixavam de que seus nomes no eram bordados nos suteres de l. Sentiam-se felizes por apenas estar 
na equipe.
      Tambm no deveramos estar? No somos um bocado parecidos com esses jogadores? Se os primeiros captulos de Romanos dizem-nos alguma coisa, dizem-nos que 
estamos tendo uma vida que no merecemos. No somos bons o bastante para sermos escolhidos, mas olharam para ns, e estvamos prontos a jogar! No somos expertos 
o bastante para formarmos a liga comunitria de esportes, mas nossos nomes esto inscritos no maior rol de toda a histria!
      Merecemos estar ali? No. Mas iramos negociar o privilgio? Por nada neste mundo! Se a declarao de Paulo  verdadeira, a graa de Deus colocou-nos numa 
equipe alm da imaginao. Nosso passado est perdoado, e nosso futuro, garantido. E, para que no esqueamos esta ddiva indescritvel, Paulo especifica as bnos 
que a graa de Deus traz ao mundo (veja Rm 5.1-12).
Bno 1: Temos Paz Com Deus
"Justificados, pois, pela f, tenhamos paz com Deus" (v.1).
      
      Paz com Deus. Que feliz conseqncia da f! No meramente paz entre pases, paz entre vizinhos, ou paz no lar; salvao traz paz com Deus.
      Uma vez, um monge e seu aprendiz viajaram da abadia para a aldeia vizinha. No porto da cidade, eles separaram-se, combinando encontrar-se na manh seguinte, 
aps completarem suas tarefas. De acordo com o planejado, encontraram-se e iniciaram a longa viagem de volta  abadia. O monge notou que o jovem estava estranhamente 
quieto. Perguntou-lhe se algo sara errado.
      - Por que o interesse? - veio a resposta lacnica.
      Agora o monge tinha certeza de que algo perturbava o seu irmo; no disse nada, porm. A distncia entre os dois comeou a aumentar. O aprendiz andava lentamente, 
como se para separar a si mesmo do mestre. Quando a abadia surgiu  vista, o monge parou no porto e esperou o aluno.
      - Diga-me, meu filho. O que lhe perturba a alma?
      O jovem ps-se a disfarar de novo, mas ao ver a cordialidade nos olhos do mestre, seu corao derreteu-se.
      - Cometi um grande pecado - soluou ele. -  noite passada, dormi com uma mulher, e quebrei meus votos. No sou digno de entrar na abadia ao seu lado.
      O monge ps o brao ao redor dos ombros do pupilo e afirmou:
      - Vamos entrar juntos na abadia. E entraremos juntos na catedral. E, juntos, confessaremos o seu pecado. Ningum, mas somente Deus, saber quem de ns caiu.
      Isso no descreve o que Deus tem feito por ns? Quando calamos sobre nossos pecados, afastamo-nos dEle. Vemo-lo como um inimigo. Esquivamo-nos de sua presena. 
Mas a confisso de nossas faltas altera nossa percepo. Deus no  mais um adversrio, mas um amigo. Estamos em paz com Ele. Deus fez mais que o monge, muito mais. 
Mais que partilhar de nosso pecado, Jesus foi "modo pelas nossas iniqidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele" (Is 55.3). Ele aceitou o oprbrio (Hb 
12.2). Ele introduz-nos  presena de Deus.
Bno 2: Temos um Lugar Com Deus
      Ser introduzido  presena de Deus  a segunda bno que Paulo descreve, "...por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermdio de quem obtivemos igualmente 
acesso, pela f, a esta graa na qual estamos firmes; e gloriemo-nos na esperana da glria de Deus" (Rm 5.1,2). Observe a frase "por intermdio de quem obtivemos 
acesso". A palavra grega significa "introduzir  presena da realeza". Duas vezes em Efsios, Paulo recorda nosso direito de adentrarmos  presena de Deus.
"Por causa daquilo que Cristo fez por ns podemos ir a Deus o Pai" (Ef 2.18 BV).
"Agora podemos entrar sem medo nenhum na presena de Deus..." (Ef 3.12 BV).
      
      Cristo encontra voc do lado de fora da sala do trono, toma-o pela mo, e o introduz  presena de Deus. Uma vez ali, encontramos graa, no condenao; misericrdia, 
no punio. Onde nunca nos seria permitido uma audincia com o rei, somos agora bem-vindos em sua presena.
      Se voc  pai, entende isto. Se uma criana que voc no conhece, aparecesse  sua porta, e pedisse para passar a noite, o que voc faria?
      Provavelmente, perguntar-lhe-ia o nome e onde vive; descobriria porque est perambulando pelas ruas, e contataria os pais dela. Por outro lado, se uma criana 
entra em sua casa escoltada por seu filho, ela  bem-vinda. O mesmo  verdade com Deus. Tornando-nos amigos do Filho, ganhamos acesso ao Pai.
      Jesus prometeu: "Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, tambm eu o confessarei diante de meu Pai, que est nos cus" (Mt 10.32). Porque 
somos amigo do Filho, temos entrada  sala do trono. Ele introduz-nos nesta bno da graa de Deus, de que agora desfrutamos.
      Esta ddiva no  uma visita ocasional a Deus, mas um permanente "acesso pela f a esta graa na qual agora estamos firmes" (Rm 5.2 NVI).  aqui que termina 
minha analogia com os jogadores substitutos de beisebol. Eles sabiam que seu status era temporrio. Seus privilgios durariam enquanto durasse a greve. No  assim 
conosco. Nossos privilgios duram enquanto dura a fidelidade de Deus, e esta nunca foi questionada. "Se somos infiis, ele permanece fiel; porque no pode negar-se 
a si mesmo" (2 Tm 2.13). Isaas descreve a fidelidade de Deus como o "cinto  volta dos seus rins" (Is 11.5). Davi anuncia que a fidelidade de Deus chega at os 
cus (Sl 36.5).
      Imagino que a analogia do beisebol funcionaria se o cartola conferisse-nos o status dos membros da equipe efetiva. Neste caso, nossa posio na turma dependeria 
no de nossa performance, mas de seu poder. Algum cartola j concedeu tal coisa? No sei, mas Deus o faz.
      Antes de ir adiante, note a seqncia destas bnos. A primeira bno relaciona-se ao nosso passado; temos paz com Deus porque o nosso passado est perdoado. 
A segunda bno trata do presente. Temos paz com Deus porque Jesus tem-nos apresentado ao Pai.
      Algum imagina qual a prxima bno?
Bno 3: Partilhamos a Sua Glria
      Acertou: nosso futuro, "...e nos gloriamos na esperana da glria de Deus" (Rm 5.2).
      A graa de Deus  a razo de havermos passado de pessoas cujas "gargantas so como sepulcros abertos" (Sl 5.9) a participantes da glria de Deus. Tnhamos 
sido atirados para fora; agora fomos chamados e postos para dentro.
      O que significa partilhar da glria de Deus? Posso dedicar um captulo  questo? (Por que estou lhe perguntando? O livro j foi escrito!). Venha comigo do 
mundo do beisebol e seus jogadores substitutos para a cena de um rei e um aleijado. Voc entender o que estou dizendo, em poucas pginas.
10. O Privilgio dos Indigentes
Romanos 5.6-8

"Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por ns, sendo ns ainda pecadores." Romanos 5.8

      Advertncia: O contedo deste captulo  prprio para abrir o apetite. Voc pode querer l-lo na cozinha.
      Minha primeira colocao ministerial foi em Miami, Flrida. Em nossa congregao tnhamos mais que a nossa quota de senhoras sulistas, que adoravam cozinhar. 
Eu me encaixava perfeitamente, pois era um rapaz solteiro, que adorava comer. A igreja era adepta dos jantares triviais de domingo  noite, e a cada trs meses, 
eles festejavam.
      Em algumas igrejas, os jantares "triviais" fazem jus ao nome. As cozinheiras rapam a panela, e voc tenta a sorte. No assim com essa igreja. Nossos "triviais" 
eram um grande evento. Os armazns da regio pediam-nos que os avisssemos com antecedncia, para que pudessem suprir suas prateleiras. Livros de receitas eram vendidos 
aos montes. Para as mulheres, era uma refeio extra-oficial; para os homens, uma descarada comilana.
      Para mim, era timo, uma verdadeira cornucpia. Suculentos presuntos em calda de abacaxi, feijes especiais, picles condimentados, tortas de nozes-pecs... 
(Opa, j estou babando no teclado do computador). J se perguntou por que h tantos pregadores robustos? Voc entra no ministrio para ter refeies como essas.
      Como um solteiro, eu contava com os "jantares triviais" para minha estratgia de sobrevivncia. Enquanto os outros planejavam o que cozinhar, eu estudava a 
tcnica de armazenagem dos camelos. Sabendo que deveria levar alguma coisa, eu atacava as prateleiras de minha cozinha no domingo  tarde. O resultado era deplorvel: 
uma vez levei meio pote amendoim; outra vez fiz meia dzia de sanduches de ge-lia. Uma de minhas melhores oferendas foi um saco fechado de batata frita. Outra, 
um pouco mais magra, foi uma lata de sopa de tomates, tambm fechada.
      No era muito, mas ningum nunca reclamou. De fato, o modo como agiam aquelas senhora o faria pensar que eu tinha levado o peru de ao de graas, filas recebiam 
meu pote de amendoim e o colocavam sobre a longa mesa, com os outros alimentos. Davam-me um prato e incentivavam:
      - V em frente, Max. No se acanhe. Encha o prato. E eu ia! Pur de batatas. Molho. Rosbife. Frango frito. Eu pegava um pouco de cada coisa, menos o amendoim.
      Eu chegava como um indigente, e comia como um rei! Embora Paulo nunca tenha ido a um "trivial", ele teria adorado o simbolismo. Ele diria que Cristo fez por 
ns precisamente o que aquelas senhoras faziam por mim. Ele recebeu-nos em sua mesa em virtude de seu amor e de nossa petio. No so as nossas oferendas que nos 
garantem um lugar no banquete; na verdade, qualquer coisa que levemos parecer insignificante em sua mesa.
      A admisso de nossa fome  a nica exigncia, pois, "Bem-aventurados os que tm fome e sede de justia, porque sero fartos" (Mt 5.6). Nossa fome, ento, no 
 um anseio a ser evitado, mas antes, um bem-vindo desejo a ser atendido. Nossas fraquezas no so para serem rejeitadas, mas confessadas. Note s no  este o mago 
das palavras de Paulo, quando escreve: "De fato, no devido tempo, quando ainda ramos fracos, Cristo morreu pelos mpios. Dificilmente haver algum que morra por 
um justo; pelo homem bom talvez algum tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por ns pelo fato de Cristo ter morrido em nosso favor quando ainda ramos 
pecadores." (Rm 5.6-8 NVI).
O Retrato de Um Indigente
      O retrato que Paulo faz de ns no  nada atrativo. Ns ramos "incapazes de ajudar a ns mesmos", "vivendo contra Deus", "pecadores", "inimigos de Deus" (Rm 
5.6,8,10). Tais so as pessoas por quem Cristo morreu.
      O terapeuta familiar, Paul Faulkner, conta do homem que resolveu adotar uma adolescente problemtica. Algum questionaria a lgica do pai. A menina era destrutiva, 
desobediente e desonesta. Um dia, ela veio da escola para casa, e revirou tudo  procura de dinheiro. Quando ele chegou, ela j se fora, e a casa estava de pernas 
para o ar.
      Ao saber do fato, os amigos insistiram com ele para que no finalizasse a adoo.
      - Deixe-a ir - aconselharam. - Afinal, ela no  realmente sua filha.
      A resposta dele foi simples:
      - Sim, eu sei. Mas eu disse a ela que era.
      Deus, tambm, fez um acordo para adotar o seu povo. E seu pacto no  invalidado por nossa rebelio. Uma coisa  amar-nos quando somos fortes, obedientes, 
e cordatos. Porm, e quando vasculhamos-lhe a casa, e roubamos o que  dele? Esta  a prova do amor.
      E Deus passa na prova. "Mas Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por ns, sendo ns ainda pecadores" (Rm 5.8).
      As damas de minha igreja no olhavam para mim e meu amendoim, e diziam: "Volte quando aprender a cozinhar".
      O pai no olhou para a baguna da casa, e disse: "Volte quando aprender a respeitar".
      Deus no olhou para nossas vidas confusas, e disse: "Morrerei por voc, quando voc o merecer".
      Nem Davi olhou para Mefibosete e disse: "Eu o resgatarei quando voc aprender a andar".
      Mefibo o qu?
      Mefibosete. Quando voc ouvir sua histria, compreender por que mencionei-lhe o nome. Assopre a poeira dos livros de 1 e 2 Samuel, e l voc o ver.
(E Jnatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os ps. Era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jnatas vieram de Jezreel; e sua ama o tomou 
e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu e ficou coxo; o seu nome era Mefibosete) (2 Sm 4.4).
      
      Os parntesis no versculo no so tipos. Mefibosete est entre parntesis na Bblia. O versculo no diz muito; apenas seu nome (Mefibosete), sua calamidade 
(deixado cair pela ama), sua deformidade (aleijado dos ps), e segue adiante.
      Mas isto basta para levantar algumas questes. Quem era esse menino? Por que sua histria aparece na Escritura? Por que Max Lucado o est mencionando num livro 
sobre a graa? Uma pequena volta ao passado ser til.
      Mefibosete era filho de Jnatas e neto de Saul, o primeiro rei de Israel. Saul e Jnatas tinham sido mortos na batalha, deixando o trono para ser ocupado por 
Davi. Naqueles dias, o novo rei, s vezes, demarcava seu domnio, exterminando a famlia de seu antecessor.
      Davi no pretendia seguir esta tradio, mas a famlia de Saul no sabia disso. Ento apressaram-se a fugir. O cuidado deles concentrou-se em Mefibosete, de 
cinco anos, que, aps a morte do pai e do tio, era o provvel herdeiro do trono. Se Davi tivesse a inteno de assassinar os herdeiros de Saul, esse menino seria 
o primeiro da lista. Ento a famlia fugiu. Na precipitao, Mefibosete escapuliu do colo da ama, danificando, permanentemente, ambos os ps. Pelo resto de sua vida, 
ele seria um aleijado.
      Se a histria est comeando a lhe parecer familiar,  o que deveria acontecer. Voc e Mefibosete tm muito em comum. Voc tambm no nasceu da realeza? E 
voc tambm no traz as marcas de uma queda? E no temos, cada um de ns, vivido com medo de um rei que nunca vimos?
      Mefibosete entenderia o retrato que Paulo faz de ns, indigentes: "estando ns ainda fracos..." (Rm 5.6). por aproximadamente duas dcadas, o jovem prncipe 
viveu numa terra distante, amedrontado demais para falar com o rei. Ele era fraco, incapaz de ajudar-se a si mesmo.
      Entrementes, o reino de Davi florescia. Sob a sua liderana, Israel aumentou dez vezes o seu tamanho original. Ele no conhecia derrotas em campo de batalha, 
nem insurreio em sua corte. Israel estava em paz. O povo estava agradecido. E Davi, o pastor feito rei, no esquecera a promessa feita a Jnatas.
A Promessa de Um Rei
      Davi e Jnatas eram como duas teclas num piano. Separados, faziam msica; juntos, harmonia. Jnatas amava a Davi "com todo o amor da sua alma" (1 Sm 20.17). 
Sua legendria amizade encontrou sua prova mxima no dia em que Davi ouviu que Saul tentava mat-lo. Jnatas empenhou-se para salvar Davi, e pediu em troca um favor 
ao amigo: "Nem tampouco cortars da minha casa a tua beneficncia eternamente; nem ainda quando o Senhor desarraigar da terra a cada um dos inimigos de Davi. Assim 
fez Jnatas aliana com a casa de Davi (1 Samuel 20.15,16).
      Voc reconhece que essa era uma terna lembrana para Davi? Pode imagin-lo refletindo sobre esse momento, anos mais tarde? Da sacada do palcio, contemplando 
a cidade salva. Cavalgando em seu corcel, atravs dos campos abundantes. Vestido em sua armadura, inspecionando seu competente exrcito. Em algum momento foi ele 
dominado pela gratido? Alguma vez pensou: "No houvesse Jnatas salvo a minha vida, nada disso teria acontecido"?
      Talvez, um desses momentos de reflexo o tenha levado a voltar-se para os servos e perguntar: "H ainda algum que ficasse da casa de Saul, para que lhe faa 
bem por amor de Jnatas?" (2 Sm 91).
      Aqueles que esto nas garras da graa so conhecidos por fazerem semelhantes indagaes. "Posso fazer algo por algum?" "Posso ser bondoso com algum, assim 
como outros tm sido bondosos comigo?" Isto no  uma manobra astuta. Davi no procurou fazer o bem a fim de ser aplaudido pelas pessoas. Nem fez alguma coisa, esperando 
que fizessem o mesmo por ele. Mas foi movido pelo singular pensamento de que ele tambm j fora fraco, E em sua fraqueza, fora ajudado. Enquanto se escondia de Saul, 
cabia-lhe bem o epitfio de Paulo: "Quando ramos incapazes de ajudar a ns mesmos" (Rm 5.6).
      Davi obtivera livramento; agora desejava fazer o mesmo. Um servo chamado Ziba conhecia um descendente. "Ainda h um filho de Jnatas, aleijado de ambos os 
ps. E disse-lhe o rei: Onde est? E disse Ziba ao rei: Eis que est em casa de Maquir, filho de Amiel, em LoDebar" (2 Sm 9.3,4).
      Apenas uma sentena e Davi soube que havia mais do que ele esperava. O menino era "aleijado de ambos os ps". Quem teria culpado Davi por perguntar a Ziba: 
"H alguma outra opo? Algum membro saudvel da famlia?"
      Quem o culparia por raciocinar:
"Um aleijado no se adaptar  multido do castelo. Apenas a elite anda por estes pavimentos; este menino nunca poder andar! E que serventia teria ele? Sem sade, 
sem educao, sem treino. E quem sabe que aparncia ele tem? Todos esses anos, vivendo em... como  mesmo? LoDebar? At o nome parece "lodo e barro". Certamente 
h algum que eu possa ajudar, que no seja to pauprrimo".
      
      Mais tais palavras nunca foram pronunciadas. A nica resposta de Davi foi: "Onde est esse filho?" (v.4).
      Esse filho. H quanto tempo Mefibosete no recebia a designao de filho? Em todas as referncias anteriores, fora chamado de aleijado. Em cada meno, seu 
nome  seguido de sua desvantagem. Todavia, as palavras de Davi no fizeram meno de sua deficincia. Ele no perguntou: "Onde est Mefibosete, essa criana problemtica?" 
Mas sim: "Onde est esse filho?"
      Alguns de vocs sabem o que significa carregar um estigma. A cada vez que seu nome  mencionado, sua calamidade o acompanha.
      "Tem tido notcias de Joo, ultimamente? Voc sabe, aquele colega divorciado".
      "Recebemos uma carta de Jerry. Lembra dele? O alcolatra". "Sharon est na cidade. Que humilhao ela ter criado sozinha aqueles meninos".
      "Vi Melissa hoje. No sei por que ela no consegue parar num emprego".
      Como um irmo incmodo, seu passado o segue onde quer que voc v. No h ningum que o veja pelo que voc , e no pelo que voc faz? Sim. Existe um que o 
v pelo que voc . Seu Rei. Quando Deus fala de voc, no menciona sua situao, dor, ou problema; ele o deixa partilhar da sua glria. Ele o chama de filho.
      
"No repreender perpetuamente, nem para sempre conservar a sua ira.
No nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniqidades.
Pois quanto o cu est elevado acima da terra, assim  grande a sua benignidade para com os que o temem.
Quanto o oriente est longe do ocidente, tanto tem ele afastado de ns as nossas transgresses.
Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.
Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos p" (Sl 103.9-14).
      
      Mefibosete carregou seu estigma por vinte anos. Quando lhe mencionavam o nome, mencionavam-lhe o problema. Porm quando o rei pronunciou-lhe o nome, chamou-o 
de "filho". E uma palavra vinda do palcio equivale a mil vozes nas ruas.
      Os mensageiros de Davi rumaram para a casa de Mefibosete, puseram-no em uma carruagem, e escoltaram-no at o palcio. Ele foi levado  presena do rei, onde 
prostrou-se com o rosto em terra, e confessou: "Eis aqui teu servo" (2 Sm 9.6). Seu temor era compreensvel. Embora ele tivesse ouvido falar da bondade de Davi, 
quem lha garantiria? Apesar de os emissrios lhe haverem dito que Davi no pretendia fazer-lhe mal, ele estava amedrontado. (Voc no estaria?) A ansiedade estava 
naquela face que se inclinava ao cho. As primeiras palavras de Davi para ele foram: "No tenha medo".
      De igual modo, seu Rei  conhecido por dizer o mesmo. J notou que a maioria das ordens repetidas pelos lbios de Jesus era: "No temas"? J observou que a 
ordem celeste para no temer aparece em cada livro da Bblia?
      Mefibosete fora chamado, encontrado, e resgatado, mas ainda precisava de garantia. O apstolo aponta a cruz como nossa garantia do amor de Deus. "Deus prova 
o seu amor para conosco em que Cristo morreu por ns, sendo ns ainda pecadores" (Rm 5.8). Deus provou seu amor por ns atravs do sacrifcio de seu Filho.
      No passado, Deus enviara profetas a pregar; agora, enviou seu Filho para morrer. No passado, Deus comissionara anjos a ajudar; agora, ofereceu seu Filho para 
redimir. Quando trememos, ele aponta o sangue derramado no madeiro e conforta: "No tenha medo".
      Durante os primeiros dias da guerra civil americana, um soldado da Unio foi preso por desero. Incapaz de provar sua inocncia, foi condenado e sentenciado 
 morte dos desertores. Sua apelao foi parar na mesa de Abrao Lincoln. O presidente compadeceu-se do soldado e assinou um indulto. O soldado retornou ao servio, 
lutou durante toda a guerra, e foi morto na ltima batalha. No bolso de sua camisa, foi encontrada a carta assinada pelo presidente.
      Cercando o corao do soldado, estavam as palavras de perdo de seu lder. Ele achara coragem na graa. Pergunto-me quantos milhares mais acharam coragem na 
cruz enaltecida de seu Rei.
O Privilgio da Adoo
      Assim como Davi cumpriu sua promessa a Jnatas, Deus cumpre-nos a sua. O nome Mefibosete significa "o que despedaa a desonra". E era isto, exatamente, o que 
Davi pretendia fazer pelo jovem prncipe.
      Logo em seguida, Davi devolveu a Mefibosete todas as suas terras, colheitas, e servos, e insistiu que o aleijado comesse da mesa do rei. No apenas uma vez, 
mas para sempre!
"E te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu de contnuo conters po  minha mesa".
"Mefibosete... de contnuo comer po  minha mesa".
"Porm Mefibosete comer po  minha mesa como um dos filhos do rei".
"Morava, pois, Mefibosete em Jerusalm, porquanto de contnuo comia  mesa do rei; e era coxo de ambos os ps" (2 Sm 97,10,11,13 itlicos meus).
      
      Pare e visualize a cena na sala de jantar real. Posso novamente passar minha pena a Charles Swindoll a fim de ajudar voc?

A sineta ressoa atravs do palcio, anunciando o jantar. Davi chega e senta-se  cabeceira da mesa. Em poucos minutos, Amnon - esperto e astucioso Amnon - senta-se 
 esquerda de Davi. A adorvel e graciosa Tamar, uma jovem bonita e atraente, aproxima-se e senta-se ao lado de Amnon. E ento, atravessando o recinto, Salomo caminha 
lentamente, vindo de seus estudos; precoce, brilhante, preocupado Salomo. O virtual herdeiro senta-se devagar. E a, Absalo - bonito, encantador Absalo, com 
seus cabelos bastos e ondulados, negros como um corvo, descendo-lhe pelos ombros - assenta-se tambm. Nessa noite particular, Joabe, o corajoso guerreiro e comandante 
das tropas de Davi, foi convidado a jantar. Musculoso, bronzeado, Joabe senta-se perto do rei. Posteriormente, eles esperam. Ouve-se o arrastar de ps, o tum, tum, 
tum das muletas, enquanto Mefibosete, um tanto desajeitado, encontra seu lugar  mesa, escorrega para o assento e... a toalha da mesa cobre-lhe os ps. Pergunto-lhe: 
Mefibosete compreendeu a graa?
      
      E eu lhe pergunto: voc v nele a nossa histria?
      Filhos da realeza, aleijados por uma queda, permanentemente desfigurados pelo pecado. Vivendo de modo parenttico nas crnicas da terra, apenas para ser lembrado 
pelo rei. Movido no por nossa formosura, mas por sua promessa, ele chamou-nos a si, e convidou-nos a tomar lugar  sua mesa. Embora s vezes coxeemos mais do que 
andamos, tomamos nosso lugar junto a outros pecadores-tornados-santos, e partilhamos a glria de Deus.
      Posso partilhar com voc algumas das coisas que o esperam na mesa do rei?
      Voc est alm da condenao (Rm 8.1).
      Voc est liberto da lei (Rm 7.6).
      Voc est perto de Deus (Ef 2.13).
      Voc est livre do poder do mal (Cl 1.13).
      Voc  um membro do reino de Deus (Cl 1.13).
      Voc est justificado (Rm 5.1).
      Voc  perfeito (Hb 10.14).
      Voc foi adotado (Rm 8.15).
      Voc tem acesso a Deus a qualquer momento (Ef 2.18).
      Voc  uma parte de seu sacerdcio (1 Pe 2.5).
      Voc nunca ser abandonado (Hb 13.5).
      Voc tem uma herana imperecvel (1 Pe 1.4).
      Voc partilha da vida de Cristo (Cl 5.4),
      de seus privilgios (Ef 2.6)
      de seus sofrimentos (2 Tm 2.12),
      e de seu servio (1 Co 1.9).
      
     Voc  um:
      
      Membro do seu corpo (1 Co 12.13).
      Ramo na videira (Jo 15.5).
      Pedra no edifcio (Ef 2.19-22).
      Noiva ataviada (Ef 5.25-27).
      Sacerdote na nova gerao (1 Pe 2.9).
      Habitao do Esprito (1 Co 6.19).
      
      Voc possui (guarde isto!) todas as bnos espirituais possveis 
      
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abenoou com todas as bnos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3).
      
      Este  o presente oferecido ao mais humilde pecador da terra. Quem poderia fazer tal oferta, seno Deus? "E todos ns recebemos tambm da sua plenitude, com 
graa sobre graa" (Jo 1.16).
      Paulo declara-nos tudo ao perguntar:
      Voc j experimentou algo como este extravagante amor de Deus, esta profunda sabedoria? Est alm de nossa mente. Nunca o calcularemos com exatido.

" profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quo insondveis so os seus juzos, e inescrutveis os seus caminhos!
Quem conheceu a mente do Senhor?
Ou quem foi seu conselheiro
Quem primeiro lhe deu para que ele o recompense?
Pois dele, por ele e para ele so todas as coisas.
A ele seja a glria para sempre! Amm." (Rm 11.33-36).
      
       semelhana de Mefibosete, somos filhos do Rei. E, como me acontecia em Miami, nossas maiores oferendas, comparadas ao que nos  dado, no passam de amendoins.
      
III Parte  - QUE DIFERENA!
Onde a graa de Deus  omitida, nasce a amargura. Onde a graa de Deus  abraada, floresce o perdo.
Quanto mais passeamos no jardim, mais semelhante ao das flores  o nosso aroma.
Quanto mais imergimo-nos na graa, mais graa concedemos.
      
11. A Graa Funciona
Romanos 6.11,12

Ns, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Romanos 6.2 NVI

      s vezes dou dinheiro no final do sermo. No para pagar os ouvintes (embora alguns possam achar que o meream). Ofereo um dlar a qualquer um que o aceite. 
Dinheiro de graa. Um presente. Convido qualquer um, que queira o dinheiro, a vir peg-lo.
      A reao  previsvel. Uma pausa. Alguns ps se arrastam. Uma esposa cutuca o marido, e ele sacode a cabea. Um adolescente comea a levantar-se, mas ento 
se lembra de sua reputao. Uma criana de cinco anos comea a mover-se pelo corredor, e sua me a puxa de volta. Finalmente algum corajoso (ou pobre de esprito) 
levanta-se e anuncia:
      -  Eu irei peg-lo.
      O dlar  dado, e a aplicao se inicia.
      - Por que vocs no aceitaram a minha oferta? - Pergunto ao restante.
      Alguns dizem que ficaram embaraados. O ganho no compensa o sofrimento. Outros temiam uma pegada. E h aqueles cujas carteiras esto gordas. O que significa 
um dlar para que tem cem?
      E ento vem a indagao bvia: "Por que as pessoas no aceitam o dom gratuito de Cristo?" As respostas so similares: Algum est muito embaraado. Aceitar 
perdo  admitir pecado, um passo que somos lentos em dar. Outros temem um truque. Quem sabe se no h algum detalhe do acordo escrito em letras midas na Bblia? 
Outros pensam: Quem precisa de perdo, quando se  to bom quanto eu?
      Embora a graa seja disponvel a todos,  aceita por poucos. Muitos preferem sentar e esperar, enquanto poucos escolhem levantar e confiar.
      Comumente, esse  o fim. A lio  completada, eu fico um dlar mais pobre, algum fica um dlar mais rico, e todos ns ficamos um pouco mais sbios. De qualquer 
modo, aconteceu algo, h umas duas semanas, que deu  prtica uma nova dimenso. Myrtle foi quem disse sim ao dlar. Eu fizera a oferta, e estava esperando por um 
aceitador, quando ela levantou a voz:
      - Eu aceito!
      Ela veio rapidamente, e eu dei-lhe o dlar. Ela retornou ao assento, eu terminei minha prdica, e todos voltamos para casa.
      Procurei-a, alguns dias depois, e perguntei-lhe pelo dinheiro de meu sermo.
      - Voc ainda est com o dlar?
      - No.
      - Gastou-o?
      - No, dei-o embora - respondeu ela. - Quando voltei a sentar, um menino perguntou-me se poderia ficar com ele. "Claro", disse eu. "Foi um presente para mim; 
 um presente para voc".
      Puxa, isto no diz nada? To simplesmente como o recebeu, ela o deu. To facilmente quanto veio, se foi. O menino no implorou, nem ela relutou. Como podia 
ela, a quem fora dado um presente, no dar outro em retribuio? Ela estava presa nas garras da graa.
      Usaremos estes ltimos captulos para discutir o impacto da graa. Agora que j consideramos a desordem que fizemos, e o Deus que temos, vamos refletir sobre 
a diferena que a graa faz em nossas vidas. Qual  exatamente o aspecto de um cristo conduzido pela graa?
A Graa liberta-nos
      Em Romanos 6, Paulo faz-nos a pergunta crucial: "Ns, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?" (v.2). Como podemos ns, que temos 
sido justificados, no viver justamente? Como podemos ns, que temos sido amados, no amar tambm? Como podemos ns, que temos sido abenoados, no abenoar? Como 
podemos ns, a quem tem sido dado graa, no viver graciosamente?
      Paulo parece chocado com tal possibilidade! Como poderia a graa resultar em qualquer coisa que no um viver gracioso? "Continuaremos pecando para que a graa 
aumente? De maneira nenhuma!" (vv. 1, 2a).
      O termo para esta filosofia  antinomianismo: anti significa "contra", e nomi, "lei moral". Os promotores da idia vem a graa mais como uma razo para se 
fazer o mal, do que para se fazer o bem. A graa concede-lhes um brev para o mal. Quanto piores forem os meus atos, melhor Deus parecer. Esta no  a primeira 
referncia de Paulo sobre o assunto. Lembra-se de Rm 3.7? "Algum pode alegar ainda: Se a minha mentira ressalta a veracidade de Deus, aumentando assim a sua glria, 
por que sou condenado como pecador?" (NVI).
      Que desculpa! Vocs mes no a tolerariam. Pode imaginar seu adolescente dizendo: "Mame, vou deixar meu quarto bagunado, assim toda a vizinhana poder ver 
que boa dona de casa  voc"? Um patro no deixaria o empregado pretextar: "A razo da minha preguia  dar a voc uma oportunidade de mostrar o seu perdo". Ningum 
respeitaria um mendigo que recusasse trabalho, alegando: "Estou dando ao governo a oportunidade de demonstrar sua benevolncia".
      Zombaramos de tal hipocrisia. No a toleraramos, e no a cometeramos.
      Ou sim? Vamos responder isto devagar. Talvez no pequemos para que Deus possa conceder graa, mas... fazemo-lo sabendo que Ele conceder graa? Transigimos 
esta noite, sabendo que amanh confessaremos?
       fcil ser como o homem que, em visita a Las Vegas, ligou ao pastor, querendo saber a hora do culto de domingo. O pastor ficou impressionado:
      - A maioria das pessoas que vem a Las Vegas no se importa em ir  igreja.
      - Oh, no vim para ir  igreja. Estou aqui para ir aos jogos, s festas e s mulheres. Se eu tiver metade da diverso que pretendo ter, precisarei ir  igreja 
domingo de manh.
       esta a inteno da graa?  a meta de Deus promover a desobedincia? Improvvel. "Porque a graa... nos ensina a renunciar  impiedade e s paixes mundanas 
e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente" (Tt 2.11,12). A graa de Deus libertou-nos do egosmo. Por que retornar?
A Pena Foi Paga
      Pense deste modo. O pecado aprisionou voc. O pecado trancou voc atrs das grades da culpa, da vergonha, da decepo e do medo. O pecado no fez nada, mas 
acorrentou voc ao muro da misria. Ento Jesus veio e  pagou sua fiana. Cumpriu a sua pena; satisfez a penalidade e colocou-o em liberdade. Cristo morreu, e quando 
voc lanou sua sorte com Ele, seu velho eu tambm morreu.
      O nico modo de se ver livre da priso do pecado  cumprindo a sua penalidade. Neste caso, a pena  a morte. Algum tem de morrer; voc ou um substituto celeste. 
Voc no pode deixar a priso a menos que haja uma morte. Porm esta ocorreu no Calvrio. E quando Jesus morreu, voc morreu para a reivindicao do pecado em sua 
vida. Voc est livre.
      Prximo a So Jos dos Campos, em So Paulo, Brasil, h algo simplesmente notvel. H vinte anos, o governo brasileiro colocou um presdio sob a direo de 
dois cristos. A instituio recebeu o novo nome de Humait, e o plano era faz-la funcionar dentro dos princpios cristos. Excetuando-se o trabalho das duas equipes 
de tempo integral, todo o servio era feito pelos reclusos. Famlias de fora da priso adotavam um recluso e trabalhavam com ele, durante e depois de sua pena. Chuck 
Colson visitou a priso, e escreveu esta reportagem:

Quando visitei Humait, encontrei os reclusos sorrindo - particularmente o assassino que segurava as chaves, e que abriu o porto e deixou-me entrar. Por onde andei, 
vi homens em paz. Vi recintos limpos, e pessoas trabalhando industriosamente. As paredes estavam decoradas com versculos bblicos, dos livros de Salmos e Provrbios... 
Meu guia escoltou-me  cela outrora usada para torturas. Hoje, contou-me ele, o cubculo abriga um nico recluso. Quando chegamos ao final do longo cor-
redor de concreto, ele ps a chave na fechadura. Fez ento uma pausa, e perguntou-me:

- Tem certeza de que quer entrar?
- Claro! Repliquei impaciente. - Tenho visto celas de isolamento em todo o mundo.
Vagarosamente, ele empurrou a pesada porta, e eu avistei o prisioneiro daquela solitria: um crucifixo lindamente esculpido pelos reclusos - o prisioneiro Jesus 
Cristo, pendurado na cruz.
- Ele est fazendo a vez de todos ns - disse meu guia, suavemente.

      Cristo tomou o seu lugar. Voc no precisa permanecer na cela. J ouviu um prisioneiro liberto dizer que quer continuar preso? Nem eu. Quando as portas se 
abrem, os prisioneiros se vo.  inconcebvel o pensamento de algum preferindo a jaula  liberdade. Uma vez paga a penalidade, por que viver em cativeiro? Voc 
est solto da penitenciria do pecado. Por que,  cus, voc haveria de querer pr os ps nessa priso outra vez?
      Paulo recorda-nos: "O nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que no sirvamos mais ao pecado, porque 
aquele que est morto, est justificado do pecado" (Rm 6.6, 7).
      Ele no est dizendo que  impossvel ao crente pecar; mas que  estupidez faz-lo. "No  a impossibilidade literal... mas a incongruncia moral", de um salvo 
retornar ao pecado.
      O que tem a priso para que voc a deseje? Est sentindo falta da culpa? Est com saudades da desonestidade? Tem lembranas ternas da vida mentirosa? A vida 
era melhor quando voc era rejeitado e escorraado? Voc tem vontade de ver outra vez um pecador no espelho?
      No faz sentido voltar  priso.
O Voto Foi Feito
      No apenas um preo tem sido pago, como um voto tem sido feito. "Ou no sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?" 
(Rm 6.3).
      O batismo no era um costume casual, ou um ritual. O batismo era, e , "o compromisso de uma boa conscincia diante de Deus" (1 Pe 3-21 NVI).
      A elevada considerao de Paulo pelo batismo  demonstrada no fato de que ele sabia que seus leitores tinham sido inteirados da importncia do mesmo. "Ou vocs 
no sabem que todos ns, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte?" (Rm 6.3 NVI, itlico meu).
      Que espcie de amnsia  esta? Como uma noiva horrorizada ao ver seu marido flertando com outras mulheres na festa do casamento, Paulo pergunta: "Esqueceram-se 
de seus votos?"
      De fato, o batismo  um voto; um voto sagrado que o crente faz de seguir a Cristo. Assim como o casamento celebra a fuso de dois coraes, o batismo celebra 
a unio do pecador com o Salvador. Tornamo-nos parte de Cristo ao sermos batizados.
      A noiva e o noivo compreendem todas as implicaes do casamento? No. Conhecem cada desafio ou ameaa que enfrentaro? No. Entretanto, eles sabem que se amam, 
e juram ser fiis at o fim.
      Quando um corao disposto entra nas guas do batismo, conhece as implicaes do voto? No. Conhece cada tentao ou desafio? No. Conhece porm o amor de 
Deus, e o est correspondendo.
      Por favor, entenda, no  o ato que nos salva. Mas ele simboliza como fomos salvos! A ao invisvel do Esprito Santo  visivelmente dramatizada na gua.

A imerso nas guas correntes foi como uma morte; a pausa momentnea, antes que eles viessem para cima, como um sepultamento; e o pr-se ereto novamente no ar e 
 luz solar, como uma ressurreio.

      Tire os sapatos, curve a cabea, dobre os joelhos; este  um evento sagrado. Batismo no  para ser tratado levianamente.
      Retornar ao pecado aps selar nossas almas no batismo,  como cometer... bem,  como cometer adultrio em plena lua-de-mel. Pode imaginar a perturbada esposa 
descobrindo seu marido nos braos de outra mulher, poucos dias depois de t-lo ouvido jurar no altar? Em meio a suas veementes palavras, viria a indagao: "Esqueceu-se 
do que me disse?"
      Semelhantemente, Deus pergunta: "Nossa unio no significa nada para voc? Nosso pacto  to frgil, que voc preferiu os braos de uma meretriz aos meus?"
      Quem, em s conscincia, abandonaria esses votos? Quem se afligiria por voc mais que o prprio Cristo? Temos nos esquecido de como era a vida antes do batismo? 
Temos nos esquecido da desordem em que vivamos antes de nos unirmos a Ele? Escolhi a palavra desordem intencionalmente. Posso partilhar uma desordem da qual me 
alegro por estar fora? Meu apartamento de solteiro.
Exposto a um Critrio Superior
      Dentre todos os nomes de que tenho sido chamado, nenhum nunca me acusou de ser um manaco por limpeza. Na verdade j fui bem porcalho. No que minha me no 
tivesse tentado. E no que ela no tivesse obtido sucesso. Enquanto eu estava sob o seu teto, eu empilhava meu prato e apanhava minhas roupas. Mas uma vez que fiquei 
livre, fiquei livre de fato.
      Na maior parte de minha vida eu fora um relaxado. Eu era lento em ver a lgica do asseio. Por que arrumar a cama, se voc vai dormir nela esta noite, outra 
vez? Faz sentido lavar loua aps uma nica refeio? No seria mais fcil deixar suas roupas no cho, aos ps da cama, assim elas estariam l quando voc se levantasse 
e as fosse vestir? Qual a vantagem de se colocar a tampa no tubo de pasta de dente  noite, s para ter de remov-lo pela manh?
      Eu era to coercivo quanto qualquer um, s que eu era coercivo quanto a ser desordenado. A vida era to curta para se ficar unindo pares de meias!
      Ento casei-me.
      Denalyn era to paciente. Ela disse que no se importaria com meus hbitos... se eu no me importasse de dormir do lado de fora. Desde ento, comecei a mudar.
      Inscrevi-me num programa de doze passos para o porcalho. ("Meu nome  Max, odeio passar aspirador de p.") Um terapeuta fsico ajudou-me a redescobrir os 
msculos usados para pendurar camisas e colocar papel higinico no rolete. Meu nariz foi reapresentado  fragrncia de Pinho Sol. Quando os pais de Denalyn vieram 
visitar-nos, eu era um novo homem. Pude passar trs dias sem jogar as meia atrs do sof.
      Mas ento veio a hora da verdade. Denalyn foi passar uma semana fora. Inicialmente voltei ao velho homem. Calculei que pudesse ser um porcalho por seis dias, 
e um homem limpo no stimo. Mas algo estranho aconteceu; um curioso desconforto. No pude relaxar com a loua suja sobre a pia. Quando vi no cho um saco de batata 
frita vazio, eu - tire o chapu para mim - abaixei-me e o apanhei! E eu realmente pendurava minha toalha de banho de volta no cabide. O que me tinha acontecido?
      Simples. Eu havia sido exposto a um critrio superior.
      No foi isso o que aconteceu conosco? No  essa a essncia do argumento de Paulo? Como poderamos ns, que fomos libertos do pecado, tornar para ele? Antes 
de Cristo, nossa vida andava fora de controle, emporcalhada e indulgente. Nem mesmo sabamos que ramos relaxados, at encontrarmo-nos com Ele.
      Ento Ele agiu. A coisas comearam a mudar. O que atirvamos por toda parte, comeamos a organizar. O que descurvamos, comeamos a cuidar. O que antes fora 
desordem comeou a entrar em ordem. Oh, houve, e ainda h, lapsos ocasionais de pensamentos e atos, mas em geral, Ele colocou nossa casa em ordem.
      De repente, achamo-nos a ns mesmos desejando fazer o bem. Voltar a velha desordem? T brincando?! "Mas, graas a Deus, porque, embora vocs tenham sido escravos 
do pecado, passaram a obedecer de corao  forma de ensinos que lhes foi transmitida. Vocs foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justia" (Rm 6.17,18 
NVI).
      Pode um prisioneiro liberto retornar ao confinamento? Sim. Porm deixe-o recordar as paredes cinzas e as noites longas. Pode um recm-casado esquecer seus 
votos? Sim. Mas deixe-o lembrar seu juramento sagrado e sua noiva encantadora. Pode um relaxado transformado tornar a ser desordeiro? Sim. Porm deixe-o considerar 
a diferena entre a imundcie de ontem e a pureza de hoje.
      Pode algum que recebeu um dom, de graa, no partilh-lo com outros? Possivelmente. Porm deixe-o recordar Myrtle. Deixe-o lembrar que ele, como ela, recebeu 
uma ddiva. Deixe-o lembrar que tudo na vida  um presente da graa. E deixe-o lembrar que a chamada da graa  para viver uma vida graciosa.
       como a graa funciona.
12. Voltando-se a si Mesmo
Lucas 22.54-62
Miservel homem que eu sou! Romanos 7.24

      Charles Robertson deveria ter-se voltado a si mesmo. No que isso o tivesse absolvido; ele roubara um banco. Mas pelo menos no teria sido o bobalho de Virgnia 
Beach.
      Sem dinheiro, Robertson, de dezenove anos, foi ao Banco Jefferson State, numa quarta-feira  tarde, preencheu um pedido de emprstimo, e saiu. Aparentemente, 
mudou de idia sobre o emprstimo e optou por um plano mais rpido. Retornou dentro de duas horas, com uma pistola, um saco, e um bilhete exigindo dinheiro. O contador 
obedeceu e, num instante, Robertson estava segurando o produto do assalto.
      Imaginando que a polcia j estivesse velozmente a caminho, ele precipitou-se pela porta da frente. J estava a meio caminho para o carro, quando compreendeu 
que deixara o bilhete.. Temendo que este pudesse ser usado como uma evidncia contra ele, Robertson correu de volta ao banco, e tomou-o das mos do contador. Ento, 
segurando o bilhete e o dinheiro, correu um quarteiro at o carro estacionado. Foi quando percebeu que, ao retornar para pegar o bilhete, deixara as chaves no guich.
      "A esta altura", contou rindo um detetive, "instalara-se o pnico".
      Robertson meteu-se apressado num restaurante tipo fast food. Removeu uma placa do teto, e escondeu ali o dinheiro e a arma calibre 25. Fugindo rapidamente 
pelas ruelas, e esgueirando-se por trs dos carros, finalmente chegou ao seu apartamento, onde seu colega, que nada sabia do roubo, recebeu-o com estas palavras: 
- Preciso do meu carro.
      Veja voc, o veculo de fuga de Robertson era emprestado. Em vez de confessar o crime e admitir o erro, ele enfiou a p mais uma vez na lama, aprofundando 
o buraco.
      - Ih, seu carro foi roubado - mentiu ele.
      Enquanto Robertson olhava em pnico, o colega chamou a polcia para comunicar o roubo do veculo. Mais ou menos vinte minutos depois, um oficial descobriu 
o carro "roubado" a uma quadra do banco recm-assaltado. Ele j fora avisado pelo rdio que o ladro esquecera as chaves. O oficial somou dois mais dois e experimentou 
as chaves no carro. Elas funcionaram.
      Os detetives foram ao endereo da pessoa que anunciara o roubo do carro. L, encontraram Robertson. Ele confessou, foi acusado formalmente de roubo, e posto 
na cadeia. Sem fiana. Sem emprstimo.
      Tem dias que  difcil fazer direito alguma coisa. At mesmo uma coisa errada  difcil fazer certo. Robertson no  o nico. Temos feito o mesmo. Talvez no 
tenhamos pegado dinheiro, mas quem sabe tenhamos levado vantagem, ou tomado poder, ou perdido o senso e, como o ladro, tratado de nos safar. Percorrendo as vielas 
da fraude. Escondendo-se atrs de edifcios de trabalho a ser feito, ou deixando passar o prazo. Embora tentemos agir normalmente, qualquer um que nos olhe de perto 
pode ver que estamos em fuga: olhos dardejantes e mos inquietas, paroleamos nervosamente. Comprometidos com o encobrimento da verdade, maquinamos e torcemos, mudando 
o assunto e a direo. No queremos que ningum saiba da verdade, especialmente Deus.
      Porm desde o princpio, Deus tem apelado para a honestidade. Ele nunca reclamou perfeio, mas tem esperado veracidade. J nos longnquos dias de Moiss, 
Deus afirmou:
"Mas se confessarem a sua iniqidade, e a iniqidade de seus pais, na infidelidade que cometeram contra mim; como tambm que andaram contrariamente para comigo, 
pelo que tambm fui contrrio a eles, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se o seu corao incircunciso se humilhar, e tomarem eles por bem o castigo da 
sua iniqidade, ento me lembrarei da minha aliana com Jac, e tambm da minha aliana com Isaque, e tambm da minha aliana com Abrao, e da terra me lembrarei" 
(Lv 26. 40-42 RA).

Corao Honesto, Adorao Honesta
      Neemias conhecia o valor da honestidade. Ao ouvir dos muros cados de Jerusalm, culpou Deus? Responsabilizou o cu? Improvvel. Leia sua orao: "Estejam, 
pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para ouvires a orao do teu servo, que eu hoje fao perante ti, de dia e de noite, pelos filhos de Israel, 
que pecamos contra ti; tambm eu e a casa de meu pai pecamos. De todo nos corrompemos contra ti e no guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juzos que 
ordenaste a Moiss teu servo" (Ne 1.6,7).
      Aqui est o segundo homem mais poderoso do reino, olhando para dentro de si mesmo, assumindo a responsabilidade pela decadncia de seu povo. Todavia, a cena 
de sua confisso pessoal nada , comparada ao dia do arrependimento nacional. "E a gerao de Israel se apartou de todos os estranhos, e puseram-se em p e fizeram 
confisso dos seus pecados e das iniqidades de seus pais. E, levantando-se no seu posto, leram no livro da Lei do Senhor, seu Deus, uma quarta parte do dia; e na 
outra quarta parte, fizeram confisso; e adoraram o Senhor, seu Deus" (Ne 9. 2,3).
      Voc pode imaginar o evento? Centenas de pessoas passando horas em orao, no fazendo peties, mas confisses. "Sou culpado, Deus". "Tenho falhado contigo, 
Pai".
      Tal honestidade pblica  comum na Escritura. Deus instruiu o sumo sacerdote: "E Aro por ambas as mos sobre a cabea do bode vivo e sobre ele confessar 
todas as iniqidades dos filhos de Israel e todas as suas transgresses, segundo todos os seus pecados; e os pors sobre a cabea do bode... Assim aquele bode levar 
sobre si todas as iniqidades deles  terra solitria. E o homem enviar o bode ao deserto" (Lv 16.21,22).
      Por fora desse drama, o povo aprendeu que Deus despreza o pecado e trata dele. Para que a adorao fosse honesta, os coraes tinham de ser honestos.
A Motivao da Verdade
      A confisso  para a alma o que o preparo da terra  para o campo. Antes de semear, o fazendeiro trabalha a terra, removendo pedras e arrancando tocos. Ele 
sabe que a semente cresce melhor quando o solo  preparado. A confisso  um convite para Deus passear pelos acres de nosso corao. "H uma pedra de ganncia aqui, 
Pai; eu no consigo remov-la. E aquele tronco de culpa perto da cerca? Suas razes so longas e profundas. E, posso mostrar-lhe o solo seco, encrostado demais para 
o plantio?" A semente de Deus cresce melhor se o solo do corao  roado.
      E ento, o Pai e o Filho andam juntos pelo campo; cavando e arrancando, preparando o corao para frutificar. A confisso convida o Pai a trabalhar o solo 
da alma.
      A confisso busca o perdo de Deus, no a anistia. Perdo presume culpa; anistia, derivada da mesma palavra grega para amnsia, "esquece" a suposta ofensa 
sem imputar culpa. A confisso admite erro e busca remisso; a anistia nega o erro e reivindica inocncia.
      Muitos proferem um pedido de perdo, quando na realidade esto pretendendo uma anistia. Conseqentemente, nossa adorao  fria (Por que agradecer a Deus por 
uma graa de que no necessitamos?), e nossa f  fraca (Lidarei com os meus erros sozinho, obrigado.) Somos melhores em manter Deus de fora do que em convid-lo 
a entrar. No domingo de manh, ocupamo-nos em preparar o corpo para adorar, preparar o cabelo para adorar, preparar as roupas para adorar... mas e o preparo da alma?
      Estou enganado, quando digo que muitos de ns vamos  igreja s carreiras? Estou por fora, quando digo que muitos de ns passamos a vida na correria?
      Estou exagerando o caso quando anuncio: "Graa significa que voc no tem mais de correr!"?  a verdade. Graa significa estar finalmente seguros para voltar-nos 
 ns mesmos.
Um Modelo de Verdade
      Pedro o fez. Lembra-se de Pedro? "Rutilou a espada e negou o Senhor". Pedro? O apstolo que jactou-se num minuto e  fugiu no outro? Ele tirou uma soneca quando 
deveria ter orado. Negou, quando deveria defender. Praguejou, quando deveria confortar. Correu, quando deveria ficar. Recordamos Pedro como algum que virou e fugiu. 
Recordamo-lo porm como aquele que virou e confessou? Deveramos.
      Tenho uma pergunta a voc.
      Como os escritores do Novo Testamento sabiam do pecado de Pedro? Quem lhes contou de sua traio? E, mais importante, quem os fez saber dos detalhes? Quem 
lhes contou da criada junto ao porto, e dos soldados partilhando o fogo? Como Mateus soube que foi o sotaque de Pedro que fez dele um suspeito? Como Lucas ficou 
sabendo do olhar fixo de Jesus? Quem contou sobre o galo cantando e as lgrimas fluindo?
      O Esprito Santo? Suponhamos que sim. Pode ser que cada escritor tenha sido instrudo acerca daquele momento por inspirao divina. Ou, mais provavelmente, 
todos souberam da traio por uma confisso honesta. Pedro voltou-se a si mesmo. Como o assaltante do banco, ele fizera o malfeito e correra. Diferente do assaltante, 
ele parou e pensou. Nalgum lugar da sombreada Jerusalm, Pedro parou de correr, caiu de joelhos, enterrou a face nas mos, e desistiu.
      Porm no apenas desistiu, como tornou-se acessvel. Ele voltou  sala onde Jesus partira o po e partilhara o vinho. (Muito j se falou dos discpulos, por 
deixarem Pedro voltar para dentro).
      L est ele, em toda a sua robustez, enchendo o vo da porta.
      - Companheiros, tenho algo explodindo em meu peito.
      E foi quando eles ficaram sabendo da fogueira, da criada e do olhar de Jesus. Foi quando eles ouviram do praguejamento e do galo cantando. Foi assim que ouviram 
a histria. Pedro voltou-se a si mesmo. Fez uma introspeco.
      Como posso ter tanta certeza? Duas razes:
     1. Ele no podia permanecer de fora. Quando chegou a notcia de que o tmulo estava vazio, quem foi o primeiro a sair correndo? Pedro. Quando veio a notcia 
de que Jesus estava na praia, quem foi o primeiro a saltar do barco? Pedro. Ele estava na correria outra vez. S que agora estava correndo na direo certa.
      Aqui est uma boa regra prtica: Aqueles que de Deus guardam segredos, guardam tambm distncia. Aqueles que com Deus so honestos vo para perto dele.
      No h nada de novo nisto. Acontece entre pessoas. Se voc me empresta seu carro, e eu o danifico, ficarei desejoso de ver voc outra vez? No. No  por coincidncia 
que o comportamento resultante do primeiro pecado foi meter-se sob os arbustos. Ado e Eva comeram o fruto, ouviram Deus no jardim, e esgueiraram-se para trs da 
folhagem.
      - Onde esto vocs - perguntou Deus, no porque precisasse. Ele sabia exatamente onde eles estavam. A questo era espiritual, no geogrfica. - Examinem onde 
vocs esto, filhos. Vocs no esto onde estavam. Vocs estavam ao meu lado; agora esto escondidos de mim.
      O segredo ergue uma cerca; a confisso constri uma ponte.
      Havia dois fazendeiros, que no podiam ficar juntos. Uma larga ravina separava as duas fazendas, mas como um sinal de sua mtua averso, cada um construiu 
uma cerca no seu lado do precipcio, para manter o outro fora.
      No obstante, a filha de um conheceu o filho do outro, e ambos se apaixonaram. Determinados a pr um fim na separao insensata de seus pais, eles derrubaram 
a cerca, e usaram a madeira para construir uma ponte sobre a ravina.
      A confisso faz isto. Pecados confessados tornam-se uma ponte sobre a qual podemos caminhar de volta  presena de Deus.
      E eis a segunda razo de eu estar seguro quanto  confisso de Pedro:
     2. Ele no podia permanecer em silncio. Apenas cinqenta dias aps negar a Cristo, Pedro est pregando Cristo. Pedro blasfemara de seu Senhor na pscoa. Contudo, 
proclamou o seu Senhor na festa. Esta no  a ao de um fugitivo. O que o levou de traidor a orador? Ele deixou Deus tratar dos segredos da sua vida. "Confessai 
as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis" (Tg 5.16).

"Se confessarmos os nossos pecados, ele  fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustia" (1 Jo 1.9).

      O fugitivo vive em temor, porm o penitente vive em paz.
A Hora da Verdade
      Repito, Jesus nunca exigiu que fssemos perfeitos; apenas honestos. "Eis que amas a verdade no ntimo" escreveu Davi (Sl 51.6). Para a maioria, porm, honestidade 
 uma virtude obstinada. "Eu, um ladro?" Perguntamos com um revolver numa mo, e o saco da pilhagem na outra.
      No foi fcil para Pedro. Ele considerava-se a si mesmo o MVA (mais valioso apstolo). Ele no fora um dos primeiros destacados? No era um dos trs escolhidos? 
No confessara a Cristo enquanto os outros silenciaram? Pedro jamais pensou precisar de ajuda, at levantar os olhos do fogo e encontrar o olhar de Jesus. "Falava 
ele ainda, quando o galo cantou. O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro" (Lc 22.60,61 NVI).
      Jesus e Pedro no so os nicos na noite, mas bem poderiam ser. Jesus est rodeado de acusadores, porm no responde. Est cercado de inimigos, porm no reage. 
O ar da noite est cheio de insultos, porm Ele no os escuta. Mas deixa um seguidor escorregar, quando deveria estar de p, e a cabea do Mestre aponta de repente, 
e seus olhos perscrutam as sombras, e o discpulo sabe.
      "O Senhor olha desde os cus e est vendo a todos os filhos dos homens; da sua morada contempla todos os moradores da terra. Ele  que forma o corao de todos 
eles, que contempla todas as suas obras" (Sl 33.13-15).
      Voc sabe quando Deus sabe. Voc sabe quando Ele est olhando. Seu corao lhe diz. Sua Bblia lhe fala. Seu espelho lhe conta. Quanto mais voc corre, mais 
complicada fica a vida. Porm to logo voc confessa, mais leve se torna o seu fardo. Davi sabia disso. Ele escreveu:

Enquanto calei os meus pecados,
envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.
Porque a tua mo pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequido de estio.
Confessei-te o meu pecado e a minha iniqidade no mais ocultei;
Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgresses; e tu perdoaste a iniqidade do meu pecado. (Sl 32.3-5).
      
      Estes versculos trazem-me  memria um erro que cometi quando era aluno do segundo grau. (Minha me me disse para no usar minhas fraquezas juvenis como ilustraes. 
Mas eu tenho tantas!). Nosso treinador de beisebol tinha uma firme regra contra mascar fumo. Contudo, havia dois jogadores conhecidos por mascar s escondidas, e 
acabaram por atrair-nos a ateno. Em breve, todos experimentaramos. Um teste seguro de masculinidade era apanhar um pedao de fumo quando a tabaqueira era passada 
por baixo dos bancos. Eu me juntara a eles; certamente no falharia no teste de masculinidade.
      Um dia, eu mal pusera um naco de fumo na boca, quando um dos jogadores avisou:
      - O treinador est chegando!
      No querendo ser apanhado, fiz o que naturalmente me ocorreu: engoli. Glub.
      Acrescentei um novo significado s Escrituras: "Senti a fraqueza profunda dentro de mim. Gemi o dia inteiro... Minhas foras se foram como o calor do vero". 
Paguei o preo por ocultar minha desobedincia.
      Meu corpo no foi feito para ingerir tabaco. Sua alma no foi feita para ingerir pecado.
      Posso fazer uma pergunta franca? Voc est mantendo algum segredo de Deus? Alguma rea restrita em sua vida? Algum poro fechado com tbuas? Ou um sto trancado? 
Algum trecho do seu passado ou presente que voc espera nunca discutir com Deus?
      Aprenda uma lio com o assaltante: quanto mais voc corre, pior fica. Aprenda uma lio com Pedro: quanto antes voc falar com Jesus, mais voc falar de 
Jesus. E tome uma nota com o enojado jogador de beisebol: Voc se sentir melhor se puser tudo para fora.
      Uma vez preso nas garras da graa, voc est livre para ser honesto. Faa uma introspeco antes que as coisas piorem. Voc achar satisfao.
      Ser honesto com Deus.
13. A Graa  Suficiente
2 Corntios 12.7-9
Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelaes, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satans, para me atormentar. Trs vezes 
roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: "Minha graa  suficiente para voc, pois meu poder se aperfeioa na fraqueza. 2 Corntios 12.7-9 NVI

      Veja a cena: Voc e eu, e mais uma meia dzia, estamos voando atravs do pas, num avio fretado. De repente, o motor explode em chamas, e o piloto arremete 
para fora da cabina.
      - Vamos cair! - Grita ele. - Precisamos saltar de pra-quedas!
      Ainda bem que ele sabe onde esto os pra-quedas, porque ns no sabemos. Ele os passa para ns, d-nos algumas instrues, e enfileiramo-nos enquanto ele 
abre a porta. O primeiro passageiro aproxima-se da porta, e grita por sobre o vento:
      - Posso fazer um pedido?
      - Claro, o que ?
      - Gostaria de ter um pra-quedas cor-de-rosa. Incrdulo, o piloto agita a cabea:
      - No lhe basta eu ter-lhe dado um pra-quedas?
      Ento o primeiro passageiro salta.
      O segundo aproxima-se da porta:
      - Voc pode me assegurar de que no enjoarei durante a queda?
      - No. Mas posso garantir que voc ter um pra-quedas para o salto.
      Cada um de ns aproxima-se com um pedido, e recebe um pra-quedas.
      - Por favor, capito - pede algum. - Tenho medo de altura. Voc pode tirar-me o medo?
      - No - replica ele. - Mas lhe darei um pra-quedas. Outro pleiteia por uma estratgia diferente:
      - Poderia mudar os planos? Deixe-nos cair com o avio. Poderemos sobreviver.
      O piloto sorri e comenta:
      - Voc no sabe o que est pedindo. - E gentilmente empurra-o para fora.
      Um passageiro pede uns culos de proteo. Outro quer botas, e um outro quer esperar at que o avio chegue perto do solo.
      - Vocs no entendem - grita o piloto, enquanto vai ajudando um por um. - Estou lhes dando um pra-quedas. Isto  suficiente.
      Apenas um item  necessrio para o salto, e ele o prov. Ele pe a ferramenta estratgica em nossas mos. O presente  adequado. Contudo, estamos contentes? 
No. Estamos impacientes, ansiosos, sempre exigindo.
       possvel tanta loucura? Talvez num avio, com pilotos e pra-quedas... Mas na terra, com pessoas e graa? Deus ouve milhares de apelos por segundo. Alguns 
legtimos. Ns, tambm, pedimos a Deus para remover o medo ou mudar os planos. Ele geralmente responde com um gentil empurro, que nos permite ser transportados 
pelo ar, suspensos por sua graa.
O Problema: Quando Deus Diz No
      H ocasies em que a nica coisa que voc quer  a nica coisa que voc no pode ter. Voc no est sendo exigente ou difcil de contentar; voc est apenas 
obedecendo a ordem "pea a Deus tudo o que voc precisar" (Fp 4.6). Tudo o que voc quer  uma porta aberta, ou um dia extra, ou uma orao respondida, pela qual 
voc ser agradecido.
      E assim voc ora e espera. Nenhum resposta. Voc ora e espera. Nenhuma resposta. Voc ora e espera.
      Posso perguntar algo muito importante? E se Deus disser no?
      E se o pedido atrasar, ou for negado? Quando Deus lhe diz no, como voc reage? E se Deus disser: "Tenho lhe dado a minha graa, e isto  suficiente"? Voc 
ficar contente?
     Contente. Esta  a palavra. Um estado de corao no qual voc estar em paz, se Deus no lhe der nada mais do que j tem dado. Teste a si mesmo com esta pergunta: 
Se o nico presente de Deus para voc fosse a sua graa salvadora, voc estaria contente? Voc roga-lhe que salve a vida de seu filho. Voc pleiteia com Ele para 
manter seu negcio de p. Voc lhe implora para remover o cncer do seu corpo. E se a resposta dEle for: "Minha graa lhe basta"? Voc ficar satisfeito?
      Veja bem, da perspectiva celeste, a graa  suficiente. Se Deus no fizesse nada mais que salvar-nos do inferno, poderia algum reclamar? Se Deus salvasse-nos 
a alma, e ento deixasse-nos a viver leprosos numa ilha deserta, estaria sendo injusto? Uma vez que nos foi dada a vida eterna, atrevemo-nos a murmurar num corpo 
dolorido? Uma vez que nos foram dadas riquezas celestiais, ousamos lamentar a pobreza terrena?
      Apresso-me a acrescentar: Deus no deixou voc com "apenas a salvao". Se voc tem olhos para ler estas palavras, mos para segurar este livro, e meios para 
adquiri-lo, Ele j lhe tem dado graa sobre graa. A maioria de ns tem sido salva, e ento abenoada mais e mais!
      Entretanto h aquelas vezes quando Deus, havendo nos dado a sua graa, ouve nossos apelos e diz: "Minha graa  suficiente para voc". Ele est sendo incorreto?
      Em "God Came Near" conto como nossa filha mais velha caiu dentro da piscina, quando tinha dois anos. Um amigo viu, e salvou-a. O que no contei foi o que aconteceu 
na manh seguinte, em meu momento de orao. Esforcei-me de um modo especial para registrar minha gratido em meu dirio. Disse para Deus o quo maravilhoso fora 
Ele, salvando-a. To claro como se o prprio Deus estivesse falando, veio-me  mente a indagao: Eu teria sido menos maravilhoso se a tivesse deixado se afogar? 
Eu teria sido um Deus menos bondoso, se a tivesse chamado para o lar? Eu estaria recebendo seu louvor nesta manh, se no a tivesse salvo?
      Deus ainda  um Deus bom, quando diz no?
O Rogo: Remova o Espinho
      Paulo lutou com aquilo. Ele conhecia a angstia de uma orao sem resposta. No topo de sua lista de orao estava um pedido no identificado que lhe dominava 
os pensamentos. Ele deu ao apelo um codinome: "um espinho em minha carne" (2 Co 12.7). Talvez o sofrimento fosse ntimo demais para se pr no papel. Quem sabe o 
pedido fora feito tantas vezes, que ele reverteu para a taquigrafia. "Estou aqui para falar de meu espinho outra vez, Pai". Ou pode ser que, por meio de um apelo 
genrico, a orao de Paulo pudesse ser a nossa orao? Pois no temos todos ns um espinho na carne?
      Em algum trecho da estrada da vida, nossa carne  furada por uma pessoa ou um problema. Nossas largas passadas tornam-se um coxear; esmorece-nos o passo. Tentamos 
andar novamente apenas para estremecer a cada esforo. Finalmente, suplicamos a Deus por auxlio.
      Tal foi o caso de Paulo. (De qualquer modo, no lhe  encorajador saber que mesmo Paulo tinha um espinho na carne? H conforto em saber que um dos escritores 
da Bblia nem sempre estava na mesma pgina com Deus).
      Voc no arranja um espinho, se no estiver caminhando, e Paulo nunca parava. Tessalnica, Jerusalm, Atenas, Corinto - se ele no estivesse pregando, estava 
na priso por causa de suas pregaes. Sua caminhada, porm, era estorvada por esse espinho. A farpa penetrou atravs da sola de sua sandlia, atingiu-lhe o centro 
do corao, e logo tornou-se tema de intensa orao. "Acerca do qual trs vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim" (2 Co 12.8).
      Este no era um pedido casual; no era um P.S. numa carta. Era o primeiro argumento da primeira sentena. "Querido Deus, preciso de ajuda!"
      No era um estrepe superficial; era um aguilho pungente. Cada passo que dava era uma pontada na perna. Em trs ocasies diferentes, ele manquejou para o lado 
da trilha e orou. Sua petio foi clara, e igualmente clara foi a resposta de Deus: "Minha graa  suficiente" (v.9 NVI).
      O que era esse espinho na carne? Ningum sabe ao certo, mas eis aqui os principais candidatos.
     1. Tentao Sexual. Paulo combatendo a carne? Talvez. Afinal, Paulo era um homem solteiro. Ele descreve a seduo como algum que a conhecesse na fonte. "Porque 
eu sei que em mim, isto , na minha carne, no habita bem algum; e, com efeito, o querer est em mim, mas no consigo realizar o bem. Porque no fao o bem que quero, 
mas o mal que no quero, esse fao" (Rm 7.18,19). Estaria Paulo pedindo a Deus para, de uma vez por todas, livr-lo da sede das guas proibidas?
     2.  Talvez o problema no fosse a carne, mas os inimigos; no tentao, mas oposio. A passagem sugere esta possibilidade. "Foi me dado um espinho na carne, 
a saber, um mensageiro de Satans, para me esbofetear" (2 Co 12.7). Paulo tinha sua quota de oponentes. Eram aqueles que questionavam seu apostolado (2 Co 12.12). 
Alguns que lhe minavam a mensagem da graa (Gl 1.7). Pelo jeito, quando Paulo escreveu que "esse mensageiro de Satans" fora enviado para "esbofetear-me", no estava 
exagerando. Remova-lhe a tnica e veja-lhe as cicatrizes. Ou, j que voc no pode faz-lo, leia sobre os ataques que sofreu.
Trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui aoitado mais severamente e exposto  morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus quarenta aoites 
menos um. Trs vezes fui golpeado com vara, uma vez apedrejado, trs vezes sofri naufrgio, passei uma noite e um dia exposto  fria do mar. Estive continuamente 
viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e 
perigos dos falsos irmos. (2 Co 11.23-26 NVI).
     
      Poderia algum culpar a Paulo por pedir um alvio? Pode um ser humano suportar tanto? "Deus, e se ns limitssemos este ano s aos ataques verbais, e deixssemos 
minhas feridas sararem? Ou, poderamos fazer uma escala, para que as surras e apedrejamentos no viessem ao mesmo tempo? Arranjei uma contuso no pescoo, que me 
faz encolher de dor cada vez que me viro. E, lembra-se daquela noite no crcere de Filipos? Minhas costas ainda no se recuperaram."
     3. Claro, havia aqueles que achavam que Paulo merecia cada chicotada, o que nos leva a uma terceira opinio. Alguns pensam que o espinho era a sua natureza 
esquentada. Por mais que ele tenha aprendido aos ps de Gamaliel, pode ser que tenha cochilado no dia em que discutiram sobre tato e diplomacia. Antes de conhecer 
a graa, ele matara cristos. Depois de conhecer a graa, ele "torrava" os cristos. Exemplo? "E, chegando Pedro a Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensvel" 
(Gl 2.11). Escreveu como um verdadeiro diplomata. Do ponto de vista de Paulo, ou se estava do lado de Deus, ou do lado de Satans. E, caso se escorregasse do primeiro 
para o segundo, ele no fazia segredos: "Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satans, para que aprendam a no blasfemar" (1 Tm 1.20).
      Todos ao alcance de sua lngua e de sua pena sabiam como ele se sentia, e sabiam quando tirar o corpo fora.
     4. Por outro lado, pode-se conjeturar que o espinho no fosse tentao, oposio, ou relaes pblicas. O espinho pode ter sido o seu corpo. Lembra-se de suas 
palavras no final de uma de suas cartas? "Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mo" (Gl 6.11). Talvez seus olhos fossem doentes. Pode ser que ele nunca 
tenha se recuperado daquela viagem a Damasco. Deus chamou-lhe a ateno com uma luz to intensa, que o deixou cego por trs dias. Talvez ele nunca tenha sarado totalmente. 
Pode ser que a sua clara viso da cruz tenha-lhe vindo a custo de no mais ver com clareza as outras coisas. Ele escreveu aos glatas: "Se possvel fora, arrancareis 
os olhos e mos dareis"(Gl 4.15).
      Na profisso de Paulo,deficincia visual poderia ser fator de risco.  difcil viajar, se voc no pode ver a trilha. No  fcil escrever epstolas, se voc 
no pode ver a pgina. Viso enfraquecida leva a forar os olhos, o que leva  dor de cabea, que por sua vez leva a longas noites e longas oraes por alvio. "Deus, 
alguma chance de eu poder ver?"
       difcil impressionar a multido, se voc est fazendo contato visual com uma rvore, achando que  uma pessoa. Isto traz-nos  mente uma derradeira possibilidade.
     5. Temos por certo que Paulo fosse um orador dinmico, porm aqueles que o ouviam poderiam discordar. "...e a sua palavra  desprezvel", escreveu ele, referindo-se 
ao que diziam dele em Corinto (2 Co 10.10). O apstolo no discutiu com eles. "E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra 
e a minha pregao no consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstrao do Esprito e em poder" (1 Co 2. 3,4). Interpretao? Eu estava 
to assustado, que gaguejei, to nervoso, que esqueci meu objetivo. E o fato de vocs terem ouvido, de algum modo, alguma coisa,  testemunho para Deus.
      Vamos ceder por um instante e rotular isto. (No sei como voc visualiza Paulo, mas a imagem pode ser mudada.) Tentado muitas vezes. Surrado regularmente. 
Opinioso. Viso embaada. Lngua afiada. Este  o apstolo Paulo? (Pode ser que ele nunca tenha se casado porque no conseguia arranjar namorada.) No admira haverem 
questionado se ele era um apstolo.
      E no admira que ele orasse.
      O Princpio: Graa  Suficiente
      Algumas dessas peties eram imprprias? Ele no teria sido um apstolo melhor sem tentaes, sem inimigos, com uma conduta serena, olhos saudveis, e uma 
lngua lisonjeira?
      Talvez sim, ou... talvez no.
      Houvesse Deus removido a tentao, Paulo talvez nunca tivesse admitido a sua graa. Apenas a fome aprecia o banquete; Paulo estava faminto. Na porta de seu 
escritrio lia-se o ttulo que ele se auto conferira: "Paulo, o principal dos pecadores". Pena alguma jamais articulou graa como o fez a de Paulo. Isso porque, 
talvez, ningum tenha apreciado a graa como ele.
      Houvesse Deus aliviado o chicote, talvez Paulo nunca tivesse conhecido o amor. "ainda que eu d aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser 
queimado, mas no tiver amor, nada disso me valer" (1 Co 13.3 NVI). A perseguio refina os motivos. Afinal, os motivos de Paulo foram refinados para uma causa. 
"O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14).
      Se Deus o tivesse feito manso e meigo, quem haveria de enfrentar os legalistas, confrontar os hedonistas, e desafiar os judicialistas? A razo da carta aos 
Glatas, que se encontra em sua Bblia,  que Paulo no conseguia engolir uma graa diluda. Atribua as cartas aos Corntios  intolerncia de Paulo para com a f 
piegas. A honestidade de Paulo no poderia ter feito muitos amigos, mas, certamente, fez muitos discpulos.
      E os olhos de Paulo. Houvesse Deus lhe curado as vistas, haveria Paulo de ter tanta viso? Enquanto o resto da terra estava olhando o mundo, Paulo estava tendo 
vises grandiosas demais para as palavras (2 Co 12.3,4).
      E falar publicamente? No h nada to inebriante quanto o aplauso da multido. Deus pode perfeitamente ter estado conservando sbrio o seu apstolo. Qualquer 
que tenha sido a aflio, ela teve um propsito. E Paulo o sabia: "Guarda-me de tornar-me presunoso". O Deus que despreza a soberba fez todo o necessrio para guardar 
Paulo de se tornar orgulhoso.
      Neste caso, Ele simplesmente disse ao apstolo: "Minha graa te basta". Em seu caso, ele pode estar lhe dizendo a mesma coisa.
      Voc pergunta por que Deus no remove da sua vida a tentao? Se Ele o fizer, voc poder apoiar-se na prpria fora, em vez de na sua graa. Um pouco de tropeo 
pode ser o que voc precisa para convencer-se de que a graa de Deus  suficiente para o seu pecado.
      Voc indaga por que Deus no remove de sua vida os inimigos? Talvez por esperar que voc ame como Ele ama. Qualquer um pode amar um amigo, mas poucos podem 
amar um inimigo. E da se voc no  nenhum heri? A graa de Deus  suficiente para a sua auto-imagem.
      Voc inquire por que Deus no modifica a sua personalidade? Voc, como Paulo, anda com algumas arestas? Diz coisas que mais tarde lastima, ou faz coisas que 
mais tarde questiona? Por que Deus no o faz mais parecido com Ele mesmo? Ele faz. S que ainda no terminou. At l, a graa divina  suficiente para superar-lhe 
as falhas.
      Voc pondera por que Deus no o cura? Ele tem curado voc. Se voc est em Cristo, voc tem uma alma perfeita e um corpo perfeito. O plano dEle  dar-lhe a 
alma agora, e o corpo, quando voc chegar ao lar. Ele pode escolher curar partes de seu corpo antes de voc ir ao cu, mas se Ele no o fizer, voc ter menos razo 
para agradec-lo? Se Ele nunca lhe desse mais que a vida eterna, poderia voc pedir mais que isso? Sua graa basta para a gratido.
      Questiona por que Deus no lhe d uma habilidade? Se Deus ao menos tivesse feito de voc um cantor, ou um corredor, ou um escritor, ou um missionrio... Porm, 
em vez disso, voc  desafinado, lento de ps e de mente. No desespere. A graa de Deus ainda  suficiente para completar aquilo que Ele comeou. E at que Ele 
tenha terminado, deixe Paulo recordar-lhe que o poder est na mensagem, no no mensageiro. A graa de Deus  suficiente para falar de modo claro, mesmo quando voc 
no o faz.
      Embora no conheamos tudo sobre espinhos, podemos estar certos disto: Deus prefere que tenhamos uma coxeadura ocasional, que um perptuo andar emproado. E 
se precisamos deste espinho, Ele nos ama o suficiente para no arranc-lo fora.
      Deus tem todo o direito de dizer no para ns. E ns temos todos os motivos para lhe dizer obrigado. O pra-quedas  forte, e a aterrissagem ser segura. Sua 
graa  suficiente.
14. A Guerra Civil da Alma
Romanos 7.7-26

E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri; e o mandamento que era para a vida, achei eu que me era para a morte... 
Acho, ento, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal est comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus 
membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que est nos meus membros. Miservel homem que eu sou! Quem me 
livrar do corpo desta morte? Romanos 7. 9,10, 21-24.
      
      Os pargrafos seguintes documentam a degenerao do autor numa atividade criminal. Os fatos so verdicos, e nenhum nome foi trocado. Eu confesso. Eu tenho 
violado a lei. E, o que  pior, no quero parar!
Minhas aes criminosas comearam inocentemente. Meu itinerrio para o escritrio, na direo sul, passa por uma interseo onde eu e todas as outras pessoas, no 
Texas, viramos para o leste. A cada manh, eu espero longos minutos numa longa fila, num longo semforo, sempre resmungando: "Deve haver um caminho melhor". H poucos 
dias, eu o achei. A meia milha do semforo, descobri um atalho, uma ruela por trs de um shopping. Valeu a tentativa. Liguei o pisca-pisca, virei rpido  esquerda, 
dei adeus a fila de carros e agarrei minha chance. Costurei por entre os montes de lixo, acelerei e voil. Feito! A viela levou-me  avenida para o leste vrios 
minutos  frente do restante da sociedade.
      Lewis e Clark teriam ficado orgulhosos. Eu certamente fiquei. Desde ento, eu estava  frente de todos. A cada manh, enquanto o restante dos carros esperavam 
na fila, eu virava para a minha rodovia privada e, presunosamente, aplaudia a mim mesmo por ver o que os outros deixavam passar. Eu estava surpreso de que ningum 
a houvesse descoberto antes. Mais uma vez, poucos tinham a minha inata habilidade nutica.
      Certa manh, Denalyn estava comigo no carro.
      - Vou recordar-lhe porque voc se casou comigo - gabei-me eu, enquanto nos aproximvamos da interseo. - Est vendo aquela longa fila de carros? Est ouvindo 
essa cantilena triste dos subrbios? Est vendo essa enfadonha humanidade? Isso no  para mim. Aguarde!
      Como um caador num safri, desviei da travessa seis para a travessa um, e partilhei com minha amada a minha secreta via expressa para a liberdade.
      - O que voc acha? - Perguntei-lhe aguardando sua adorao.
      - Acho que voc quebrou a lei.
      - O qu?
      - Voc foi pelo lado errado, numa via de mo nica.
      - Eu no.
      - Volte e veja voc mesmo.
      Eu o fiz. Ela estava certa. De algum modo, eu no notara a placa. Minha estrada-mais-curta era uma rota-no-permitida. Junto  grande lixeira alaranjada estava 
a placa "Sentido Proibido". No admira que as pessoas me olhassem daquele jeito quando eu entrava na alia. Eu pensava que elas fossem invejosas; elas pensavam que 
eu fosse desajustado.
      Porm o meu problema no  o que fiz antes de conhecer a lei. Meu problema  o que quero fazer agora, depois de conhecer a lei. Voc deve achar que eu no 
teria vontade de usar aquela passagem, mas eu tenho! Parte de mim ainda quer o atalho. Parte de mim ainda quer quebrar a lei. (Perdoe-me todos vocs, patrulheiros, 
que esto lendo este livro). A cada manh, as vozes dentro em mim discutem.
      Meu "dever" adverte: -  ilegal.
      Minha "vontade" responde: - Mas eu nunca seria apanhado.
      Meu "dever" lembra: - A lei  a lei.
      Minha "vontade" contesta: - Mas a lei no  para motoristas cuidadosos como eu. Alm de que, eu poderia dedicar esses cinco minutos ganhos  orao.
      Meu "dever" no cai nessa: - Ore no carro.
      Antes de conhecer a lei, eu estava em paz. Agora que conheo a lei, uma insurreio tem ocorrido. Sou um homem dividido. De um lado eu sei o que fazer, porm 
no quero faz-lo. Meu olhos lem a placa "Sentido Proibido", mas meu corpo no quer obedecer. O que eu deveria fazer e o que acabo fazendo so duas coisas bem diferentes. 
Eu estava melhor sem o conhecimento da lei.
      Soa familiar? Poderia. Para muitos,  o itinerrio para a alma. Antes de vir a Cristo, tnhamos todos a nossa quota de atalhos. Imoralidade era um atalho para 
o prazer. Fraude era um atalho para o sucesso. Jactncia era um atalho para a popularidade. Mentira era um atalho para o poder.
      Ento encontramos Cristo, encontramos graa, e vimos a placa. No aconteceu a voc? Voc tinha um temperamento forte, e ento leu: "Qualquer que ficar irado 
contra seu irmo estar sujeito a julgamento" (Mt 5.22 NVI). Puxa, eu nunca soube disso.
      Voc tinha "olhos passeadores", e ento leu: "Qualquer que olhar para uma mulher para desej-la, j cometeu adultrio com ela no seu corao" (Mt 5.28 NVI). 
Oh, cus, e agora, o que fao?
      Voc tende a exagerar em seus argumentos, e ento l: "Seja o seu 'sim', 'sim', e o seu 'no', 'no'; o que passar disso vem do maligno" (Mt 5.37 NVI). Mas 
venho falando assim h anos!
      Voc se compraz em deixar que as pessoas vejam a sua generosidade, e ento l: "Mas quando tu deres esmola, no saiba a tua mo esquerda o que faz a tua direita" 
(Mt 6.3). Rapaz, eu no sabia que isso era errado.
      Voc tem o hbito de categorizar as pessoas em compartimentos, e ento ouve Jesus dizer: "No julgueis, para que no sejais julgados" (Mt 7.1). E essa! Ningum 
nunca me disse que julgar era pecado.
      Todos esses anos voc tem estado pegando atalhos, nunca vendo a placa "Sentido Proibido". Agora voc a viu. Agora voc a conhece. Eu sei, eu sei... teria sido 
mais fcil se voc nunca a tivesse visto, porm agora a lei tem sido revelada. Ento, o que voc faz?
      Sua batalha  idntica  que havia no corao de Paulo.
Sabemos que a lei  espiritual; eu, contudo, no o sou, pois fui vendido como escravo do pecado. No entendo o que fao. Pois no fao o que desejo, mas o que odeio. 
E, se fao o que no desejo, admito que a lei  boa. Neste caso, no sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto 
, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que  bom, mas no consigo realiz-lo. Pois o que fao no  o bem que desejo, mas o mal que no quero fazer, 
esse eu continuo fazendo. Ora, se eu fao o que no quero, j no sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Assim encontro esta lei que atua em mim: quando quero fazer o bem, o mal est junto a mim. Pois, no ntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra 
lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros (Rm 7.14-23).

      A guerra civil da alma.
      Quo bem-vinda  a confisso de Paulo! Que bom saber que ele se debatia como o restante de ns. Aqueles que se tm espantado com a graa tm, igualmente, se 
espantado com os seus pecados. Como dizer sim para Deus num dia, e sim para Satans no outro? Uma vez que conheo os comandos de Deus, porque no ser zeloso em obedec-los? 
No deveriam esses conflitos cessarem, agora que vejo a placa? Meu esforo significa que no estou salvo?
      Esta  a indagao de Romanos 7. E estas so as indagaes de muitos cristos. H alguns anos, testemunhei a guerra ntima de um homem, e registrei estes pensamentos:

De onde estou, posso ver um cardeal. Ele est no telhado ao lado do meu escritrio. H trs dias ele est l. Uma viso esplndida: peito vermelho rubro, coroa de 
plumas em p. Ele canta a mesma cano vez aps vez - um longo trinado, seguido de outros quatro mais curtos. O ritmo nunca varia. O arranjo nunca muda.
Ele voa ao topo do edifcio, e empoleira-se no ponto mais alto do telhado. Abre o leque emplumado atrs do pescoo, joga a cabea para trs e gorjeia: "Chiirrup, 
chirp, chirp, chirp, chirp". E ento fica como que a espera de algum que lhe responda ao chamado. Mas nunca h uma resposta.
Ele repetir o esforo. A plumagem flamejar; soar o chamado, e ele esperar. Mas nunca h uma resposta.

      Aps alguns minutos, ele mergulhar no ptio. Ver seu reflexo no vidro da janela, e voar para ela - o bico  frente. O som do impacto ecoar no ptio, e 
ele retirar-se-. Por um momento. Ele se recolhe, ento v seu reflexo e, l vai... splft! Cambaleia de costas, lutando para manter o controle, apenas para abrir 
os olhos, e ver o reflexo, e... Tump! O triste drama se repete.
      Eu sacudo a cabea. "Por que voc no aprende?" Pondero. "Quanto tempo levar para voc aprender que o pssaro na janela  apenas uma iluso?
      Contudo, ele persiste... voando para a janela.
      Minutos mais tarde, um jovem entra em meu escritrio. Distinto, bem vestido. Aperto de mo firme, tez bronzeada, sorriso luminoso. Breve conversa sobre basquetebol, 
ocupao profissional, aeroportos. Sou tentado a encurtar a conversa, mas... no o fao. Ele precisa de tempo para ganhar coragem. Sabemos por que ele est aqui. 
Tnhamos tido esta conversa antes. Ele tem uma esposa. Ele tem uma amante. Ele abandonou a primeira e vive com a segunda.
     
      - Voc tem ido em casa? - pergunto.
      - No - suspira ele, olhando o ptio atravs da janela. - Eu tentei, mas no fui.
      - Tem falado com sua esposa?
      - No tive coragem.
     
      "Ele  apenas um menino", falo comigo mesmo. Embaixo do terno italiano e da conversa vivaz, ele  um garotinho que sabe que deveria, mas no consegue parar. 
O que  este vazio dentro dele, que no pode ser preenchido pelo casamento? O que  esta paixo que o leva para outra cama?
      Olho pela janela, por cima de seu ombro, e vejo o cardeal bater o bico contra a vidraa. Olho para o outro lado de minha escrivaninha e vejo o jovem enterrar 
o rosto nas mos.
      - Sei o que devo fazer, mas no consigo.
     
      O que far com que ambos parem? Quanto vezes ainda ho de se ferir, antes que se despertem?
No dia seguinte vim ao escritrio, e o pssaro se fora. Logo depois chamei o rapaz, e ele tinha ido. Penso que o pssaro aprendeu a lio. No estou certo quanto 
ao homem. Quem sabe voc venha batendo a cabea na parede. Alguma fraqueza dentro de voc, que o deixa atordoado? Suas palavras? Seus pensamentos? Seu temperamento? 
Sua ganncia? Seu ressentimento? Sua bisbilhotice? As coisas eram melhores antes que voc soubesse da existncia da lei. Mas agora voc sabe. E agora voc tem uma 
guerra a travar. E eu tenho duas verdades sobre a graa para voc levar ao campo de batalha.
1. Ele Ainda Reclama Voc
      Antes de mais nada, lembre-se de sua posio - voc  um filho de Deus. Alguns interpretam a presena da batalha como o abandono de Deus. Sua lgica  mais 
ou menos assim: "Sou um cristo. Meus desejos so, de qualquer modo, cristos. Nenhum filho de Deus passaria por esses conflitos. Devo ser rfo. Deus pode me haver 
dado um lugar no passado, mas no tem um lugar para mim agora".
       assim que Satans semeia as tais sementes de vergonha. Se ele no pode seduzir voc com o seu pecado, ele far voc pensar em sua culpa. Nada o faz exultar 
mais que ver voc escondendo-se num canto, embaraado por ainda estar s voltas com um velho hbito. "Deus j est cheio de seus conflitos", cochicha ele. "Seu Pai 
esta cansado dos seus pedidos de perdo", mente ele.
      E muitos acreditam nele, passando anos e anos convencidos de que so inqualificados para o reino. "Posso ir  fonte da graa tantas vezes? No quero ter de 
pedir perdo outra vez"
      Perdoe minha resposta brusca, mas, quem lhe disse que voc desejou pedir perdo da primeira vez? Quando voc veio a Cristo, fez com que Ele soubesse de cada 
pecado que voc cometera at ento? Sim. Fez com que Ele soubesse de cada pecado que cometeria no futuro? Sim, Ele soube disso tambm. Ento Jesus o salvou, sabendo 
de todos os pecados que voc cometeria at o fim de sua vida? Sim. Voc quer dizer que Ele est disposto a cham-lo de filho, mesmo conhecendo todos - um por um 
- os pecados do seu passado e do seu futuro? Sim.
      Parece-me que Deus j proveu este detalhe. Se o seu pecado fosse grande demais para a graa de Deus, Ele jamais o teria salvo na primeira vez. Sua tentao 
no  a ltima notcia a estourar no cu. Seu pecado no surpreende Deus. Ele viu quando este se avizinhava. Existe alguma razo para pensar que Aquele que recebeu 
voc da primeira vez no o receber sempre?
      Alm de que, o simples fato de voc estar sob ataque significa que voc est do lado certo. Voc percebeu quem mais debateu-se em conflitos? Paulo. Note o 
tempo verbal em que ele escreve:
      "Nem mesmo compreendo..."
      "... o que quero, isso no fao..."
      "... o pecado que habita em mim."
      "Vejo nos meus membros outra lei que batalha..."
      "Miservel homem que eu sou!" (Rm 7.15- 24, itlicos meus).
      Paulo escreve no tempo presente. No est descrevendo um conflito do passado, mas do presente. Pelo que sabemos, o apstolo estava engajado num combate espiritual, 
mesmo enquanto escrevia esta epstola. Est querendo dizer que Paulo batalhou com o pecado enquanto escrevia um livro da Bblia? Voc pode imaginar um momento mais 
estratgico para Satans atacar? No seria possvel que Satans temesse os resultados desta carta aos romanos?
      No  possvel que ele tema os resultados de sua vida? No seria o caso de voc estar sob ataque - no por ser fraco, mas porque pode tornar-se muito forte? 
Talvez ele espere que, derrotando voc hoje, ter um missionrio a menos - ou um escritor, ou um doador, ou um cantor - com quem lutar amanh.
2. Ele Ainda Guia Voc
      Deixe-me dar-lhe a segunda verdade para levar ao campo de batalha. A primeira  a sua posio: voc  um filho de Deus. A segunda  o seu princpio: a Palavra 
de Deus.
      Quando sob ataque, nossa tendncia  questionar a validade dos comandos; racionalizamos como eu fiz com via de mo nica. A lei  para os outros, no para 
mim. Sou um bom motorista. Questionando a validade da lei, eu diminu em minha mente a autoridade da mesma.
      Por essa razo, Paulo apressa-se em recordar-nos: "A lei  santa; e o mandamento, santo, justo e bom" (Rm 7.12). A raiz da palavra santo  hagios, que significa 
"diferente". Os mandamentos de Deus so santos porque vieram de um mundo diferente, de uma esfera diferente, de uma perspectiva diferente.
      De certo modo, a placa "Sentido Proibido" de minha alia interditada era de uma esfera diferente. Os pensamentos de nossos legisladores no so como os meus 
pensamentos. Eles esto interessados no bem pblico. Eu, em convenincia pessoal. Eles querem o que  melhor para a cidade. Eu, o que  melhor para mim. Eles sabem 
o que  seguro. Eu sei o que  rpido. No entanto, eles no criam leis para o meu prazer; criam-nas para a minha segurana.
      O mesmo  verdade com Deus. O que consideramos atalho  visto por Ele como desastre. Ele no deu as leis para o nosso prazer. Deu-as para a nossa proteo. 
Em tempos de conflito, devemos confiar em sua sabedoria, no na nossa. Ele projetou o sistema; Ele sabe do que necessitamos.
      Porm, como sou cabeudo, penso "eu sei." Meu desrespeito pela placa "Sentido Proibido" revela um lado feio e egosta em mim. Houvesse eu nunca visto a lei, 
e nunca veria o quo egosta sou.
      Um exemplo pungente disso foi escrito h mil e setecentos anos por Agostinho, em seu livro Confisses:
     
      Havia uma pereira prxima  nossa vinha, carregada de frutos. Numa noite de ventania, ns, os jovens, malvadamente levantamo-nos para roub-los e carregar 
nosso esplio. Trouxemos um grande carregamento de pras - no para banquetearmo-nos, mas para jog-las aos porcos, embora tenhamos comido o bastante para ter o 
prazer do fruto proibido. Eram lindas pras, porm no eram as pras que minha alma ignbil desejava, pois eu tinha muitas e melhores em casa. Peguei-as simplesmente 
a fim de tornar-me um ladro... o desejo de roubar foi despertado pela proibio de faz-lo.
      Agostinho no foi atrado pelas pras; foi atrado pela cerca. No h dentro de cada um de ns uma voz que diz: "Imagino quantas pras posso apanhar sem ser 
visto"? Ou "Imagino quantas vezes posso descer esta rua de mo nica, sem ser apanhado"?
      No momento em que comeamos a fazer tais perguntas, cruzamos a linha invisvel para a arena do medo. A graa livrou-nos do medo, contudo, quo depressa retornamos. 
A graa disse que no temos de passar a vida olhando por cima do ombro, mas observe nossa olhadela atrs. A graa garante-nos que fomos libertos da culpa, no entanto, 
olhe para as manchas de pra em nossas bochechas, e para a culpa em nossas conscincias.
      No sabemos bem? O que aconteceu conosco? Por que somos to rpidos em retroceder aos velhos caminhos? Ou, como Paulo to francamente escreveu:

"Miservel homem que eu sou! Quem me livrar do corpo desta morte?" (Rm 7.24).

      Simples explicao: Somos impotentes para combater sozinhos o pecado. No nos alegra que Paulo tenha respondido a prpria indagao?

"Graas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor" (v.25).

      Do mesmo modo que nos salvou da primeira vez, salva-nos ainda.
      No h um ponto no qual voc esteja menos salvo do que esteve no primeiro momento em que Ele o salvou. S porque voc estava amuado no caf da manh, no significa 
que foi condenado no caf da manh. Ontem, quando voc perdeu a calma, voc no perdeu a salvao. Seu nome no desaparece e reaparece no livro da vida de acordo 
com os seus humores e aes. Tal  a mensagem da graa. "Portanto, agora j no h condenao para os que esto em Cristo Jesus" (Rm 8.1 NVI).
      Voc est salvo, no por causa do que voc faz, mas pelo que Cristo fez. E voc  especial, no por causa do que voc faz, mas por causa daquele a quem voc 
pertence. E voc  dEle.
      E, porque somos dEle, vamos esquecer os atalhos e ficar na estrada principal. Ele conhece a estrada. Ele traou o mapa. Ele conhece o caminho para o lar.
15. O Peso do dio
Mateus 18.21-35
Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como tambm Deus vos perdoou em Cristo. Efsios 4.32

      A cada semana Kevin Tunell  solicitado a enviar um dlar a uma famlia que ele preferiria esquecer. Eles o processaram em meio milho de dlares, mas a dvida 
acabou assentada em 936 dlares, pagos um de cada vez. A famlia espera o pagamento a cada sexta-feira, assim Tunell no se esquece do que aconteceu naquela primeira 
sexta-feira de 1982.
      Nesse dia, uma jovem dessa famlia foi morta. Tunell foi condenado por homicdio culposo e por dirigir embriagado. Ele tinha dezessete anos. Ela, dezoito. 
Tunell cumpriu uma sentena. Gastou sete anos numa campanha contra dirigir embriagado; seis anos a mais que o exigido. Porm no pode se esquecer de enviar o dlar.
      A restituio semanal s terminar no ano 2000. Dezoito anos. Tunell faz o cheque, remete-o  famlia, e o dinheiro  depositado num fundo escolar.
      A famlia j o levou ao tribunal quatro vezes, por falhar com o pagamento. Aps o mais recente comparecimento, Tunell passou trinta dias no crcere. Ele insiste 
que no est desprezando a ordem; antes,  assombrado pela morte da garota e atormentado pelas lembranas. Ele ofereceu  famlia duas caixas de cheques, cobrindo 
os pagamentos at o ano 2001, um ano a mais que o exigido. Eles recusaram. No  dinheiro que eles querem, mas penitncia.
      Citando a me: "Queremos receber o cheque cada semana, no dia certo. Ele deve entender que vamos prosseguir com isto at agosto do ano 2000. Voltaremos  corte 
todos os meses, se o tivermos de fazer".
      Poucos questionariam a ira da famlia. Apenas os ingnuos pensariam em deixar o culpado impune. Porm eu tenho uma inquietao. Sero suficientes esses 936 
pagamentos? No para Tunell enviar, note bem, mas para a exigncia da famlia. Quando receberem o ltimo pagamento, ficaro em paz? Em agosto do ano 2000, ser a 
famlia capaz de enterrar o assunto? O preo da restituio - dezoito anos -  suficiente? 196 meses de remorso  um preo adequado?
      Quanto  o bastante? Fosse voc da famlia, e fosse Tunell seu alvo, quantos pagamentos voc requereria? Melhor dizendo, quantos pagamentos voc requer?
      Nenhum - repito, nenhum -, nem a vida inteira,  capaz de livrar da injria. Algum, nalgum lugar, tem ferido voc. Como a jovem de dezoito anos, voc tem 
sido uma vtima. Ela morreu porque algum bebeu demais. Parte de voc tem morrido porque algum falou demais, exigiu demais, ou negligenciou demais.
O Hbito do dio
      Todos esto feridos; consequentemente, todos devem decidir: quantos pagamentos exigirei? Podemos no requerer que o ofensor preencha cheques, mas temos outros 
meios de desforrar a ofensa.
      Silncio  uma tcnica popular. (Ignore-os quando eles falarem.) Distncia  igualmente eficaz. (Quando eles vierem em seu caminho, passe para o outro lado.) 
Resmungar  a terceira ferramenta da vingana. ("Oh, vejo que voc ainda tem dedos nas mos. Engraado voc no us-los para discar meu nmero". "Oh, J, que amvel 
de sua parte levar a melhor no jogo de xadrez")
       espantoso o quo criativo podemos ser na desforra. Se eu posso manchar numa noite, frustrar num dia, derrotar numa sexta-feira, ento a justia  feita, 
e eu fico satisfeito.
      Por ora. At eu pensar em voc outra vez. At eu ver voc outra vez. At acontecer algo que me traga  memria o que voc fez; ento eu exijo outro cheque. 
No posso deixar voc sarar antes de mim. Enquanto eu sofro, voc sofre. Enquanto me mago, voc se magoa. Voc me feriu, e eu vou fazer voc sentir-se mal enquanto 
sangro, mesmo se eu prprio tiver de reabrir a chaga.
      Chame-o de mal hbito. Ns o iniciamos bastante inocentemente, indultando com doses de raiva a quem nos feriu. No muito, apenas uma agulhada ou duas de rancor. 
A ira adormece a ferida, ento voltamos para mais uma dosagem; desprezamos no apenas o que ele fez, mas quem ele . Insultamo-lo. Humilhamo-lo. Ridicularizamo-lo. 
A onda energiza. Entorpecidos na malcia, invertemos os papis; no somos a vtima, somos o vencedor. Sentimo-nos bem. Logo odiamos a ele e a qualquer um como ele. 
("Todos os homens so estpidos". "Todos os pregadores so mercenrios". "No se pode confiar em mulher".) A progresso  previsvel. A ferida transforma-se em dio, 
e o dio, em fria; e ns tornamo-nos viciados, incapazes de passar um dia sem intolerncia e amargura.
      Como ser desagravada a ofensa? Como rompo o ciclo? Quantos pagamentos exijo? Pedro tinha uma pergunta similar para Jesus: "Senhor, at quantas vezes pecar 
meu irmo contra mim, e eu lhe perdoarei? At sete?" (Mt 18.21).
      Pedro est preocupado quanto a perdoar demais um ofensor. A lei judaica estipulou que o ofendido perdoasse trs vezes. Pedro est disposto a dobrar e ainda 
dar mais uma de lambujem. Sem dvida, ele pensa que Jesus ficar impressionado. Mas no. A resposta do Mestre ainda nos espanta. "No te digo que at sete, mas setenta 
vezes sete" (v.22).
      Se voc parou para multiplicar setenta vezes sete, est perdendo o ponto principal. Manter o controle de sua misericrdia, Jesus esta dizendo, no  ser misericordioso. 
Se voc est regulando a sua graa, no est sendo gracioso. No deveria haver nenhum ponto onde a nossa graa fosse exaurida.
      A esta altura, os ouvintes de Jesus esto pensando nos Kevin Tunells do mundo. "Mas e quanto ao pai que me abandonou quando eu era criana?" "E minha esposa 
que me desprezou por um modelo mais novo". "E meu patro que me despediu, embora meu filho estivesse doente?"
      O Mestre os silencia com u'a mo levantada e a histria do servo negligente.

O reino dos cus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, comeando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez 
mil talentos. E, no tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dvida 
se lhe pagasse. Ento, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, s generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ento, o senhor daquele servo, movido 
de ntima compaixo, soltou-o e perdoou-lhe a dvida. (Mt 18.23-27).

      Este servo tinha um srio problema. Por alguma razo, ele acumulara uma conta de milhes de dlares. Se ele pudesse pagar mil dlares por dia, durante trinta 
anos, ficaria livre da dvida. Sem chance. Ele no fazia mil dlares por dia. Sua dvida ia muito alm do que ele podia pagar.
      E, a menos que voc tenha pulado a primeira parte deste livro, voc sabe que o mesmo  verdade em relao a ns. Nosso dbito vai muito alm do que podemos 
pagar.
      Nossos bolsos esto vazios, e nosso dbito  de milhes. No precisamos de um salrio; precisamos de um presente. No necessitamos de lies de natao; necessitamos 
de um salva-vidas. No carecemos de um lugar para trabalhar; carecemos de algum que trabalhe em nosso lugar. Este "algum"  Jesus Cristo. "Isto , a justia de 
Deus pela f em Jesus Cristo... ao qual Deus props para propiciao pela f no seu sangue" (Rm 3. 22, 25).
      Nosso Mestre perdoou uma dvida intransponvel. Deus exige algum reembolso? Ele insiste em sua libra de carne? Quando seus ps trilham o caminho errado, Ele 
exige que voc os corte fora? Quando seus olhos fitam duas vezes o que voc nunca deveria ter olhado, Ele os cega? Quando voc usa sua lngua para a profanao, 
em vez do louvor, Ele a corta fora?
      Se Ele o fizesse, seramos uma civilizao mutilada. Ele no exige pagamento; no de ns, pelo menos.
      E aquelas promessas que fazemos: "Ajude-me a sair desta enrascada, Deus. Nunca mais voltarei a desapont-lo". Somos to maus quanto o devedor. "Seja paciente 
comigo", afianou ele, "e pagarei tudo quanto lhe devo". A idia de suplicar por misericrdia nunca passou-lhe pela mente. No obstante nunca haver implorado por 
graa, ele a recebeu. Deixou a cmara do rei como um homem livre de dvidas.
      Contudo, ele no acreditou.

Saindo, porm, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lanando mo dele, sufocava-o dizendo: Paga-me o que me deves.
Ento, o seu companheiro, prostrando-se a seus ps, rogava-lhe, dizendo: S generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porm, no quis; antes, foi encerr-lo 
na priso, at que pagasse a dvida. (Mt 18. 28-30).

      Algo est errado nesta ilustrao. So essas as aes de um homem a quem se perdoou milhes? Sufocando uma pessoa que lhe devia alguns trocados? So essas 
as palavras de um homem deixado livre: "Pague-me o dinheiro que me deve"?
      Lembra-se do dedo-duro - o acusador - da parbola, no comeo do livro? Aqui est ele! To ocupado com os erros de seu irmo, que esquece a graa do pai.
      Ele exige que o seu devedor seja posto atrs das grades, at que possa saldar a dvida. Que grotesco! Ele no  apenas ingrato;  irracional. Como ele espera 
que o homem arranje dinheiro, estando na priso? Se ele no tem fundos aqui fora, descobrir algum dinheiro dentro da cela? Claro que no. O que ele vai fazer? Vender 
revistas aos reclusos? A deciso no faz sentido.
      O dio nunca faz.
      Como pode ser isto? Como pode um perdoado no perdoar? Como pode um homem livre no se apressar em libertar outros?
      Parte da resposta  encontrada nas palavras de Jesus: "Aquele a quem pouco  perdoado, pouco ama" (Mt 7.47).
      Acreditar que estamos completa e eternamente livres da dvida no  fcil. Mesmo se houvssemos estado de p diante do trono, e o ouvssemos do prprio rei, 
ainda duvidaramos. Como resultado, a muitos  perdoado apenas um pouco. No que a graa do rei seja limitada, mas porque a f do pecador  pequena. Deus est disposto 
a perdoar tudo. Est disposto a passar uma esponja no passado. Ele leva-nos ao tanque da misericrdia, e convida-nos ao banho. Alguns mergulham nele; outros apenas 
tocam a superfcie. Estes saem sentindo-se imperdoados.
      Aparentemente, esse foi o problema do servo. Ele ainda se sentia em dbito. Que outra explicao h para o seu procedimento? Em vez de perdoar seu devedor, 
ele o sufoca! "Eu o espremerei de voc". Ele odeia a simples viso do homem. Por qu? Por que este lhe deve muito? No acho que seja. Ele odeia o homem porque este 
o faz lembrar-se de sua prpria dvida para com o amo.
      O rei perdoou-lhe o dbito, mas o servo nunca aceitou verdadeiramente a graa do rei. Agora entendemos porque o escritor de Hebreus insistiu: "Cuidem para 
que ningum se exclua da graa de Deus, nem alguma raiz de amargura brote e cause perturbao, contaminando a muitos" (Hb 12.15 NVI).
A Cura para o dio
      Onde a graa de Deus  omitida, nasce a amargura. Porm onde a graa de Deus  abraada, floresce o perdo. Na carta que muitos acreditam ser a ltima de Paulo, 
ele instiga Timteo: "Fortifica-te na graa que h em Cristo Jesus" (2 Tm 2.1).
      Quo criteriosa  esta ltima exortao. Paulo no insta com Timteo a que seja forte na orao, ou no estudo bblico, ou na benevolncia, por mais vital que 
seja cada uma destas coisas. Ele quer que seu filho na f especialize-se em graa. Reivindique este campo. Apoie-se nesta verdade. Se voc deixar passar algo, que 
no seja a graa de Deus.
      Quanto mais passeamos no jardim, mais semelhante ao das flores  o nosso aroma. Quanto mais imergimo-nos na graa, mais graa concedemos. Poderia isto ser 
a chave do mistrio para o fim da ira? Poderia ser que o segredo estivesse no em exigir pagamento, mas em considerar o pagamento do seu Salvador?
      Seu amigo quebrou a promessa? Sua patroa no manteve a palavra? Sinto muito, porm antes de tomar uma deciso, responda: Como Deus age, quando voc quebra 
uma promessa feita?
      Voc tem sido ludibriado? Isto fere. Porm antes de cerrar o punho, pense: Como Deus reage quando voc falha com Ele?
      Voc tem sido negligenciado? Esquecido? Deixado atrs? A rejeio fere. Mas antes de tirar desforra, seja honesto consigo mesmo: voc nunca negligenciou Deus? 
Voc tem atendido sempre a sua vontade? Ningum de ns o tem feito. Como Ele reagiu quando voc o negligenciou?
      A chave para perdoar os outros  deixar de focalizar o que eles lhe fizeram, e comear a concentrar-se no que Deus fez por voc.
      Mas, Max, isto no  justo! Algum tem de pagar pelo que ele fez.
      Concordo. Algum tem de pagar, e Algum j o fez.
      Voc no entende, Max. Este sujeito no merece graa. No merece misericrdia. Ele no  digno de perdo.
      No estou dizendo que ele seja. Mas, voc ?
      Alm do mais, que outra escolha voc tem? dio? A alternativa no  atraente. Veja o que acontece quando nos recusamos a perdoar: "E, indignado, o seu senhor 
o entregou aos atormentadores, at que pagasse tudo o que devia" (Mt 18.34).
      Servos imperdoadores sempre acabam na priso. Priso da raiva, da culpa, da depresso. Deus no nos pe numa cela; ns mesmos a criamos. "Um morre na fora 
da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado... E outro morre, ao contrrio, na amargura do seu corao, no havendo provado do bem" (J 21.23-25).
      Oh, o gradual aperto do dio. Seu estrago comea como a rachadura em meu pra-brisa. Graas a um caminho veloz numa estrada de cascalho, minha janela foi 
estilhaada. Comeou com um trincado que logo se tornou uma rachadura, e esta expandiu-se em vrias raias. Logo o pra-brisa era uma teia de aranha de fragmentos. 
Eu no podia guiar meu carro sem pensar no estpido que dirigia to rpido. Embora nunca o tivesse visto, eu poderia descrev-lo. Ele  algum sujeito ordinrio, 
que engana a esposa, dirige com um mao de baralho sobre o banco, e deixa a televiso to alta que os vizinhos no podem dormir. Seu descuido obstruiu-me a viso. 
(Nem tanto pelas rachaduras no pra-brisa).
      J ouviu a expresso "cego de raiva"?
      Deixe-me ser mais claro. O dio lhe empanar as vistas e acabar por quebrar-lhe as costas. O fardo da amargura  pesado demais. Seus joelhos dobrar-se-o 
sob a carga, e de desgosto partir-se- seu corao. A montanha  sua frente j  bastante ngreme sem a opresso do dio em suas costas. A escolha mais sbia - a 
nica escolha -  voc arriar o fardo do dio. Voc nunca ser solicitado a dar a algum mais graa do que Deus j lhe tem dado.
      Durante a guerra mundial, um soldado alemo pulou para dentro de uma trincheira em desuso. Ali, encontrou um inimigo ferido. O soldado abatido estava encharcado 
de sangue, e a poucos minutos da morte. Comovido com a situao do homem, o soldado alemo ofereceu-lhe gua. Por este pequeno gesto de bondade, um vnculo foi estabelecido. 
O moribundo apontou para o bolso de sua camisa; o soldado alemo tirou dele uma carteira, e encontrou alguns retratos de famlia. Ele os segurou de modo que o homem 
ferido pudesse olhar para seus amados uma ltima vez. Com as balas zunindo acima deles, e a guerra  sua volta, esses dois inimigos foram, embora por poucos minutos, 
amigos.
      O que aconteceu naquela trincheira? Cessou todo o mal? O que era errado tornou-se direito? No. O que aconteceu foi simplesmente isto: dois inimigos viram-se 
um ao outro como humanos, precisando de ajuda. Isto  perdo. O perdo comea por levantar-se acima da guerra, olhar alm do uniforme, e escolher ver o outro, no 
como um adversrio, ou mesmo um amigo, mas simplesmente como um companheiro combatente, ansiando pela segurana do lar.
16. A Vida a Bordo do Barco da Comunho
Romanos 15.7
Dem uma calorosa acolhida a qualquer irmo que deseje unir-se a vocs, mesmo que a sua f seja fraca. No o censurem por ele ter idias diferentes das suas a respeito 
daquilo que est certo ou errado. Romanos 14.1 BV

Portanto, aceitem-se uns aos outros, da mesma forma como Cristo os aceitou, afim de que vocs glorifiquem a Deus. Romanos 15.7 NVI

      A graa faz trs proclamaes.
      Primeira, apenas Deus pode perdoar meu atesmo. "Quem pode perdoar pecados, seno Deus?" (Mc 2.7). Tratar com os meus pecados  responsabilidade de Deus. Eu 
me arrependo; eu confesso. Porm somente Deus pode perdoar. (E Ele o faz).
      Segunda, apenas Deus pode julgar o prximo. "Quem s tu que julgas o servo alheio? Para seu prprio senhor ele est em p ou cai; mas estar firme, porque 
poderoso  Deus para o firmar" (Rm 14.4). Tratar com o meu vizinho  responsabilidade de Deus. Eu devo conversar; eu devo orar. Mas somente Deus pode convencer. 
(E Ele o faz).
      Terceira, eu devo aceitar como Deus aceita. "Portanto, recebei-vos uns aos outros, como tambm Cristo nos recebeu para a glria de Deus" (Rm 15.7). Deus me 
ama e faz de mim um filho seu. Deus ama meu vizinho, e faz dele um irmo meu. Meu privilgio  completar o tringulo, fechar o circuito, amando a quem Deus ama. 
Mais fcil falar do que fazer. "Viver l em cima com aqueles a quem amamos, oh, ser a glria. Viver aqui embaixo com esses que conhecemos, oh,  outra histria." 
Posso imaginar melhor a situao, lendo algo como isto...
Balanando o Barco
      Deus tem nos alistado em sua marinha de guerra, e nos colocado em seu navio. A embarcao tem um propsito - transportar-nos em segurana  outra margem.
      Este no  um navio de cruzeiro;  um couraado de guerra. No fomos chamados a uma vida de lazer; fomos convocados a uma vida de servio. Cada um de ns tem 
uma tarefa diferente. Alguns, preocupados com os que se afogam, esto arrebatando pessoas da gua. Outros esto ocupados com o inimigo, assim eles guarnecem os canhes 
da orao de da adorao. Ainda outros devotam-se  tripulao, alimentando e treinando seus membros.
      Embora diferentes, estamos na mesma. Cada um pode contar de um encontro pessoal com o capito, pois cada um recebeu uma chamada pessoal. Ele achou-nos entre 
os barracos  beira do cais, e convidou-nos a segui-lo. Nossa f nasceu  vista de seu afeto, e assim ns fomos.
      Todos o seguimos, pela prancha da sua graa, para o mesmo barco. H um nico capito e um nico destino. Embora a batalha seja feroz, o barco  seguro, pois. 
nosso capito  Deus. O navio no afundar. Por isso, no h inquietao.
      H preocupao, no entanto, com a desarmonia da tripulao. Quando subimos a bordo, compreendemos que a tripulao era feita de outros iguais a ns. Porm, 
conforme vagueamos pelo tombadilho, fomos encontrando curiosos convertidos, com aparncias curiosas. Alguns usando uniformes que nunca vimos, estilos esportivos 
que jamais conhecemos.
      - Por que vocs tm esta aparncia? - Perguntamos.
      - Engraado - replicam eles. - Estvamos nos perguntando a mesma coisa a respeito de vocs.
      A variedade das vestimentas nada  perto da perturbadora miscelnea de opinies. H um grupo, por exemplo, que se ajunta todas as manhs para srios estudos. 
Eles promovem disciplina rgida e expresses sombrias.
      - Servir o capito  coisa sria - explicam eles. No  por coincidncia que eles tendem a se reunir na popa. 1
      H um outro regimento profundamente devotado  orao. Eles no apenas acreditam em orao; acreditam em orao de joelhos. Por esta razo, voc sempre sabe 
onde localiz-los; eles esto na proa 2 do navio.
      E ento tem aqueles que acreditam firmemente que o vinho deve ser usado na Ceia do Senhor. Voc os encontrar do lado do porto 3.
      Ainda h um outro grupo que se posiciona prximo ao motor. Eles passam horas examinando os parafusos e porcas do navio. So conhecidos por ficarem no convs 
inferior. Ocasionalmente, so criticados pelos que se demoram no tombadilho, sentindo o vento nos cabelos e o sol na face.
      - O que interessa no  o que vocs aprendem - argumentam esses da borda do navio -, mas o que vocs sentem.
      E, oh, como tendemos a nos agrupar.
      Alguns acreditam que, uma vez que se est no navio, no se pode sair. Outros dizem que voc deve ser tolo por exagerar, mas a escolha  sua.
      Uns acreditam que voc  voluntrio para o servio; outros, que voc foi destinado para ele antes de o navio ser construdo.
      Alguns vaticinam que uma tempestade de grande tribulao abater-se- antes de desembarcarmos; outros, que ela no vir enquanto no estivermos seguros em terra 
firme.
      H aqueles que falam com o capito numa lngua pessoal. E h aqueles que acham que tais lnguas so extintas.
      Uns acham que os oficiais devem usar mantos; outros, que no deve haver oficiais. E ainda h quem ache que todos somos oficiais e todos devemos usar mantos.
      E, oh, como tendemos a nos agrupar.
      E ento h aquela discusso dos encontros semanais, onde o capito  agradecido, e suas palavras so lidas. Todos concordam sobre a importncia desses encontros, 
porm poucos concordam quanto a sua natureza. Alguns o querem barulhento; outros, silencioso. Alguns desejam rituais; outros, espontaneidade. Alguns querem celebrar 
a fim de poderem meditar; outros querem meditar, a fim de celebrar. Alguns querem um encontro para esses que tm ido para o mar. Outros querem alcanar esses que 
foram para ornar, mas sem ir ao mar, e sem negligenciar os que esto a bordo.
      E, oh, como tendemos a nos agrupar.
      A conseqncia  um navio balouante. H agitao no tombadilho. Disputas tm surgido. Marinheiros tm se recusado a falar uns com os outros. Ocasies h, 
em que um grupo se recusa at mesmo a reconhecer a presena do outro no navio. E o que  mais trgico, alguns  deriva tm preferido no subir a bordo, por causa 
das rixas dos marinheiros.
      - O que fazemos?- gostaramos de perguntar ao capito. - Como estar em harmonia no barco?
      No precisamos ir longe para achar a resposta.
      Na ltima noite de sua vida, Jesus fez uma orao que se levanta como uma fortaleza para todos os cristos:

Minha orao no  apenas por eles. Rogo tambm por aqueles que crero em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu ests em mim e eu 
em ti. Que eles tambm estejam em ns, para que o mundo creia que tu me enviaste. (Jo 17.20, 21 NVI)

      Quo preciosas so essas palavras. Jesus, sabendo que o fim est perto, ora uma ltima vez por seus seguidores. Surpreendente, no? Ele no orou pelo sucesso 
deles, nem por sua segurana, ou por sua felicidade. Ele orou por sua unidade. Orou para que amassem uns aos outros.
      Enquanto orava por eles, Jesus tambm orou por "aqueles que crero em mim, por meio da mensagem deles." Quis dizer ns! Em sua ltima orao, Jesus orou para 
que voc e eu fssemos um.
O Comando da Aceitao
      De todas as lies que podemos extrair deste versculo, no perca a mais importante: unidade importa para Deus. O Pai no quer que seus filhos briguem. Desunio 
o incomoda. Por qu? Porque "nisto todos conhecero que sois meus discpulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35).
      A unidade produz crena. Como o mundo acreditaria que Jesus foi enviado por Deus? No se concordarmos uns com os outros. No se resolvermos cada controvrsia. 
No se formos unnimes em cada votao. No se nunca cometermos um erro doutrinrio. Mas se nos amarmos uns aos outros.
      A unidade promove a crena. A desunio nutre a incredulidade. Quem quer embarcar num navio com marinheiros briges? A vida no oceano pode ser borrascosa, mas 
pelo menos as ondas no nos insultam.
      Paul Billheimer pode muito bem estar certo quando diz:

"As contnuas e freqentes fragmentaes da Igreja tem sido o escndalo do sculo. Tem sido a estratgia maior de Satans. O pecado da desunio tem feito mais almas 
perdidas que todos os outros pecados juntos".

      "Todos conhecero que sois meus discpulos, se vos amardes uns aos outros". Pare e pense um minuto neste versculo. No seria a unio a chave para alcanar 
o mundo para Cristo?
      Se a unio  a chave para o evangelismo, no deveria ela ter prioridade em nossas oraes? No deveramos ns, como recomendou Paulo, fazer "todo o esforo 
para conservar a unidade do Esprito pelo vnculo da paz"? (Ef 4.3 NVI). Se a unidade importa para Deus, no deveria importar tambm para ns? Se a unidade  prioridade 
no cu, no deveria s-lo tambm na terra?
      De qualquer modo, em lugar algum foi-nos dito para construir unidade. Foi-nos ordenado, simplesmente, que a conservssemos. Da perspectiva divina, h "um s 
rebanho e um s pastor" (Jo 10.16). A unidade no precisa ser criada; precisa ser protegida.
      Como fazemos isto? Como nos empenhamos na conservao da unidade? Isto significa conciliar nossas convices? No. Significa abandonar as verdades que aprecio? 
No. Significa, porm, dar uma olhada firme e demorada nas atitudes que sustentamos.
Um Caso a Estudar em Cafarnaum
      Algum tempo atrs, Denalyn comprou um macaco. Eu no queria um macaco em nossa casa, ento objetei.
      - Onde ele vai comer? - perguntei.
      -  nossa mesa.
      - Onde ele vai dormir? - inquiri.
      - Em nossa cama.
      - E o cheiro? - reclamei.
      - Eu me acostumei ao seu; suponho que o macaco tambm se acostumar.
      A unidade no comea com o exame do outro, mas de si mesmo. No comea exigindo que os outros mudem, mas admitindo que ns mesmos no somos perfeitos.
      Para um bom exemplo, v a uma vila chamada Cafarnaum, e entre numa pequena casa, ocupada por Jesus e os discpulos. Oua quando o Mestre lhes indaga: "O que 
vocs vinham discutindo pelo caminho?" (Mc 9.33).
      Os discpulos coram, no de raiva, mas de embarao. Eles tinham discutido. Sobre doutrina? No. Estratgia? Tambm no. tica e valores? Sinto muito. Haviam 
discutido sobre qual deles seria o maior.
     
      Pedro achava fosse ele (andara sobre as guas). Joo via a si mesmo no topo (era o favorito de Jesus). Mateus orgulhava-se de ser o melhor (afinal, seu livro 
seria o primeiro do Novo Testamento). Jogo de poder; tentativa de parecer melhor que os outros, tentando diminu-los. No  a que a diviso geralmente comea?

"Porque, onde h inveja e esprito faccioso, a h perturbao e toda obra perversa" (Tg 316).
"Donde vm as guerras e pelejas entre vs? Por ventura no vm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?" (Tg 4.1).

      Notvel. Manobrando por posio na prpria presena de Cristo. Porm no to notvel quanto a resposta de Cristo a eles.
"Qualquer um que receber uma destas crianas em meu nome a mim me recebe, e qualquer que a mim me receber recebe no a mim, mas ao que me enviou" (Mc 9.37 itlicos 
meus).
      
      Jesus sentia to fortemente a questo da aceitao, que usou o verbo receber quatro vezes na sentena.
      A resposta aos argumentos? Aceitao. O primeiro passo para a unidade? Aceitao. No concrdia; aceitao. No unanimidade; aceitao. No negociao, arbitragem, 
ou laborao. Essas podem vir mais tarde, porm s depois do primeiro passo - aceitao.
      Tal resposta perturbou Joo. Simplista demais. O Filho do Trovo era alheio  tolerncia. Porque voc no sai por a, simplesmente aceitando as pessoas! Barreiras 
so construdas. Fronteiras so uma parte necessria da religio. Exemplo caracterstico? Joo tem um.
O Teste da Divergncia
"E Joo lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que, em teu nome, expulsava demnios, o qual no nos segue; e ns lho proibimos, porque no nos segue" (Mc 938).
      
      Joo tem um dilema. Ele e os demais discpulos encontraram, por acaso, algum que estava fazendo grandes obras. Esse homem estava expulsando os demnios (coisa 
que os discpulos haviam tido dificuldade em fazer, conforme Mc 9.17-20). O homem estava mudando vidas. E, alm do mais, estava dando o crdito a Deus; fazia-o em 
nome de Cristo.
      Todas as coisas a seu respeito estavam certas. Resultados certos. Corao certo. Mas havia um problema: ele era do grupo errado.
      Ento os discpulos fizeram o que qualquer religioso saudvel faria com algum do grupo errado. Levaram-no ao poro do navio e puseram-no em confinamento. 
"Ns o fizemos parar, porque ele no pertence ao nosso grupo".
      Joo quer saber se fez a coisa certa. Ele no est convencido; est confuso. Assim  muita gente hoje. O que voc acha das coisas boas feitas por um outro 
grupo? O que voc faz quando gosta do fruto, mas no do pomar?
      Tenho feito esta pergunta. Sou profundamente reconhecido de minha herana. Foi atravs de uma pequena Igreja de Cristo, no Oeste do Texas, que vim a conhecer 
o Nazareno, a cruz, e a Palavra.
      A congregao no era grande; talvez duzentas pessoas, nos melhores domingos. A maioria das famlias era como a minha, operrios dos campos petrolferos. Era, 
porm, uma igreja amorosa. Quando nossa famlia estava doente, os membros visitavam-nos. Quando faltvamos, telefonavam. E quando este prdigo retornava, abraavam-me.
      Aprecio profundamente a minha herana. Contudo, atravs dos anos, minha f tem sido suplementada por pessoas de outros grupos. No navio de Deus, no demorei 
muito a encontrar encorajamento em outras salas de estar.
      Um brasileiro pentecostal falou-me da orao. Um britnico anglicano, chamado C. S. Lewis ps msculo em minha f. Um sulista batista ajudou-me a compreender 
a graa.
      Um presbiteriano, Steve Brown, contou-me da soberania divina, enquanto outro, Frederick Buechner, falou-me da paixo de Deus. Um catlico, Brennan Manning, 
convenceu-me de que Jesus  implacavelmente terno. Sou um marido melhor, porque li James Dobson; e um melhor pregador, porque ouvi Chuck Swindoll e Bill Hybels.
      E, s quando chegar ao lar, saberei o nome do pregador de rdio, cuja mensagem encaminhou-me de volta a Cristo. Eu era um aluno diplomado, que perdera seu 
propsito. Precisando de algum dinheiro para o natal, aceitei o trabalho de dirigir um caminho de entrega de um campo petrolfero. O rdio pegava apenas uma estao. 
Havia um pregador. Num dia frio de dezembro, de 1978, ouvi-o descrever a cruz. No sei seu nome. Desconheo-lhe a herana. Poderia ter sido um quaker ou um anjo, 
ou ambas as coisas. Mas algo do que ele disse levou-me a encostar a camioneta  beira da estrada, e rededicar minha vida a Cristo.
Examine o Fruto e a F
      O que voc faz quando v grandes obras serem feitas por pessoas de outros grupos? No aes divisrias, nem ensinamentos herticos, mas boas obras, que glorifiquem 
a Deus? Voltemos  conversa entre Jesus e os discpulos.
      Antes de se deter no que Jesus disse a Joo, note o que Ele no disse. Jesus no falou: "Joo, se as pessoas so bonitas, esto dentro." Gestos generosos e 
atos benevolentes no so, necessariamente, caractersticas de um discpulo. Apenas porque um grupo distribui brinquedos no natal, no significa que seja cristo. 
S porque do alimento aos famintos, no quer dizer que sejam os favoritos de Deus. Jesus no ordenou a tolerncia cega.
      Nem tampouco defendeu a rejeio de um cobertor. Se unanimidade de opinio fosse necessria  comunho, esse teria sido um momento perfeito para Jesus diz-lo. 
Porm, Ele no o fez. Jesus no deu a Joo um livro de regulamentaes, pelo qual avaliar cada candidato. Fosse necessria uma lista de controle, esse teria sido 
o momento ideal para d-la. Mas Ele no o fez.
      Atente para o que Jesus disse: "No lho proibais, porque ningum h que faa milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim" (Mc 9.39).
      Jesus estava impressionado com a f pura do homem ("...que em meu nome") e seu fruto poderoso ("...faz milagres). Sua resposta oferece-nos uma lio crucial 
de tolerncia refletida. Como voc reagiria a algum de uma herana religiosa diferente?
      Primeiro, olhe o fruto.  bom?  saudvel? Ele, ou ela, est ajudando ou prejudicando as pessoas? Produo  mais importante que pedigree. Mais importa o fruto 
que o nome do pomar. Se a pessoa est carregada de frutos, seja grato! Uma rvore boa no pode produzir frutos maus (Mt 7.17), e seja agradecido por Deus estar trabalhando 
noutro grupo que no o seu.
      Mas olhe tambm a f. Em nome de quem,  feita a obra? Jesus aceitou a obra daquele homem, porque era feita em nome de Cristo. O que significa fazer algo "em 
nome de Cristo"? Significa que voc est sob a autoridade e a procurao deste nome.
      Se vou  concessionria de veculos, e digo que quero um carro grtis, o vendedor vai rir de mim. Entretanto, se eu for com uma carta escrita e assinada pelo 
dono da concessionria, garantindo-me um carro grtis, sairei de l dirigindo um. Por qu? Porque estarei l sob a autoridade e procurao do dono.
      O Mestre manda examinar a f da pessoa. Se ela tem f em Jesus, e  autorizada por Deus, a graa diz que isto basta. Este  um ponto importante. Alguns no 
trabalham em nome de Deus. Lembra-se do amontoador de pedras da parbola? Eles esperam a salvao pelas obras, em vez da graa. No esto trabalhando em nome de 
Deus; no precisam de Deus. Esto trabalhando sob uma bandeira de mritos humanos e justia prpria. Devemos ser to intolerantes a respeito da auto-salvao quanto 
o era Paulo.
      Todavia, h crentes de muitas e diferentes heranas, que depositam sua esperana no Filho Primognito de Deus, e pem sua f na cruz de Cristo. Se eles, como 
voc, esto confiando nEle para carreg-los ao castelo do Pai, no partilham vocs o mesmo Salvador? Se a confiana deles, como a sua, est no sacrifcio todo suficiente 
de Cristo, no esto vocs cobertos com a mesma graa?
      Voc quer dizer que eles no tm de ficar em meu grupo? No.
      Eles no tm de partilhar a minha experincia? No.
      No tm de ver todas as coisas do meu modo? Algum tem?
      O que importa  o fruto e a f que eles tm. Mais tarde, o j moderado Filho do Trovo resumiria isto assim: "Qualquer um que confessar que Jesus  o Filho 
de Deus, Deus est nele e ele em Deus" (1 Jo 4. 15).
      Irnico. Aquele que provocara a resposta simples do Mestre apresentaria, eventualmente, uma resposta prpria ainda mais simples.
      Deveria ser simples. Onde h f, arrependimento, e um novo nascimento, h um cristo. Quando encontro um homem cuja f est na cruz, e os olhos no Salvador, 
encontro um irmo. No era assim com Paulo? Quando escreveu  igreja em Corinto, ele dirigiu-se a um grupo de cristos culpados de todos os pecados - desde abuso 
da ceia do Senhor a disputas sobre o Esprito Santo. No obstante, como se lhes dirigiu? "Rogo-vos, porm, irmos" (1 Co 1.10).
      Quando a igreja em Roma estava debatendo o comer carne oferecida aos dolos, Paulo sugeriu-lhes que comeassem duas igrejas? Uma para os comedores-de-carne, 
e outra para os no-comedores-de-carne? No, ao contrrio, ele insistiu: "Portanto, recebei-vos uns aos outros, como tambm Cristo nos recebeu para glria de Deus" 
(Rm 15.7).
      Acaso Deus est nos pedindo para fazer alguma coisa a mais do que Ele j fez? Ele no tem percorrido um longo caminho em nos aceitar? Se Deus pode tolerar 
meus erros, no posso eu ser tolerante para com as falhas dos outros? Se Deus me permite - com minhas fraquezas e deficincias - cham-lo Pai, no devo eu estender 
a mesma graa a outros? De fato, quem pode oferecer graa seno os que esto seguros nas garras da graa? Se Deus no exige perfeio, devo eu exigir?
      "Eles so servos de Deus", lembra-nos Paulo, "e no de vocs."  So responsveis perante Ele, e no perante vocs. Deixem que Ele lhes diga se esto certos 
ou errados. E Deus mesmo  capaz de lev-los a agir como devem" (Rm 14.4 BV).
      O navio de Deus  uma grande embarcao. Assim como um navio tem muitas dependncias, o reino de Deus tem lugar para muitas opinies. Porm, assim como um 
navio tem um deque, o reino de Deus tem uma base comum: o sacrifcio todo suficiente de Jesus Cristo.
      Voc orar comigo pelo dia quando a orao de Jesus ser respondida?
      Voc orar comigo pelo dia quando o mundo ser vencido porque a Igreja  uma?
      Voc orar comigo pelo dia quando sairemos de nossos compartimentos e, de p, saudaremos juntos o capito? Quando os grupos cessaro, e o coro comear?
      A ltima orao de Jesus, antes da cruz, foi pela unidade de seus seguidores. Iria Ele oferecer uma orao que no pudesse ser respondida? Tambm penso que 
no.
17. O Que Realmente Queremos Saber
Romanos 8.31-39
Quem nos separar do amor de Cristo? Romanos 8.35

      Foi por causa da cano dela. A princpio, eu no notei. No havia razes para tal. As circunstncias eram corriqueiras. Um papai buscando a filhinha de seis 
anos, numa reunio das bandeirantes. Sara ama os prmios que ganha e o uniforme que usa. Ela entrou no carro, e mostrou-me seu novo distintivo e os biscoitos recm-assados. 
Eu virara na estrada, ligara sua msica preferida, e voltara minha ateno para assuntos mais sofisticados.
      Porm mal colocara os ps no labirinto do raciocnio, tive de retornar. Sara estava cantando. Cantando sobre Deus. Cantando para Deus. Cabea para trs, queixo 
erguido, e pulmo cheio, ela inundava o carro com a msica. As harpas do cu silenciaram para ouvir. Esta  a minha filha? Cantava como se fosse mais velha. Parecia 
mais velha, mais alta, e mesmo mais bonita. Por onde andara eu? O que acontecera s bochechas redondas? O que acontecera com o rostinho e os dedos gorduchos? Ela 
estava se tornando uma mocinha. O cabelo louro descia-lhe pelos ombros. Os ps pendiam do assento. Nalgum lugar, durante a noite, uma pgina havia sido virada e, 
olhem para ela!
      Se voc  pai, ou me, sabe do que estou falando. Ontem, as fraldas, hoje, as chaves do carro? Daqui a pouco seu filho estar indo para o colgio, talvez interno, 
e voc desperdiando chances de mostrar-lhe amor. Ento voc fala.
      Foi o que fiz. A cano parou, e Sara tambm. Ento desliguei o som, pus-lhe a mo no ombro, e confessei:
      - Sara, voc est um tanto especial. Ela voltou-se e sorriu tolerantemente.
      - Um dia, algum rapaz de pernas cabeludas ir arrebatar-lhe o corao e transport-la para o prximo sculo. Mas por enquanto, voc pertence a mim.
      Ela inclinou a cabea, olhou para fora por um instante, e ento voltou a olhar-me e perguntou:
      - Papai, por que voc est sendo to esquisito?
      Supus que tais palavras soassem estranhas a uma garotinha de seis anos. O amor de pai pode cair de modo embaraoso nos ouvidos do filho. Minha exploso de 
emoes foi alm da compreenso de Sara. Contudo, isso no me impediu de falar.
      No h como nossas mentes limitadas compreenderem o amor de Deus. Porm isto no o impede de vir.
      E ns, tambm, temos inclinado nossas cabeas. Igual a Sara, temos inquirido o que nosso Pai est fazendo. Do bero em Belm,  cruz em Jerusalm, temos ponderado 
sobre o amor de nosso Pai. O que voc pode dizer dessa espcie de emoo? Depois de aprender que Deus preferiu morrer a viver sem voc, como voc reage? Como voc 
pode comear a explicar tal paixo? Se voc fosse Paulo, o apstolo... Mas no . Voc no fez declaraes. No ofereceu explanao. Voc fez algumas perguntas. 
Cinco, para ser exato.
      A reao de Paulo para com a graa de Deus  a quinta das questes, lanadas como fogos de artifcio, no para trazer indagaes, mas estupefao. "[Paulo] 
desafia a todos e a qualquer um, no cu, na terra, ou no inferno, a respond-las, e a negar a verdade que contm".
      Estas indagaes no lhe so novas. Voc as tem feito. Dentro da noite, voc tem indagado. O diagnstico mdico as trouxe  tona, assim como fizeram a deciso 
da corte e o telefonema do banco. As questes esquadrinham a dor, o problema e a circunstncia. No, as questes no so novas; as respostas so.
A Questo da Proteo
      "Se Deus  por ns, quem ser contra ns?" (Rm 8.31).
      A questo no  simplesmente, "Quem ser contra ns?" Voc poderia responder essa. Quem  contra voc? Enfermidade, inflao, corrupo, esgotamento. Enfrentar 
calamidades, e temer a priso. Fosse a pergunta de Paulo, "Quem ser contra ns?", e poderamos alistar nossos adversrios mais facilmente que lutar com eles. Todavia, 
no  esta a questo. A questo : SE DEUS  POR NS, quem ser contra ns?
      Perdoe-me por um momento. Quatro palavras neste versculo merecem-lhe a ateno. Leia devagar a frase "Deus  por ns". Por favor, pare um instante antes de 
prosseguir. Leia novamente, em voz alta. (Minhas desculpas  pessoa perto de voc). Deus  por ns. Repita a frase quatro vezes, enfatizando cada palavra. (Vamos, 
voc no est com tanta pressa).
     
      Deus  por ns.
          Deus  por ns.
              Deus  por ns.
                   Deus  por ns.
      
      Deus  por voc. Seus pais podem t-lo esquecido, seu professor pode t-lo negligenciado, seus irmos podem t-lo humilhado; mas ao alcance de suas oraes 
est o Criador dos oceanos. Deus!
      Deus  por voc. No que Ele "pode ser", no que Ele "tem sido", no que Ele "era", no que Ele "seria", mas "Deus !" Ele  por voc. Hoje. Nesta hora. Neste 
minuto. Enquanto voc l esta sentena. No precisa esperar numa fila, ou voltar amanh. Ele est com voc. Ele no estaria mais perto do que est neste momento. 
Sua lealdade no aumenta se voc  melhor, nem diminui se voc  pior. Ele  por voc.
      Deus  por voc. Volte-se para a linha lateral;  Deus animando-lhe a corrida. Olhe para a linha de chegada;  Deus aplaudindo-lhe a marcha. Oua-o na arquibancada, 
gritando-lhe o nome. Cansado demais para continuar? Ele o carregar. Desencorajado demais para lutar? Ele o reabilitar. Deus  por voc.
      Deus  por voc. Tivesse Ele um calendrio, seu aniversrio seria assinalado. Dirigisse Ele um carro, seu nome estaria no pra-choque. Houvesse no cu uma 
rvore, Ele entalharia seu nome na casca. Sabemos que Ele tem uma tatuagem, e sabemos o que ela significa. "Na palma das minhas mos te tenho gravado", declara Ele. 
(Is 49.16).
      "Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se no compadea dele, do filho do seu ventre?" Inquire Deus, em Is 49.15. Pergunta extravagante. 
Voc, me, pode imaginar-se alimentando seu filhinho, e ento, depois, perguntar: "Qual o nome desse beb?" No. Eu a tenho visto cuidar de seu filhote. Voc afaga-lhe 
os cabelos, toca-lhe a face, canta-lhe o nome, vezes sem conta. Pode uma me se esquecer? De jeito nenhum. Mas "ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, no me 
esquecerei de ti" garante Deus (Is 49.15).
      Deus  com voc. Sabendo disto, quem  contra voc? Pode a morte feri-lo agora? Pode a enfermidade roubar-lhe a vida? Pode o seu propsito ser tirado, ou o 
seu valor diminudo? No. Embora o prprio inferno possa levantar-se contra voc, nada pode derrot-lo. Voc est protegido. Deus  com voc.
"Aquele que no poupou a seu prprio Filho, mas o entregou por todos ns, como no nos dar, juntamente com ele, gratuitamente todas as coisas?" (Rm 8.32 NVI).
      
      Suponhamos que um homem descubra uma criana sendo atacada por um assassino. Ele arremete por entre a turba, salva o menino, e carrega-o para o hospital. O 
garoto  assistido. O homem paga pelo seu tratamento. Ele fica sabendo que a menino  rfo, e o adota, dando-lhe seu prprio nome. E ento, uma noite, meses mais 
tarde, o pai ouve o filho soluar no travesseiro. Ele vai at o menino, e pergunta-lhe o motivo das lgrimas.
      - Estou preocupado, papai. Estou preocupado quanto ao amanh. Onde terei alimento para comer? Como comprarei roupas para ficar aquecido? E onde irei dormir?
      O pai fica legitimamente perturbado.
      - No lhe tenho mostrado? Voc no entende? Arrisquei minha vida para salv-lo. Dei meu dinheiro para que voc fosse tratado. Voc usa meu nome. Eu o tenho 
chamado de meu filho. Acha que eu faria tudo isso, e ento no supriria suas necessidades?
      Esta  a pergunta de Paulo. Ele, que nos deu seu Filho, no supriria todas as nossas necessidades?
      Ainda assim nos preocupamos. Preocupamo-nos com a receita federal, com o IPTU e com o INSS. Preocupamo-nos com a educao, a recreao e a constipao. Preocupamo-nos 
em saber se teremos dinheiro suficiente, e quando temos dinheiro, preocupamo-nos em saber administr-lo. Preocupamo-nos com a possibilidade de o mundo acabar antes 
que expire o tempo de nossa vaga no estacionamento. Preocupamo-nos com o que o cachorro pensa, se nos v sair do chuveiro. Preocupamo-nos com a possibilidade de 
um dia descobrir que o iogurte desnatado  engordativo.
      Francamente. Deus o salvou a fim de que voc se lamuriasse? Ensinou voc a andar s para v-lo cair? Ele teria sido pregado na cruz por seus pecados, e ento 
desconsiderado suas oraes? Ora, vamos. Estaria a Escritura caoando de ns quando diz "aos seus anjos dar ordens a teu respeito, para te guardarem em todos os 
teus caminhos"? (Sl 91.11)
      Tambm acho que no.
Duas Questes Sobre Culpa e Graa
      "Quem intentar acusao contra os escolhidos de Deus? E Deus quem os justifica. Quem os condenar? Pois  Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre 
os mortos, o qual est a direita de Deus, e tambm intercede por ns" (Rm 8.33,34).
      Algum tempo atrs, li a histria de um menino que estava atirando pedras com um estilingue. Ele nunca conseguia acertar o alvo. Quando retornou ao quintal 
da vov, avistou o pato de estimao da velha senhora. Num impulso, fez pontaria e mandou ver. A pedra atingiu o pato, e este morreu. Apavorado, o menino escondeu 
a ave na pilha de lenha, apenas para levantar os olhos e descobrir que sua irm estava observando.
      Aps o almoo daquele dia, vov pediu a Sally que a ajudasse com a loua. Sally respondeu:
      - Johnny me disse que queria ajud-la na cozinha hoje, no foi, Johnny? - E ela cochichou para ele: - Lembre-se do pato!
      Ento Johnny lavou a loua.
      Que escolha tinha ele? Pelas prximas semanas, esteve na pia muitas vezes. Algumas vezes por seu dever; outras, por seu pecado
      - Lembra do pato? - cochichava Sally, quando ele objetava.
para que nela acreditssemos, fez o que homem algum jamais sonhara. Ele fez-se carne e habitou entre ns.
      Ele ps a mo no ombro da humanidade e disse: - Vocs so um tanto especiais.
      Sem se limitar pelo tempo, Ele nos v. Todos. Das matas da Virgnia ao centro comercial de Londres; dos vikings aos astronautas; do homem das cavernas ao reis; 
do construtor de cabanas ao acusador, e ao amontoador de pedras, Ele nos v. Vagabundos e esfarrapados, Ele nos viu antes que houvramos nascido.
      E Ele ama o que v. Inundado pela emoo. Acima do orgulho, o Criador das estrelas volta-se para ns, olha um por um, e diz: - Voc  meu filho. Eu o amo ternamente. 
Estou consciente de que um dia voc se afastar de mim, e andar ausente. Porm quero que saiba que j lhe providenciei um caminho de volta.
      E para prov-lo, Ele fez algo extraordinrio.
      Descendo do trono, ele removeu seu manto de luz, e evolveu-se em pele: pigmentada pele humana. A luz do universo penetrou a escurido, banhou o ventre. Ele, 
a quem os anjos adoram, aninhou-se na placenta de uma camponesa, nasceu numa noite fria, e ento, dormiu num cocho.
      Maria no sabia se lhe dava leite ou louvor; deu-lhe portanto ambas as coisas, j que Ele era, tanto quanto ela imaginava, faminto e santo.
      Jos no sabia se o chamava de Jnior, ou de Pai. Por fim, chamou-o de Jesus, j que fora esse o nome mencionado pelo anjo, e j que ele no tinha a mais leve 
idia de como chamar a um Deus, que ele podia embalar nos braos.
      Nem Maria, nem Jos, o disse to abruptamente quanto minha Sara, mas no pense voc que suas cabeas no se inclinavam, e suas mentes no ponderavam: "O que, 
neste mundo, est o Senhor fazendo, Deus?" Ou, melhor fraseado: "Deus, o que o Senhor est fazendo neste mundo?"
      "Pode alguma coisa fazer-me parar de amar voc?" Pergunta Deus. "Observe-me falar sua lngua, dormir em sua terra, e sentir suas dores. Olhe para o Criador 
da viso e do som, enquanto Ele espirra, tosse e funga. Voc pergunta se eu entendo como se sente? Olhe dentro dos olhos danantes do menino de Nazar;  Deus indo 
para a escola. Pense no pequenino  mesa de Maria;  Deus derramando o leite.
      "Voc pergunta at quando durar o meu amor? Encontre sua resposta numa cruz alcantilada, sobre um monte escarpado. Esse que voc v l em cima  o seu Criador, 
o seu Deus, furado com pregos, e sangrando. Coberto de cuspe, e encharcado em pecado.  o seu pecado que estou sentindo.  a sua morte que estou morrendo.  a sua 
ressurreio que estou vivendo.  como eu amo voc."
      "Pode alguma coisa interpor-se entre voc e eu?" Indaga o Primognito.
      Oua a resposta, e firme o seu futuro sobre as triunfantes palavras de Paulo: "Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demnios, nem 
o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criao ser capaz de nos separar do amor de Deus que est 
em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38,39).
Concluso: "No se Esquea de Cuidar de Mim"
      "Bem, estou contente por voc estar sentado perto de mim. s vezes eu vomito."
      No  exatamente o que voc gosta de ouvir do passageiro areo sentado ao seu lado. Antes que eu tivesse tempo de alojar minha bagagem no compartimento acima, 
soube seu nome, sua idade e itinerrio.
      - Sou Billy Jack, tenho quatorze anos, e estou indo visitar meu pai.
      Comecei a dizer-lhe meu nome, porm ele falou primeiro:
      - Preciso que algum cuide de mim. Sinto-me um tanto confuso.
      Ele contou-me sobre a escola especial que freqentava, e da medicao que tomava.
      - Pode me lembrar de tomar minha plula daqui a pouco?
      Antes de prendermos o cinto, ele parou a comissria:
      - No se esquea de mim - lembrou-a. - Fico confuso.
      Uma vez no ar, Billy Jack pediu um refrigerante, e mergulhou seu salgadinho nele. Ficou espiando enquanto eu tomava o meu, e perguntou se podia tom-lo tambm, 
o que neguei. Ele derramou um pouco de sua soda, e desculpou-se.
      - No h problema - tranqilizei-o, enxugando o refrigerante derramado.
      Billy Jack mostrou-me seu toca-fitas, e perguntou-me se eu gostaria de ouvir uma msica.
      - Trouxe as minhas favoritas - sorriu ele, dando-me as fitas de A Pequena Sereia, Aladim e O Rei Leo.
      Quando ele comeou a brincar com o seu Nintendo, tentei cochilar. Foi quando ele passou a fazer rudos com a boca, imitando uma trombeta.
      - Posso soar como o oceano, tambm - gabou-se ele, fazendo a saliva sibilar para frente e para trs, dentro das bochechas.
      (No soava como o oceano, mas eu no lhe disse).
      Billy Jack era um pequeno menino num grande corpo.
      - As nuvens podem tocar o cho? - perguntou-me ele.
      Comecei a responder, porm ele olhou pela janela, como se nunca houvera perguntado. No se envergonhando de suas necessidades, ele no deixava passar um comissrio 
de bordo, sem lembrar: - No se esquea de cuidar de mim.
      Quando trouxeram a comida: - No se esquea de cuidar de mim.
      Quando trouxeram mais refrigerante: - No se esquea de cuidar de mim.
      Quando uma aeromoa passava, Billy Jack insistia: - No se esquea de cuidar de mim.
      Honestamente, no posso pensar numa nica vez em que Billy Jack no tenha lembrado a tripulao de que ele necessitava ateno especial. O restante de ns 
no precisava. Nunca pedimos ajuda. ramos adultos. Sofisticados. Auto-confiantes. Viajantes amadurecidos. A maioria de ns nunca deu ouvidos s instrues para 
desembarque de emergncia. (Billy Jack pediu-me que as explicasse para ele).
      Na metade deste livro, lembrei-me de Billy Jack. Ele teria compreendido a idia da graa. Ele saberia que graa implica em colocar-se totalmente aos cuidados 
de algum. No partilhei com ele "A Parbola do Rio" (ainda no fora escrita), mas sei com qual irmo ele teria se parecido.
      O mais jovem. O que deixou o irmo mais velho carreg-lo rio acima. Ele no teria entendido os trs que recusaram a oferta do primognito. Por que no entregar-se 
aos cuidados de algum mais forte?
      Voc o tem feito?
      Muitos no tm. Somos sofisticados, maduros. Uma epstola para desafiar o auto-suficiente, Romanos foi escrita para pessoas como ns. Confisso de necessidades 
 admisso de fraquezas - algo que somos lentos em fazer.  por isso que eu penso que Billy Jack teria entendido a graa. Ocorreu-me que ele era a pessoa mais segura 
naquele vo. Houvesse acontecido algum problema com o avio, ele teria recebido primazia na assistncia. Os funcionrios teriam me deixado de lado, e acorrido a 
ele. Por qu? Ele se havia entregue aos cuidados de algum mais forte.
      Novamente eu pergunto: voc o tem feito?
      Um coisa  certa: voc no pode salvar-se a si mesmo. O rio  forte demais; a distncia  grande demais. Deus enviou o seu Primognito para carreg-lo ao Lar. 
Voc est firme nas garras da graa? Oro para que esteja. Oro sinceramente para que esteja.
      Antes de concluirmos nosso tempo juntos, voc poderia gastar algum tempo com as questes a seguir? Possa o Esprito Santo us-las para revelar alguma resistncia 
que, por ventura haja em sua mente, para com a graa de Deus.
      Voc se apressa em contar aos outros das pedras que tem amontoado? Ou voc prefere orgulhar-se da fora de seu irmo mais velho?
      Voc vive temeroso de nunca fazer o bastante? Ou vive agradecido, sabendo que o que j foi feito  suficiente?
      Voc vive num crculo fechado, aceitando apenas os poucos que trabalham igual a voc? Ou vive num crculo amplo, aceitando a todos os que amam a quem voc 
ama?
      Voc adora para impressionar Deus? Ou adora em gratido a Ele?
      Voc pratica boas obras a fim de ser salvo? Ou as pratica porque  salvo?
      Voc ora: "Deus, obrigado porque no sou como outras pessoas que roubam, traem, ou tomam parte em adultrio"?
      Ou voc confessa: "Deus, tem misericrdia de mim, pecador"?
***
      Um derradeiro pensamento. Billy Jack passou a ltima hora do vo com a cabea em meu ombro, as mos entrelaadas entre os joelhos. Justamente quando eu pensava 
que ele estivesse dormindo, sua cabea levantou-se rapidamente, e ele disse:
      - Meu pai est vindo encontrar-me no aeroporto. Mal posso esperar para v-lo, porque ele cuida de mim.
      Paulo teria gostado de Billy Jack.
* * *
1 N.T.: Popa: O autor faz um trocadilho com a palavra inglesa stern, que alm de popa, significa tambm severo, rigoroso, austero, rgido.
2 N.T.: Proa: O vocbulo ingls para proa  bow, que tambm tem o sentido de dobrar, curvar o corpo ou a cabea em sinal de reverncia.
3 N.T.: Porto: Do ingls port, tambm significa vinho do Porto.
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